Adolescentes sofrem abuso sexual online: um em cada cinco é vítima, aponta Unicef

Unicef- Mirza Kadic/ shutterstock.com

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que cerca de 20 milhões de crianças em 21 países enfrentaram exploração ou abuso sexual online em apenas um ano. A maioria desses incidentes ocorreu em plataformas de redes sociais, conforme detalhado em um relatório recente divulgado pela organização em 23 de maio de 2024.

Entre os adolescentes com idades entre 12 e 17 anos que participaram das pesquisas, mais de um em cada cinco relatou ter sido alvo de alguma forma de abuso ou exploração sexual na internet. O estudo ainda destaca uma preocupação emergente: a utilização de inteligência artificial para produzir imagens e vídeos de natureza sexual envolvendo menores.

Plataformas digitais estão no epicentro do problema

Quase 60% dos casos registrados aconteceram em ambientes de redes sociais, com destaque para Facebook, WhatsApp, Instagram, Snapchat e TikTok. Já os jogos online foram responsáveis por outros 14% das ocorrências mencionadas.

A pesquisa reuniu dados coletados entre os anos de 2020 e 2025, envolvendo aproximadamente 21 mil crianças que utilizam a internet em 21 nações, incluindo Brasil, Quênia, Paquistão e Sérvia.

Os números fornecem uma dimensão das diversas situações vivenciadas pelos menores:

  • Aproximadamente 15 milhões foram expostos a conteúdo sexual indesejado.
  • Cerca de 9 milhões sofreram pressão para engajar em conversas sexuais ou compartilhar imagens.
  • Por volta de 4 milhões tiveram suas imagens sexuais divulgadas sem permissão.
  • Em mais da metade dos casos, a criança já conhecia o agressor.
  • Menos de 1% das ocorrências foi encaminhado à polícia, a assistentes sociais ou a serviços de apoio.
  • Em 38% dos casos, o contato inicial entre a criança e o agressor se deu pela internet.

Para o Unicef, o número global de vítimas deve alcançar muitas dezenas de milhões.

Inteligência artificial surge como nova modalidade de abuso

A inteligência artificial adiciona uma nova e preocupante dimensão ao cenário do abuso infantil. Em nove países onde houve coleta de dados específicos sobre esse tipo de incidente, aproximadamente 1,1 milhão de crianças afirmaram que imagens ou vídeos sexuais gerados por IA foram criados com o objetivo de retratá-las.

As consequências psicológicas são profundas e evidentes nos relatos. Crianças que foram submetidas à exploração sexual facilitada por tecnologia apresentaram uma probabilidade quatro vezes maior de relatar pensamentos suicidas ou de automutilação. A incidência de ansiedade também se mostrou significativamente mais elevada nesse grupo.

Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, disse em nota: “Essas experiências causam profundo sofrimento emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber a quem recorrer para obter ajuda.”

Empresas de tecnologia reforçam medidas de proteção

A Meta informou que parte dos dados usados na pesquisa do Unicef é de 2020, anterior à implementação de medidas como a configuração padrão de contas privadas para adolescentes e a restrição para que adultos não conectados enviem mensagens a menores.

Um porta-voz da empresa afirmou: “Continuaremos combatendo agressivamente a exploração infantil em nossos aplicativos e apoiando as autoridades policiais na responsabilização dos criminosos.”

Snapchat e TikTok também mencionaram recursos voltados para a segurança de crianças e adolescentes, incluindo a detecção de comportamentos suspeitos, ferramentas de denúncia, imposição de restrições para usuários mais jovens e a padronização de contas privadas para indivíduos com menos de 18 anos.

O Unicef apela para que governos e empresas fortaleçam as proteções nas plataformas digitais, atualizem as legislações para abranger novas formas de abuso, como os conteúdos gerados por IA, e aprimorem os mecanismos de denúncia e suporte às vítimas.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing