Padre da Serra Gaúcha explica uso de sal e água benta em exorcismos e desmistifica rito

padre Daniel D'Agnoluzzo Zattipadre Daniel D'Agnoluzzo Zatti

padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti - Reprodução/ RBS TV

O padre Daniel D’Agnoluzzo Zatti, primeiro a assumir o Ministério do Exorcismo na Serra Gaúcha pela Diocese de Caxias do Sul em julho, detalhou os elementos litúrgicos que podem ser utilizados durante o ritual, conforme revelado em 24 de agosto de 2026. Ele mencionou a água benta, o sal bento, a cruz, a estola roxa e a túnica branca como itens de apoio.

Conforme explicou o religioso, esses objetos são incorporados à oração de exorcismo por serem componentes tradicionais da liturgia da Igreja Católica. Além disso, o sacerdote segue um ritual oficial específico, que compreende as orações estabelecidas para essa cerimônia.

“Existem alguns elementos litúrgicos que acompanham esse ritual, assim como na missa também temos vários, como água benta, sal bento e a cruz”, afirmou Daniel D’Agnoluzzo Zatti.

Na celebração do exorcismo, o padre pode usar uma faixa de cor roxa sobre uma túnica branca. Segundo Daniel, essa vestimenta é similar àquela empregada por sacerdotes em outras ocasiões da liturgia católica.

O sacerdote também esclareceu que o ambiente escolhido para a oração pode ser adornado com outros itens religiosos. Entre esses elementos, ele citou a presença de relíquias de santos e representações de Jesus Cristo e Maria.

O padre Daniel D’Agnoluzzo Zatti comentou que “pode-se ter no ambiente alguma relíquia de algum santo, pode ser um ambiente numa capela onde já existem imagens de Jesus Cristo, de Maria”.

O uso desses elementos litúrgicos não implica que todos os indivíduos que buscam o Ministério do Exorcismo serão necessariamente submetidos ao ritual. A prática é bastante incomum e só é considerada após uma rigorosa avaliação, que envolve a participação de profissionais da saúde mental e da área médica.

A maioria das pessoas que procuram o serviço recebe acompanhamento ou é encaminhada para outros tratamentos após a análise inicial da equipe. Caso o rito seja efetivamente realizado, membros da família podem estar presentes, e o consentimento explícito da pessoa é uma condição obrigatória para a oração.

De acordo com o padre Daniel, a celebração do rito principal tem uma duração estimada de 30 a 40 minutos. O processo abrange a leitura do Evangelho, a renovação das promessas batismais, preces específicas e uma oração direcionada a Deus com o objetivo de libertar a pessoa de influências malignas.

O sacerdote ressaltou que a prioridade do atendimento está sempre na pessoa, e não na investigação de uma potencial manifestação sobrenatural. A Diocese de Caxias do Sul instituiu o Ministério do Exorcismo justamente em resposta ao crescente número de solicitações por esse tipo de acolhimento.

“Não se assemelha ao que é mostrado nos filmes. O ritual somente ocorre após um processo detalhado de discernimento, que envolve profissionais da saúde mental e da área médica. Contamos com uma equipe que analisa cada situação e acompanha desde o início”, declarou o padre Daniel.

Grande parte dos casos é concluída já na fase de investigação. O padre informou que somente cerca de 5% a 10% das pessoas que buscam o ministério chegam à etapa final que implica na realização do exorcismo.

A Igreja Católica estabelece critérios para a realização de um exorcismo

O padre Daniel D’Agnoluzzo Zatti segue o rito oficial de exorcismo, documento emitido pelo Vaticano em 1998, que representou uma atualização de um protocolo anterior, datado de 1614. Esse texto define os critérios que, conforme a Igreja Católica, podem sinalizar uma potencial ação de um espírito maligno, incluindo:

  • Falar em línguas desconhecidas pela pessoa;
  • Revelar dados que, teoricamente, seriam inacessíveis ao indivíduo;
  • Exibir uma força física que não corresponde à sua condição natural;
  • Manifestar repulsa a objetos e símbolos sagrados.

O padre Daniel salientou que não há uma fórmula exata capaz de determinar com certeza se um caso possui ou não natureza sobrenatural.

“O discernimento não é um processo simples, não existe uma fórmula matemática que nos forneça uma resposta objetiva. Ele também se baseia em uma análise global da vida da pessoa”, disse Daniel D’Agnoluzzo Zatti.