Cavaleiro Yuri Mansur deixa equipe do Brasil e pode defender Holanda após críticas à CBH

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O cavaleiro Yuri Mansur anunciou, em 20 de agosto de 2026, que não representará mais o Brasil em competições, após ser excluído da equipe de saltos para os Jogos Mundiais Equestres, em Aachen, na Alemanha. Por meio de um comunicado divulgado em suas redes sociais, o atleta criticou a gestão da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), mencionando disputas internas, falta de critérios claros na seleção e o que descreveu como um “tratamento deplorável”, que incluiu chantagem e desrespeito. A CBH, por sua vez, defendeu-se em nota oficial, afirmando que a escolha dos membros da equipe seguiu normas estritamente técnicas.

A definição dos quatro titulares e suas respectivas montarias para o Brasil nos saltos, divulgada pouco antes do Mundial, gerou polêmica. Inicialmente convocado com QH Alfons Santo Antonio para a fase de preparação, Yuri Mansur não integrou a lista oficial da CBH para a competição em Aachen. A equipe final contou com Rodrigo Pessoa (Major Tom), Stephan Barcha (Chevaux Primavera Império Egípcio), Marlon Zanotelli (Dorette OLD), Luciana Diniz (Vertigo du Desert) e Pedro Muylaert (Gemme Villers). No primeiro dia das disputas de saltos, em 20 de agosto de 2026, a equipe brasileira ocupou a 15ª posição entre 31 participantes, com a competição prevista para continuar até 24 de agosto de 2026.

Mansur relatou que a equipe enfrentava uma falha de gestão, com a ausência de critérios definidos para a formação do time.

O cavaleiro detalhou que os treinamentos do conjunto não progrediram como esperado, e já se comentava sobre sua possível ida para a reserva, o que, segundo ele, criou um ambiente prejudicial entre os colegas. Ele descreveu uma reunião em que o treinador e o chefe de equipe se recusaram a responder quem era responsável pela seleção do time, tornando a situação desconfortável para todos os presentes.

Cavaleiro explica como soube da decisão de não ser titular no Mundial

Yuri Mansur narrou como soube que não faria parte da equipe titular no Mundial de Aachen de uma forma inesperada. Após não comparecer a um churrasco de despedida, em 16 de agosto de 2026, ele ligou para o veterinário da equipe no dia seguinte para tirar dúvidas sobre o controle veterinário em Aachen. Foi então que o veterinário revelou que Marlon Zanotelli iria em seu lugar, indicando que a comissão técnica esperava que Mansur só descobrisse ao chegar à Alemanha para ser um “reserva de luxo”, caso um dos cavalos mais velhos falhasse no controle. Yuri classificou a situação como “inaceitável” e “sem palavras”.

Diante da forma como os fatos se desenrolaram, Yuri Mansur decidiu deixar a equipe e não competir mais em grupo pelo Brasil.

Ele expressou que, embora já tivesse aceitado situações com as quais não concordava, nunca havia sentido sua dignidade ser tão afetada. O cavaleiro considerou o episódio uma “traição” e uma “situação desrespeitosa”, lamentando que metade da comissão não o contatou para dar explicações.

Apesar da decisão pessoal, Mansur afirmou que continua torcendo pelos companheiros da equipe que estão no Mundial.

Ele reforçou o desejo de que os atletas brasileiros brilhem na competição e expressou seu compromisso em expor e, se possível, mudar o sistema atual que, em sua visão, é problemático no hipismo brasileiro.

A possibilidade de Yuri Mansur competir pela Holanda

O futuro de Yuri Mansur no esporte pode incluir a representação de outro país. Vivendo na Holanda e possuindo passaporte holandês, o cavaleiro revelou que seu filho, Pedro, já compete pelo país europeu e é campeão mirim mundial. Mansur afirmou ter a opção de defender a Holanda e ter recebido convites de outras nações. Ele declarou que, sem uma “revolução enorme” e a união dos cavaleiros para superar antigas mágoas, não tem intenção de retornar à equipe brasileira, mas considera continuar representando o Brasil individualmente.

Conteúdo da nota divulgada por Yuri Mansur

Em sua nota, Yuri Mansur descreveu o ocorrido em 16 de agosto de 2026 como o “pior episódio” em sua jornada, após mais de uma década dedicada ao esporte na Europa. Ele criticou a “incompetência”, a “falta de dirigentes aptos”, a “disputa de poder entre os próprios atletas” e a “ausência de uma unidade com mentalidade vencedora”. O cavaleiro pontuou que o processo se repetia anualmente com “brigas, ofensas, falta de comunicação deliberada, falta de regras e processos honestos, protecionismo e nenhum resultado” como time. Ele reiterou ter recebido o “tratamento mais deplorável” da atual gestão, sendo “chantageado, desprezado e maltratado”, e que os eventos do domingo excederam os limites éticos, levando à sua decisão de não mais competir em campeonatos por equipe pelo Brasil.

Ele finalizou a nota desejando sorte aos atletas que representam o Brasil no Mundial, enquanto expressou “pena” pela gestão da Confederação Brasileira de Hipismo.

Posicionamento oficial da Confederação Brasileira de Hipismo

A Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) divulgou uma nota para esclarecer a formação da equipe de Salto para o FEI World Championships Aachen 2026. A instituição informou que, em junho, sete atletas foram convocados para representarem o Brasil: Luciana Diniz, Marlon Zanotelli, Rodrigo Pessoa, Stephan Barcha, Yuri Mansur, Eduardo Pereira de Menezes e Pedro Muylaert.

A CBH explicou que, desde o início do processo de convocação, estava claro que, dos sete nomes, cinco fariam parte do time em Aachen, com quatro como titulares e um como reserva. Essa estrutura é considerada padrão em equipes de alto rendimento e, segundo a Confederação, era de conhecimento de todos os envolvidos.

A definição final da equipe foi condicionada ao período de concentração em Aachen, que ocorreu entre 11 e 16 de agosto de 2026. Durante esse tempo, os atletas e seus cavalos foram avaliados pela comissão técnica. A CBH enfatizou que não havia confirmação prévia de titularidade, e qualquer um dos convocados poderia ser selecionado para entrar em pista.

A escolha foi feita pelo técnico internacional Franke Sloothaak e sua equipe, utilizando exclusivamente critérios técnicos para montar a equipe mais adequada ao Campeonato Mundial. A Confederação reconheceu a dificuldade da decisão devido ao alto nível técnico e equilibrado dos atletas.

A CBH informou que, após a comunicação da provável formação da equipe, Yuri Mansur optou por deixar o centro de treinamento. A entidade respeitou a decisão do atleta e, em consequência, foi necessário convocar Pedro Muylaert, que estava na lista de espera, para integrar o time brasileiro.

A Confederação Brasileira de Hipismo esclareceu que a manifestação de Yuri Mansur ocorreu antes da nomeação definitiva dos cavaleiros, que foi formalizada apenas após o treino oficial e a ambientação em Aachen. A CBH afirmou que, se Mansur tivesse permanecido, ele seguiria como parte da delegação.

A nota da CBH concluiu que decisões técnicas são rotineiras no esporte, assim como a decisão de um atleta de seguir um novo caminho. A Confederação agradeceu a Yuri Mansur por sua trajetória e sucesso com a equipe brasileira, desejando-lhe sucesso em sua nova fase e lamentando o ocorrido. O foco atual da entidade, da comissão técnica e da delegação permanece em Aachen, buscando bons resultados para o Brasil na competição.