Na manhã de 18 de agosto de 2026, uma grande ofensiva de segurança pública resultou na detenção do criador de conteúdo digital Eduardo Rezende da Silva Razuk e de seu irmão, Rafael Rezende da Silva Razuk. Os mandados judiciais foram cumpridos nas cidades de Campo Grande e Dourados, localizadas no Mato Grosso do Sul, sob a coordenação estratégica da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). O foco central das investigações recai sobre um complexo esquema financeiro ilícito, que engloba lavagem de capitais, formação de quadrilha e a exploração não autorizada de jogos de azar disfarçados de sorteios. Durante as diligências, os agentes confiscaram diversos automóveis de alto padrão que estavam escondidos em um galpão associado diretamente ao influenciador automotivo.
Força-tarefa mobiliza delegacias especializadas para apreender frota de luxo
Para garantir o sucesso das buscas e evitar a ocultação de provas, a operação contou com o suporte tático da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras). As equipes policiais percorreram múltiplas propriedades situadas em bairros nobres e áreas residenciais da capital sul-mato-grossense, incluindo endereços na Vila Carlota, Vilas Boas e Jardim Cruzeiro. Todos os veículos recolhidos durante a varredura matinal foram imediatamente transferidos para o pátio da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv). Neste local, os automóveis passarão por perícias minuciosas para identificar possíveis adulterações de chassi e rastrear a verdadeira origem dos recursos utilizados em suas aquisições milionárias.
Histórico de infrações transforma canal de carros em alvo constante da Justiça
O nome de Eduardo Razuk ganhou notoriedade nacional através de plataformas de vídeo, onde ele exibia testes de aceleração e modificações automotivas extremas para milhões de seguidores apaixonados por motores. No entanto, a fama digital rapidamente se misturou com um vasto histórico de problemas legais, que começaram a chamar a atenção das autoridades de trânsito ainda em 2018. Naquela época, o produtor de conteúdo publicou registros conduzindo em rodovias enquanto manuseava o telefone celular, debochando abertamente das multas acumuladas e da pontuação estourada em sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Esse comportamento marcou o início de uma transição perigosa, onde o desrespeito sistemático às leis passou a ser monetizado como entretenimento para o seu público cativo.
O cerco policial começou a se fechar de forma mais contundente a partir de 2020, quando as atitudes do influenciador extrapolaram as infrações administrativas rotineiras e entraram definitivamente na esfera criminal. Uma série de episódios documentados pelas forças de segurança ilustra a escalada das controvérsias envolvendo o criador de conteúdo ao longo dos últimos anos, mostrando um padrão de desafio às autoridades.
- Em março de 2020, durante o pico das medidas de isolamento da pandemia, ele filmou a si mesmo furando o toque de recolher na capital, o que gerou inquéritos por direção perigosa, incitação ao crime e infração de medidas sanitárias preventivas.
- No mês de abril do mesmo ano, ocorreu sua primeira detenção formal após a polícia localizar um Toyota Corolla XRS com placas do Paraguai em sua posse, resultando em uma acusação de receptação que foi temporariamente contornada com o pagamento de fiança de vinte mil reais.
- Ainda naquele período, o youtuber passou a utilizar uma via pública conhecida como Porto Seco para gravar arrancadas a mais de duzentos quilômetros por hora, ignorando o risco de acidentes fatais e alegando falsamente se tratar de um ambiente controlado.
- Em agosto de 2020, uma operação conjunta realizou buscas nas propriedades de Razuk e do colega de profissão Luan Galasso, recolhendo aparelhos eletrônicos e carros sob a suspeita de contrabando e adulteração de componentes mecânicos.
- Laudos técnicos posteriores comprovaram que as modificações feitas nos esportivos do influenciador configuravam crime ambiental, devido à remoção de filtros que causava a emissão excessiva de gases poluentes na atmosfera.
Sorteios milionários na internet e tentativas de burlar a suspensão da habilitação
A exploração financeira de sua base de fãs atingiu um novo patamar com a promoção massiva de sorteios de veículos esportivos, uma prática que rapidamente entrou na mira dos órgãos de fiscalização por falta de regulamentação. Após uma breve pausa nas atividades suspeitas devido à pressão legal, ele retomou a venda de cotas em março de 2021, oferecendo um Ford Mustang Black Shadow que movimentou cerca de um milhão de reais através de vinte mil bilhetes comercializados a cinquenta reais cada. O caso terminou em escândalo meses depois, quando o ganhador legítimo não recebeu o prêmio, pois o automóvel havia sido repassado a terceiros antes da conclusão do concurso. A equipe de defesa tentou argumentar que o influenciador era apenas um garoto-propaganda contratado por uma agência, mas as investigações apontavam para seu controle direto sobre o fluxo de dinheiro.
Paralelamente aos negócios nebulosos no ambiente virtual, o direito de dirigir do produtor de conteúdo foi oficialmente suspenso por seis meses em outubro de 2021, logo após a apreensão de um Nissan Sentra que ele utilizava no dia a dia. Ignorando a penalidade imposta pelo Detran-MS, ele continuou publicando vídeos ao volante em rodovias interestaduais e chegou a declarar publicamente a intenção de tirar cidadania paraguaia para obter uma nova licença e contornar a legislação brasileira. Os problemas judiciais se acumularam ainda mais em abril de 2024, quando ele virou réu no Distrito Federal por conta do sorteio de um Audi S3 avaliado em duzentos e cinquenta mil reais. O vencedor da rifa descobriu que o bem possuía restrições financeiras severas, gerando um longo processo cível por quebra de acordo na tentativa de recompra do automóvel.
Colisão grave com motocicleta resulta em processo de indenização milionária
Além das fraudes financeiras investigadas, a cultura de irresponsabilidade no trânsito associada à marca do influenciador causou danos físicos irreversíveis a terceiros nas ruas da cidade. Em novembro de 2024, um funcionário que conduzia um Golf GTI registrado no nome de Razuk atropelou violentamente um motociclista na Avenida Ministro João Arinos. Relatos de pessoas que presenciaram a cena indicaram que o motorista do veículo alemão disputava uma corrida ilegal contra um Honda Civic momentos antes do impacto brutal. Embora a polícia não tenha conseguido provar o racha no momento do boletim de ocorrência, imagens de monitoramento anexadas posteriormente ao processo reforçaram a tese de excesso de velocidade, enquanto a vítima lutava pela vida em uma unidade de terapia intensiva.
O desdobramento trágico desse acidente culminou em uma pesada batalha nos tribunais, iniciada formalmente em março de 2025. O motociclista gravemente ferido acionou a Justiça cobrando aproximadamente um milhão e cem mil reais para cobrir danos estéticos, morais e materiais causados pela destruição de seu veículo e pelas sequelas permanentes. Os autos do processo revelam ainda uma atitude duramente criticada pela acusação, onde o influenciador teria promovido uma nova rifa sob o pretexto de arrecadar fundos para comprar uma moto nova para a vítima. Essas manobras digitais, que misturam uma suposta caridade com a manutenção de um modelo de negócios sem aval do Ministério da Fazenda, formam hoje o núcleo das investigações que levaram os irmãos para trás das grades.
