Foguete da Rocket Lab envia satélite japonês de observação da Terra para o espaço

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lançamento foguete - Parilov/Shutterstock.com

Um novo satélite japonês, projetado para monitorar o planeta com alta precisão, foi lançado com sucesso ao espaço em 20 de agosto de 2026, a bordo de um foguete Electron da empresa Rocket Lab. A missão é mais um passo na construção de uma constelação ambiciosa de satélites de radar de abertura sintética (SAR) pela companhia iQPS, com sede em Tóquio.

Lançamento bem-sucedido na Nova Zelândia

A decolagem do veículo Electron ocorreu precisamente às 9h04 (horário de Brasília) do local de lançamento da Rocket Lab na Nova Zelândia. O foguete, com 18 metros de altura, seguiu seu curso levando o satélite de radar da iQPS, apelidado de SUSANOO-II, para a órbita terrestre. Este lançamento marca a nona parceria entre a Rocket Lab e a iQPS.

Detalhes técnicos da missão “The lightning god defends”

A operação foi batizada como “The Lightning God Defends”, em referência ao satélite SUSANOO-II, cujo nome é uma homenagem a um deus japonês do raio. Após a ignição, os nove motores Rutherford, impressos em 3D e que impulsionam o primeiro estágio do Electron, desligaram conforme o planejado cerca de 2,5 minutos depois do lançamento. A separação do segundo estágio ocorreu imediatamente, e este queimou por mais 6,5 minutos antes de liberar o “kick stage” do Electron, que transportou a carga útil da iQPS para uma fase de órbita de 40 minutos.

A tecnologia inovadora dos satélites SAR

Os satélites de radar de abertura sintética (SAR) representam um avanço crucial na observação da Terra. Diferentemente dos satélites ópticos que dependem da luz solar, os equipamentos SAR operam ativamente, emitindo pulsos de radar em direção à superfície terrestre e registrando os sinais de retorno. Essa capacidade permite que eles captem imagens detalhadas da Terra em qualquer condição, seja durante o dia ou à noite, e o mais importante, conseguem penetrar a cobertura de nuvens, oferecendo uma visão desobstruída em situações onde satélites convencionais seriam ineficazes.

Expansão da constelação iQPS para monitoramento global

A empresa japonesa iQPS está desenvolvendo uma constelação total de 36 satélites SAR em órbita baixa da Terra (LEO). Esta rede tem como objetivo fornecer imagens SAR de alta resolução e em tempo quase real para usuários em todo o mundo. A capacidade de operar continuamente, sem interferências climáticas, é fundamental para diversas aplicações. A Rocket Lab afirmou em um comunicado que a constelação da iQPS está sendo implantada em um ritmo acelerado para atender às demandas globais por dados de observação.

Benefícios e aplicações das imagens de radar

A habilidade dos satélites SAR de monitorar a Terra de forma contínua e detalhada oferece uma vasta gama de aplicações. Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Resposta a desastres naturais: Monitoramento de enchentes, terremotos, deslizamentos de terra e erupções vulcânicas, auxiliando no planejamento de resgates e avaliação de danos.
  • Vigilância ambiental: Acompanhamento do desmatamento, mudanças climáticas, monitoramento de calotas polares e geleiras, e detecção de derramamentos de óleo.
  • Agricultura de precisão: Otimização de colheitas, análise da saúde do solo e monitoramento da irrigação, permitindo decisões mais assertivas para os produtores.
  • Planejamento urbano e infraestrutura: Mapeamento de áreas urbanas, monitoramento de grandes construções e detecção de movimentos de solo em áreas de risco.
  • Segurança e defesa: Monitoramento de fronteiras, movimentos de embarcações e aeronaves, e inteligência estratégica.

Histórico de lançamentos da Rocket Lab em 2026

Este foi o 14º lançamento da Rocket Lab apenas em 2026, elevando o total de suas missões para 93 desde sua fundação. A grande maioria desses voos foi realizada com o veículo Electron, que se consolidou como uma opção robusta e eficiente para colocar pequenos satélites em órbita da Terra e em missões além. A companhia também opera uma variante suborbital do Electron, conhecida como HASTE, utilizada por clientes para testar sensores e outras tecnologias em ambientes de voo hipersônico. A frequência de seus lançamentos demonstra a crescente demanda por acesso ao espaço para satélites especializados.