A televisão aberta brasileira se prepara para uma grande mudança, buscando aproximar a forma tradicional de assistir TV dos recursos encontrados nas plataformas digitais. A chegada da TV 3.0 tem como objetivo principal oferecer mais interatividade, personalizar o conteúdo e abrir novas avenidas para o mercado publicitário a partir de 20 de agosto de 2026.
Durante a SET Expo 2026, Luana Bravo, diretora executiva da SET, detalhou que a proposta central dessa nova geração tecnológica é fundir o que há de melhor nos ambientes da internet e da televisão convencional.
“A TV 3.0 representa a próxima evolução da televisão, com o objetivo de integrar o melhor dos universos online e televisivo”, disse ela.
Segundo a diretora, a nova tecnologia vai possibilitar funcionalidades como a escolha de diferentes opções de áudio, a interação com aplicativos e até a compra de produtos que aparecem em programas de televisão.
Acesso à TV 3.0 exigirá conexão com a internet?
Apesar da integração com recursos digitais, a TV 3.0 poderá ser assistida mesmo sem uma conexão de internet ativa, mantendo a gratuidade e a acessibilidade.
Nesse cenário, porém, algumas funções interativas não estarão disponíveis. A transmissão do sinal, assim como os recursos de áudio e vídeo de alta qualidade, continuarão funcionando normalmente.
“A TV 3.0 permanece como um serviço gratuito e aberto a todos, com a possibilidade de ser desfrutada também sem a necessidade de internet”, esclareceu Bravo.
Bravo enfatizou a relevância dessa característica em um país onde a disponibilidade e a qualidade da internet variam consideravelmente entre as diferentes regiões, garantindo que a tecnologia não exclua parte da população.
Como a nova geração da TV 3.0 pode atrair espectadores mais jovens para a televisão aberta
Um dos propósitos da TV 3.0 é ajustar a experiência televisiva aos padrões contemporâneos de consumo de conteúdo do público, especialmente os mais jovens.
Bravo sublinhou a necessidade de manter a simplicidade para usuários tradicionais, que apenas ligam a TV para ver a programação, ao mesmo tempo em que oferece uma interface que remete às plataformas digitais familiares às novas gerações.
Por meio desse formato, os canais de TV aberta terão a chance de apresentar seus conteúdos por meio de aplicativos dedicados, replicando a forma de interação vista hoje nas smart TVs.
“A TV 3.0 possui o potencial de contemplar tanto o que o público tradicional já conhece quanto, principalmente, o que as novas gerações valorizam”, afirmou a diretora.
A personalização da publicidade como grande inovação da TV 3.0
No segmento publicitário, a capacidade de personalização se destaca como uma das maiores inovações que a TV 3.0 promete trazer, revolucionando a forma como as marcas se conectam com o público.
Hoje, um único anúncio na TV aberta alcança uma vasta audiência com perfis variados. Com a nova tecnologia, espera-se viabilizar a criação de campanhas publicitárias com maior direcionamento e segmentação.
Um fabricante de automóveis, por exemplo, poderia especificar características do público-alvo, como idade e preferências. Essa abordagem também impediria a exibição de anúncios para telespectadores que não se encaixam no perfil desejado pela campanha.
De acordo com Luana Bravo, essa inovação deve transformar tanto a forma de vender espaços publicitários quanto a experiência de consumo dos anúncios.
Novas possibilidades: TV 3.0 poderá incluir oferta de serviços públicos
As funcionalidades da TV 3.0 não se limitarão apenas ao entretenimento e à publicidade comercial, expandindo-se para o atendimento à cidadania.
Bravo mencionou que os recursos interativos da tecnologia também poderão ser utilizados por serviços públicos. Exemplos incluem a consulta de cadastros ou o agendamento de consultas diretamente pela televisão.
A concretização dessas funções, contudo, estará condicionada às escolhas estratégicas feitas por cada canal de televisão, que decidirá quais serviços oferecer.
Adoção da TV 3.0: processo gradual de implementação e adaptação
A introdução dessa nova tecnologia também implicará uma fase de transição. Os telespectadores que desejam acessar a TV 3.0 precisarão de equipamentos compatíveis ou de conversores específicos.
Mesmo com a necessidade desse processo de adaptação, Bravo expressou confiança de que a tecnologia será amplamente adotada à medida que os hábitos de consumo do público evoluem, impulsionando a modernização do setor.
“As gerações e os padrões de consumo estão em constante evolução, e é nosso dever nos aprimorar para acompanhar essa transformação”, finalizou.
Essa transformação acompanha o crescimento do mercado audiovisual, tema debatido na SET Expo. Luana Bravo observou que o evento ampliou seu foco para além da televisão convencional, abrangendo agora discussões sobre rádio, streaming, produção de conteúdo e outras esferas do setor audiovisual.
