Um método inovador para replicar a artéria carótida humana em miniatura foi desenvolvido por pesquisadores, oferecendo um potencial significativo para que médicos consigam antecipar e gerenciar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado no mês de julho na revista Cell Biomaterials.
Nesta pesquisa, os cientistas empregaram essas “artérias em um chip” para monitorar o fluxo sanguíneo em tempo real nas artérias carótidas. Estas artérias são cruciais por transportarem sangue para o cérebro, rosto e pescoço. O objetivo é permitir que os profissionais de saúde identifiquem tanto a forma quanto o tipo de coágulos que se desenvolvem em cada paciente, além de determinar quais medicamentos seriam mais eficazes no tratamento dos bloqueios.
Embora a abordagem ainda esteja em fase de prova de conceito, a expectativa é que um dia ela possibilite uma personalização mais precisa dos tratamentos médicos para cada indivíduo.
Nova tecnologia promete direcionar tratamentos para casos complexos
“Considero esta abordagem mais relevante para casos clínicos desafiadores”, afirmou Charles Zhao, doutorando da Universidade de Sydney e principal autor do estudo. Ele explicou que a tecnologia pode ser crucial, por exemplo, para pacientes que enfrentam eventos recorrentes de AVC mesmo sob tratamento, ou em situações onde os médicos dispõem de múltiplas opções terapêuticas, mas com informações funcionais limitadas para decidir a melhor estratégia.
O acidente vascular cerebral isquêmico se posiciona como uma das principais causas de mortalidade global, superado apenas por doenças cardíacas. Essa emergência médica geralmente é desencadeada por um coágulo sanguíneo que bloqueia uma artéria cerebral, privando as células de oxigênio vital. Fatores de risco importantes para esse tipo de AVC incluem obesidade, hipertensão e colesterol elevado, e cerca de um em cada cinco desses eventos é resultado da aterosclerose, um acúmulo de placas de gordura nas artérias.
Como as artérias em chips detectam a formação de coágulos
Charles Zhao esclareceu que “quando o revestimento interno de uma artéria sofre dano, o material subjacente às células, como o colágeno, fica exposto ao sangue”. Uma proteína presente no sangue, o fator de von Willebrand (VWF), se conecta às plaquetas que circulam. Em seguida, essas plaquetas se agrupam e recrutam mais para formar um coágulo.
Contudo, a simples formação de um coágulo representa apenas uma parte do problema; o risco real para o paciente é definido pela ação subsequente dessa massa. As “artérias em um chip” buscam fornecer dados sobre essa segunda fase, permitindo intervenções mais direcionadas.
