A temperatura média diária da superfície dos oceanos globais alcançou o nível mais alto já registrado na história. O marco de 21,1°C foi atingido em 22 de agosto de 2026, superando todas as medições anteriores, conforme dados divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Este aquecimento sem precedentes é uma consequência direta da crise climática e da intensificação do fenômeno El Niño.
Fatores por trás do aquecimento sem precedentes
Os oceanos do mundo estão aquecendo a uma velocidade alarmante. Este aumento é intensificado pelo El Niño, um fenômeno natural que consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico tropical, alterando padrões climáticos globais. Este ano, o El Niño atingiu níveis que muitos especialistas consideram inéditos.
Historicamente, as temperaturas globais dos oceanos costumam atingir seu pico entre março e abril, após o verão do Hemisfério Sul. No entanto, em 2026, o pico ocorreu em agosto, um desvio significativo do padrão habitual. O valor de 21,1°C ultrapassa o recorde anterior para este mês, que era de 20,98°C em 2023, e o recorde geral de 21,09°C registrado em março de 2014.
Consequências do aquecimento dos mares para o planeta
O aumento da temperatura oceânica traz consequências de longo alcance para os ecossistemas e as comunidades humanas. Samantha Burgess, Gerente de Estratégia Climática do ECMWF, afirmou que este recorde “é mais um sinal claro de que o oceano está sob pressão crescente”. Ela explicou que, embora o El Niño adicione calor ao sistema, o aquecimento é resultado de décadas de atividade humana.
“As consequências já são visíveis: o número de dias com ondas de calor marinhas em todo o mundo mais que triplicou desde o início da década de 1990”, disse Burgess. Isso exerce uma pressão cada vez maior sobre os ecossistemas marinhos, como recifes de coral e pradarias marinhas, perturbando cadeias alimentares e indústrias essenciais como a pesca e a aquicultura.
A meteorologista Isabel Moreno destacou que, desde o final de junho, os valores registrados “nunca antes foram vistos para esta época do ano”. Ela ressaltou que, considerando o banco de dados do Copernicus desde 1979, “certamente nenhum ser humano vivo hoje (ou seus ancestrais) jamais testemunhou algo assim”, evidenciando a gravidade do cenário atual.
Elevado nível do mar e eventos climáticos extremos
Um oceano mais quente contribui diretamente para a elevação do nível do mar, principalmente devido à expansão térmica da água. Isso aumenta consideravelmente os riscos para as comunidades costeiras e as nações insulares de baixa altitude, que enfrentam ameaças crescentes de inundações e erosão.
Além disso, a maior temperatura oceânica eleva o potencial para eventos climáticos extremos. Um oceano mais quente libera mais calor e umidade para a atmosfera, o que pode intensificar chuvas torrenciais e sistemas de tempestades. Outro ponto crítico é a capacidade reduzida dos oceanos de absorver dióxido de carbono da atmosfera, enfraquecendo uma das barreiras naturais mais importantes do planeta contra o avanço das mudanças climáticas.
Registros de temperatura no Mar Mediterrâneo
O Mar Mediterrâneo também atingiu seu próprio recorde histórico no verão de 2026, com uma medição de 33,02°C na boia próxima à Ilha Dragonera, em Maiorca, na Espanha. Este é o recorde nacional absoluto de temperatura da água do mar no país desde o início dos registros.
A bacia do Mediterrâneo é amplamente reconhecida por muitos cientistas como um dos “pontos críticos” climáticos do planeta. Isso significa que é uma região onde os efeitos das mudanças climáticas são particularmente intensos e visíveis. Um mar mais quente nesta área leva a uma maior evaporação, criando uma atmosfera mais úmida e, consequentemente, aumentando a probabilidade de chuvas torrenciais.
