Pesquisadores liderados pela NASA revelaram uma fase crucial do processo de congelamento do Ártico, conhecida como “cortina zero”, que influencia diretamente a liberação de gases de efeito estufa na atmosfera. O novo estudo foi detalhado em 18 de agosto na revista Scientific Reports e apresenta os primeiros mapas de alta resolução sobre esse fenômeno, essenciais para prever os efeitos do degelo do permafrost no clima global.
Entendendo a cortina zero e seu funcionamento no solo ártico
Watch how temperature swings at Earth’s poles. 🌡️🧊⁰⁰NASA’s PREFIRE satellites have now collected two full years of data showing how surface temperatures change at Earth’s poles. Because the poles are in opposite hemispheres, their seasons are flipped – when it’s summer in the… pic.twitter.com/ScB5DeOKg6
— Stellarix (@Stellarixorine) August 13, 2026
A “cortina zero” refere-se ao período em que o solo ártico não congela imediatamente ao chegar o inverno, mas permanece próximo ao ponto de congelamento por dias ou semanas. Esse fenômeno é similar ao que ocorre em um copo de água com gelo, onde a temperatura se mantém no ponto de congelamento enquanto o gelo derrete. No outono, o processo inverso acontece: a água presente no solo libera calor ao congelar, mantendo a área próxima a 0°C antes de esfriar completamente.
Micróbios liberam gases ricos em carbono com o degelo
As condições próximas ao congelamento na “cortina zero” permitem que os micróbios do solo permaneçam ativos por mais tempo do que o esperado. Essa atividade prolongada resulta na liberação de dióxido de carbono e metano na atmosfera, gases que contribuem significativamente para o efeito estufa. O permafrost ártico, uma vasta área de solo permanentemente congelado, armazena cerca de 1,9 trilhão de toneladas de carbono orgânico, uma quantidade quase o dobro da atualmente presente na atmosfera. A prolongação do degelo acelera a liberação desse carbono.
Inteligência artificial GeoCryoAI mapeia fenômeno complexo
Para mapear e compreender melhor a “cortina zero”, a equipe de pesquisa utilizou uma estrutura de inteligência artificial chamada GeoCryoAI. Este sistema combina observações de satélite e resultados de modelos climáticos com medições de campo que remontam a 1891, permitindo a criação de mapas detalhados das condições da camada de gelo em toda a região ártica. Os mapas resultantes mostraram que:
- O degelo na primavera geralmente produz períodos de “cortina zero” muito mais longos do que o congelamento no outono.
- Regiões com níveis mais elevados de umidade também experimentam períodos prolongados da “cortina zero”.
Avanços da missão NISAR para o monitoramento futuro
A estrutura GeoCryoAI foi desenvolvida para ser compatível com os dados da missão NISAR (NASA-ISRO Synthetic Aperture Radar), uma colaboração entre os Estados Unidos e a Índia. A missão NISAR permitirá aos cientistas observar com maior precisão como as paisagens congeladas do Ártico respondem às mudanças climáticas. Essas novas informações são cruciais para aprimorar as previsões sobre futuras emissões de gases de efeito estufa e seus impactos no clima global. Compreender a dinâmica do congelamento e degelo do permafrost é um passo fundamental para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
