A Ucrânia anunciou, em 28 de julho, ataques de drones que atingiram uma refinaria em Yaroslavl e, de forma mais significativa, um bombardeiro nuclear russo na região de Saratov, no sul do país. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a ação, destacando que a ofensiva na cidade de Engels atingiu uma aeronave lançadora de mísseis Tu-95MS, equipamento utilizado em ataques contra a Ucrânia.
As operações foram coordenadas por combatentes da unidade Alpha do Serviço de Segurança da Ucrânia. Este novo incidente sublinha a capacidade ucraniana de atingir alvos estratégicos em território russo, mesmo a grandes distâncias da linha de frente do conflito.
O bombardeiro estratégico com capacidade nuclear e seu histórico operacional
O Tupolev Tu-95 é um bombardeiro estratégico que possui capacidade nuclear, um dos pilares da força aérea russa desde os tempos da União Soviética. Sua primeira aparição em voo ocorreu em 1952, e a aeronave entrou oficialmente em serviço militar no ano de 1956. No entanto, sua estreia em combate só aconteceu mais de meio século depois, em 2015, durante a Guerra Civil na Síria.
Na ocasião, a aeronave foi empregada em apoio ao regime de Vladimir Putin, que respaldava o ditador Bashar al-Assad. A projeção é que o Tu-95 continue a ser uma peça fundamental nas forças russas, com sua utilização prevista até, pelo menos, 2040. No atual conflito contra a Ucrânia, o bombardeiro tem sido empregado principalmente para lançar mísseis de cruzeiro.
Ataques anteriores da Ucrânia contra os bombardeiros Tu-95
O ataque anunciado em 28 de julho não representa o primeiro sucesso ucraniano contra os bombardeiros Tu-95. A Ucrânia já conseguiu atingir outros modelos dessas aeronaves em ocasiões anteriores, demonstrando uma estratégia persistente contra a frota russa.
- Junho de 2025: A Operação Teia de Aranha foi responsável pela destruição de pelo menos oito bombardeiros Tu-95MS e Tu-95MSM. Os ataques ocorreram nas bases aéreas de Belaya e Olenya, marcando uma significativa perda para a aviação russa.
- 17 de julho de 2024: Um ataque com drones ucranianos direcionado à base aérea de Engels resultou na destruição de outro Tu-95. Este incidente ocorreu na mesma base que foi alvo do anúncio mais recente de Zelensky.
Estratégia russa e o impacto na rota dos bombardeiros
Após a ofensiva ucraniana de 2025, a Rússia realocou a maior parte de sua frota de bombardeiros Tu-95 para Ukrainka, no extremo oriente do país. A medida teve como objetivo principal proteger as aeronaves de novos ataques de Kiev, posicionando-as em uma área mais distante da fronteira.
Entretanto, essa estratégia gerou um novo desafio logístico para as forças russas. Para que os aviões sejam equipados com mísseis de cruzeiro Kh-101 e possam realizar suas missões, é necessário que eles retornem à base de Engels, que está mais próxima da Ucrânia. Segundo o site especializado Militarnyi, essa necessidade elevou a distância percorrida por esses bombardeiros para mais de 12 mil quilômetros em suas operações, considerando a viagem de ida e volta, impactando a eficiência e o custo das missões.
Detalhes técnicos e modernizações do Tu-95MS
O Tu-95MS representa uma versão modernizada da aeronave antissubmarino Tu-142MK, desenvolvida em 1979. Essa adaptação foi crucial para permitir que o bombardeiro transportasse mísseis de cruzeiro como o Kh-55/Kh-555 e o Kh-101/Kh-102, ampliando seu poder de fogo estratégico.
- A instalação de novos motores para otimizar o desempenho.
- Um sistema de defesa a bordo Meteor-NM2 aprimorado.
- Novos sistemas de navegação e astronavegação, aumentando a precisão.
- Um sistema avançado de exibição de informações para a tripulação.
- A capacidade de transportar até oito mísseis em pilones externos, um aumento significativo em sua carga útil.
Essas atualizações visam manter o Tu-95MS relevante no cenário de combate moderno, apesar de seu design original ter décadas de existência.
