O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo da sua série histórica, alcançando um patamar de 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. Este marco significativo reflete os esforços contínuos do Ministério da Educação (MEC) e das políticas voltadas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em todo o território nacional, confirmando o impacto positivo das iniciativas federais.
Central para essa conquista é o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), uma plataforma virtual que simplifica o processo para indivíduos que buscam retomar seus estudos e concluir a educação básica. A ferramenta, instituída pela Portaria nº 275/2026, atua como um elo entre os interessados e as oportunidades de matrícula disponíveis, facilitando o retorno à sala de aula para milhões de brasileiros.
CadEJA: a porta de entrada para a educação de jovens e adultos
A plataforma CadEJA representa um avanço na democratização do acesso à educação, especialmente para aqueles que não puderam completar seus estudos na idade adequada. Seu funcionamento é intuitivo: pessoas com 15 anos ou mais que almejam o Ensino Fundamental, ou com 18 anos ou mais para o Ensino Médio, podem manifestar seu interesse em retornar à escola.
Para isso, basta acessar o portal, clicar em “Quero voltar a estudar” e preencher os dados solicitados. Após o registro, um operador entra em contato com o usuário para oferecer a orientação necessária e indicar as vagas de matrícula mais adequadas às suas necessidades e localização. Este sistema busca remover barreiras e fornecer um acompanhamento personalizado, assegurando que o desejo de aprender se transforme em realidade.
Perfis de atuação e o funcionamento da plataforma
A organização do CadEJA é estruturada para otimizar a interação entre os diversos participantes e as redes de ensino, garantindo uma gestão eficiente das demandas educacionais. A plataforma opera com quatro perfis de acesso distintos, cada um com responsabilidades específicas para apoiar o processo de retorno aos estudos.
- Usuário: Cidadãos com 15 anos ou mais, interessados em retomar o Ensino Fundamental, ou com 18 anos ou mais, para o Ensino Médio. Eles se cadastram na plataforma e aguardam o suporte.
- Operador: Profissionais encarregados de monitorar os cadastros, entrar em contato com os usuários e direcioná-los para as oportunidades de matrícula. O acesso é feito via conta Gov.br.
- Agente de Cadastro: Servidores públicos que auxiliam pessoas com dificuldades de acesso à plataforma a registrar suas solicitações de vagas na EJA. É necessário um cadastro individual e a assinatura de um Termo de Responsabilidade.
- Gestor CadEJA: Servidor público indicado por governos estaduais, municipais, distritais ou instituições federais de ensino. Ele gerencia as demandas da EJA registradas, organizando e encaminhando os interessados às instituições que oferecem a modalidade.
Essa arquitetura colaborativa permite que a plataforma organize as necessidades por região e facilite a conexão entre quem busca educação e as instituições que a oferecem. A iniciativa é crucial para garantir que nenhuma demanda por educação básica permaneça sem resposta, promovendo a inclusão educacional em larga escala.
O Pacto EJA e o programa de formação docente ProfEJA
A redução do analfabetismo e a ampliação da oferta de EJA são pilares do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), uma política pública robusta do MEC. Este pacto visa não apenas superar o analfabetismo, mas também elevar a escolaridade da população, expandir o número de matrículas nos sistemas públicos de ensino — incluindo para estudantes em privação de liberdade — e integrar a EJA com a educação profissional.
Complementando o CadEJA, o MEC implementou o Programa Nacional de Formação para a Docência na Educação de Jovens e Adultos (ProfEJA). Este programa, conforme a Portaria nº 38/2026, foca na formação continuada de educadores que atuam na EJA e de educadores populares ligados ao Programa Brasil Alfabetizado (PBA) e outras ações de alfabetização. O ProfEJA é fundamental para qualificar os profissionais e, assim, fortalecer a política nacional de EJA, assegurando que a oferta educacional seja de alta qualidade e alinhada às demandas da população adulta.
Expansão e o impacto nacional da modalidade
Os dados de 2025, provenientes do Censo Escolar da Educação Básica, já demonstram a capilaridade da EJA pelo país, com escolas públicas e privadas registrando matrículas em todas as unidades da federação. Essa abrangência é essencial para que o programa alcance indivíduos em diferentes contextos e regiões, contribuindo para a redução das desigualdades educacionais. A modalidade EJA não apenas oferece uma segunda chance para a conclusão da educação básica, mas também abre portas para a qualificação profissional e a inserção no mercado de trabalho, impactando diretamente a vida de milhões de pessoas.
O compromisso do governo em fortalecer a EJA e combater o analfabetismo é uma estratégia de longo prazo que produz resultados tangíveis. A combinação de plataformas acessíveis como o CadEJA com programas de formação docente como o ProfEJA e a estrutura colaborativa do Pacto EJA garante que o Brasil continue avançando na construção de uma sociedade mais educada e equitativa. A educação de jovens e adultos permanece um pilar fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país.

