Reencontros conturbados de Gerson e Jardim elevam tensão em Cruzeiro x Flamengo pela Libertadores no Mineirão

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A fase de oitavas de final da Conmebol Libertadores, que acontece em 12 de agosto de 2026, promete um embate repleto de emoção e rivalidade para Gerson e Leonardo Jardim, figuras centrais deste confronto. Ambos chegam à etapa decisiva da competição em meio a um cenário de grande expectativa e atrito. Depois de deixarem Flamengo e Cruzeiro de maneira complicada, Gerson e Leonardo Jardim agora se veem diante do desafio de superar seus antigos times em busca de uma vaga nas quartas de final.

O capítulo inicial deste confronto, denominado “mata-mata dos protestos”, terá o técnico Leonardo Jardim no centro das atenções. Com a partida de ida programada para o Mineirão, será o treinador quem primeiro sentirá a manifestação negativa da torcida do Cruzeiro. A causa principal é recente: sua saída do clube mineiro em dezembro de 2025 e o subsequente acordo com o Flamengo, apenas três meses depois. Esse ressentimento persiste, sem ter sido minimizado sequer pela vinda de Arthur Jorge para o time de Belo Horizonte.

Naquela época, Jardim solicitou a quebra de seu contrato com o Cruzeiro, justificando que pretendia fazer uma pausa em sua trajetória como treinador. Ele também reiterou em diversas ocasiões que, se retornasse a atuar no futebol brasileiro, seria exclusivamente pelo clube celeste. No entanto, em março deste ano, aceitou a proposta para assumir o comando do Flamengo, sucedendo a Filipe Luís, que havia sido demitido. Ao justificar sua escolha, ele disse “ter sido ingênuo” em suas declarações anteriores e manifestou respeito pelo clube mineiro.

Leonardo Jardim já experimentou um pouco desse cenário hostil no Maracanã, durante a rodada de abertura do Campeonato Brasileiro. No encontro inicial contra sua antiga equipe, que resultou na vitória do Flamengo por 3 a 1, o técnico foi alvo de xingamentos como “mercenário” e hostilizado pelos torcedores cruzeirenses presentes no local. Contudo, no Mineirão, ele fará sua primeira aparição como adversário diante de sua ex-torcida.

Possível hostilidade aguarda Gerson em reencontro com ex-clube

O mesmo jogo que gerou hostilidade contra Jardim também serve como indicativo da recepção que Gerson poderá ter. A conclusão da trajetória do volante no Flamengo foi marcada por tensões, incluindo desentendimentos com a diretoria e um embate judicial que já produziu momentos de conflito.

O período de atrito entre Gerson e o Flamengo teve início no começo do ano anterior, em meio às conversas para a renovação de seu contrato. Mesmo com um vínculo válido até o final de 2027, o então capitão da equipe rubro-negra almejava um reconhecimento salarial maior. Marcão, pai e empresário do atleta, fez exigências públicas à diretoria. Como reação, o presidente Bap demonstrou ironia ao se referir ao pai do jogador durante um encontro com conselheiros. Em abril, Gerson teve seu contrato estendido, com um reajuste salarial e a prorrogação do acordo até o encerramento de 2030.

Contudo, essa mesma renovação acabou por diminuir a permanência de Gerson no clube. O Flamengo revisou a multa rescisória de 200 milhões de euros (equivalente a cerca de R$ 1,2 bilhão) para 25 milhões de euros (aproximadamente R$ 160 milhões), definindo um montante para uma possível transferência do atleta, que já estava sob observação do Zenit. Em julho, a equipe russa efetuou o pagamento da multa estabelecida e o jogador deixou o Rio de Janeiro. Apenas seis meses depois, ele firmou um contrato com o Cruzeiro.

Em janeiro deste ano, o Flamengo iniciou um processo judicial com o objetivo de cobrar R$ 42,7 milhões do meio-campista e da FGM Sports, empresa administrada por Marcão, pai e empresário do jogador.

Gerson acumulou mais de 200 partidas defendendo o Flamengo, período em que conquistou 12 troféus, incluindo uma Libertadores em 2019 e dois Campeonatos Brasileiros em 2019 e 2020. A última vez que o meio-campista vestiu a camisa rubro-negra foi no confronto contra o Bayern de Munique, na eliminação durante as oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes. Na ocasião, ele marcou um gol na derrota por 4 a 2.

Leonardo Jardim chegou ao Cruzeiro em fevereiro de 2025, assumindo o posto que era de Fernando Diniz. Além de ter alcançado a semifinal da Copa do Brasil, a equipe sob seu comando finalizou o Brasileirão na terceira posição, garantindo uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2026. O histórico do treinador no clube inclui 55 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e 11 derrotas.