Uma operação ambiciosa para salvar o Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, foi cancelada em 20 de agosto de 2026, após a espaçonave designada para o resgate enfrentar problemas técnicos irrecuperáveis em órbita. O anúncio foi feito pela Katalyst Space, empresa proprietária do veículo de salvamento, confirmando que o telescópio espacial, avaliado em US$ 500 milhões, deve se consumir na atmosfera terrestre ainda este ano. A missão representava uma iniciativa inédita nos Estados Unidos para prolongar a vida útil de um observatório envelhecido.
Missão de resgate do telescópio Swift é cancelada
A nave Link, da Katalyst Space, havia sido lançada no início de julho com o objetivo de se aproximar do Observatório Swift, que orbita a cerca de 347 quilômetros da Terra. A proposta era acoplar-se ao telescópio e, em seguida, rebocá-lo para uma órbita mais elevada, de aproximadamente 600 quilômetros, estendendo assim sua operação por muitos anos. Esse tipo de serviço, realizado por uma startup, visava inaugurar uma nova era de manutenção espacial.
Falha irreversível na nave de resgate Link
Contudo, a Link começou a girar descontroladamente pouco depois de alcançar o espaço. Engenheiros da Katalyst Space dedicaram semanas em intensas tentativas para recuperar o controle da nave. Na semana anterior ao cancelamento, um novo software de controle de posicionamento foi instalado, o que conseguiu diminuir a rotação descontrolada, mas não foi suficiente para interrompê-la por completo. Após essa monitorização e avaliação contínuas, a Katalyst Space e a Nasa concluíram, em conjunto, que a missão não poderia prosseguir com a “captura nem a elevação da órbita do Observatório Neil Gehrels Swift da Nasa”, conforme comunicado da empresa.
O legado científico do Observatório Neil Gehrels Swift
Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift tem sido uma ferramenta valiosa para a ciência astronômica, dedicando-se ao estudo de explosões de raios gama e outros fenômenos cósmicos de alta energia. O telescópio, um dos principais em sua categoria, forneceu dados cruciais que ajudaram os pesquisadores a entender a evolução do universo e a formação de buracos negros. Sua perda representa um revés para a capacidade de monitoramento contínuo desses eventos dramáticos no espaço.
O destino do telescópio e a reentrada atmosférica
Com o cancelamento da missão de resgate, o Observatório Swift deverá seguir seu curso natural e reentrar na atmosfera terrestre, onde se desintegrará. A expectativa é que esse evento ocorra ainda em 2026. A reentrada natural de satélites e detritos espaciais é um processo comum, mas a perda de um instrumento científico tão significativo destaca os riscos e os desafios contínuos da operação de ativos de alto valor em órbita.
Desafios e aprendizados de parcerias espaciais privadas
A missão de elevar a órbita do Swift, que seria a primeira do tipo nos Estados Unidos, foi um empreendimento arrojado para a Katalyst Space, uma startup do Arizona fundada em 2019 com o objetivo de construir frotas de espaçonaves robóticas autônomas. A empresa construiu e testou o veículo de resgate Link em um prazo de nove meses, um cronograma de produção descrito como “sem precedentes”, sob um contrato de US$ 30 milhões com a Nasa. “Assumimos esse desafio de alto risco e alta recompensa e estamos orgulhosos dos marcos que alcançamos ao longo do caminho”, disse Ghonhee Lee, presidente-executivo da Katalyst, em comunicado. Ele ainda afirmou que a empresa aprendeu muito durante a missão e planeja aplicar essas lições em futuros voos.
