Fase marcante de Avenida Brasil com Nina e Carminha na reprise não impulsiona Ibope

5 min de leitura
Avenida Brasil - reprodução TV Globo Foto: Avenida Brasil - reprodução TV Globo

A aguardada reprise de “Avenida Brasil” alcançou um de seus pontos mais dramáticos, com a virada de Nina (Débora Falabella) sobre Carminha (Adriana Esteves), mas a reação da audiência da TV Globo não correspondeu às expectativas. Apesar da intensidade das cenas e da aclamada atuação dos protagonistas, os números registrados apontam para um desempenho abaixo do esperado para um fenômeno da teledramaturgia brasileira.

Audiência se mantém estável mesmo com o confronto de Nina e Carminha

Na data de 31 de agosto de 2026, quando a trama mostrou Nina finalmente se impondo na mansão e humilhando Carminha, a audiência do “Vale a Pena Ver de Novo” marcou 15 pontos na Grande São Paulo. Esse resultado representa uma leve melhora em relação à média geral, mas não significou uma “explosão” ou um salto considerável que se esperava para um momento tão icônico.

Atualmente, “Avenida Brasil” acumula uma média geral de aproximadamente 14 pontos e 28% de participação. O recorde da reprise até agora foi de 16,2 pontos, atingido em 28 de abril de 2026. Em contraste, 28 de maio de 2026, uma sexta-feira marcada pela sequência decisiva do retorno de Nina, registrou apenas 13,1 pontos, o pior índice para uma sexta-feira em cerca de dois meses e meio.

Queda acentuada em comparação com a primeira reexibição

Os números atuais de “Avenida Brasil” acendem um alerta, especialmente quando comparados à sua primeira reprise, exibida entre outubro de 2019 e maio de 2020. Naquela ocasião, a novela superou os 20 pontos nos capítulos mais importantes. Nas seis primeiras semanas da primeira exibição, a média era de 17,2 pontos. Já no mesmo período da reprise atual, a média ficou em torno de 13,5 pontos, evidenciando uma diferença de 21%.

Embora a trama mantenha a liderança isolada na faixa de horário e esteja acima dos 13 pontos de média final de sua antecessora, “Rainha da Sucata”, a grande expectativa criada em torno de uma das novelas mais populares da história recente da televisão brasileira não foi correspondida. Esse desempenho é particularmente notável porque a reprise foi estrategicamente escolhida para preparar o público para uma continuação da história, prevista para estrear em 2027.

Principais motivos para a falta de engajamento do público

A qualidade da obra de João Emanuel Carneiro, as atuações de Adriana Esteves e Débora Falabella e o ritmo envolvente do texto permanecem inegáveis. No entanto, diversos fatores podem explicar a recepção aquém do esperado por parte do público. Especialistas e análises indicam uma combinação de elementos:

  • Curto intervalo entre as exibições: A primeira reprise foi finalizada em maio de 2020, e seis anos depois, a emissora decidiu reexibir a novela na mesma faixa. Para uma trama tão dependente de grandes revelações e reviravoltas, esse período pode ter sido insuficiente para gerar um sentimento de redescoberta.
  • Exposição constante e disponibilidade online: Muitas cenas icônicas da novela nunca saíram da memória popular e são frequentemente compartilhadas nas redes sociais, além de estarem integralmente disponíveis no Globoplay. Frases e momentos marcantes funcionam como memes, o que diminui a urgência de assistir a uma reprise diária.
  • Alteração nos hábitos de consumo: O público moderno tende a consumir conteúdo de forma mais fragmentada. Muitos podem assistir a uma cena específica pela internet ou em plataformas de streaming, sem se comprometer com a rotina diária da reprise na televisão aberta.
  • Edição e programação instável: A opção por uma exibição longa e com poucos cortes fez com que a trama demorasse a atingir seus picos de emoção. Além disso, as interrupções e mudanças de horário causadas por transmissões esportivas prejudicaram a criação de um hábito de acompanhamento contínuo, crucial para a faixa vespertina.

Alerta acende para a continuação de “Avenida Brasil” em 2027

O desempenho da reprise serve como um sinal claro para os planos da TV Globo de produzir uma continuação de “Avenida Brasil”. A reexibição tinha como objetivo reacender a marca e reacostumar o público com os personagens, gerando expectativa para a nova fase. Contudo, o fato de nem as cenas mais emblemáticas terem levado a audiência a um patamar excepcional indica um risco de a emissora confundir o carinho e o reconhecimento do público com um desejo real e massivo de acompanhar uma nova história.

Apesar do cenário, a continuação não está automaticamente comprometida. Uma produção inédita, com novos conflitos e o retorno de figuras queridas, em horário nobre, certamente terá uma capacidade de mobilização diferente. No entanto, o recado do “Vale a Pena Ver de Novo” é que a nostalgia e a força do universo do Divino, com Carminha e Nina, podem não ser suficientes. A nova história precisará de uma proposta realmente inovadora para se tornar um novo acontecimento.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas