Fósseis achados na Espanha comprovam Diplodocus na Europa

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arquelogia - Kostyantyn Skuridin/Shutterstock.com

Pesquisadores da Fundación Dinópolis identificaram fósseis do gênero Diplodocus no município de El Castellar, na província de Teruel, na Espanha, marcando a primeira comprovação desse dinossauro fora da América do Norte. O material reúne 14 vértebras articuladas pertencentes a um exemplar de 25 metros de comprimento que viveu há 150 milhões de anos. O artigo com a análise anatômica saiu no periódico Journal of Vertebrate Paleontology.

As rochas guardavam o esqueleto.

Até a divulgação desta pesquisa, os registros do Diplodocus estavam restritos às formações geológicas dos Estados Unidos, onde expedições históricas recolheram dezenas de crânios e colunas espinhais. A ocorrência na Península Ibérica altera os mapas de distribuição desse animal de pescoço longo pelo planeta. Geólogos locais iniciaram o recolhimento das peças sedimentares em áreas rurais da província aragonesa antes de transportá-las aos laboratórios da instituição.

Os ossos retirados do solo espanhol pertencem à porção caudal e à região dorsal da criatura fóssil. Esse conjunto ósseo preservou feições diagnósticas exclusivas que permitiram aos cientistas afastar o parentesco com outros saurópodes comuns na Europa continental.

Escavação em El Castellar revela vértebras articuladas

Os trabalhos de campo concentrados em El Castellar exigiram anos de consolidação química do arenito que envolvia a estrutura sedimentar. A camada estudada data do período Jurássico Superior, época em que lagos rasos e florestas coníferas cobriam a bacia de Teruel. As 14 vértebras apresentavam processos espinhosos bifurcados idênticos aos encontrados em fósseis da Formação Morrison, unidade rochosa sedimentar que cruza estados do oeste norte-americano.

O espécime media cerca de 25 metros da ponta do focinho até a extremidade da cauda em chicote, com massa corporal calculada em dezenas de toneladas pelos pesquisadores que mediram os centros vertebrais recuperados nas jazidas de Teruel.

Técnicos da Fundación Dinópolis aplicaram resinas protetoras na pedreira antes de içar os blocos mais pesados com guindastes de esteira. A densidade do material sedimentar exigiu ferramentas pneumáticas para separar os ossos petrificados da matriz bruta. Técnicos de laboratório concluíram a limpeza mecânica das 14 peças após três anos de intervenção física ininterrupta.

Dados anatômicos do saurópode descoberto na Península Ibérica

A descrição minuciosa das vértebras permitiu catalogar índices biométricos inéditos para os saurópodes jurássicos fora da bacia sedimentar norte-americana:

  • Quantidade de vértebras recuperadas: 14 unidades da coluna vertebral.
  • Comprimento total estimado do animal: 25 metros da cabeça à cauda.
  • Idade geológica estimada dos sedimentos: 150 milhões de anos.
  • Localidade geográfica da jazida: El Castellar, província de Teruel.
  • Instituição responsável pela escavação: Fundación Dinópolis.

A equipe descartou a hipótese de os fragmentos pertencerem ao gênero camarasaurídeo ou a grupos basais de titanossauriformes. Os prolongamentos inferiores das vértebras caudais mostraram o clássico formato de duplo feixe, detalhe anatômico que deu origem ao nome latino da espécie descrita no século 19 nos Estados Unidos.

Hipótese aponta rota terrestre durante abertura do oceano Atlântico

O surgimento do Diplodocus na Europa sustenta a tese de que faixas contínuas de terra seca ligavam as massas continentais durante os primeiros estágios da fratura da Pangeia. Naquele intervalo de 150 milhões de anos atrás, o oceano Atlântico Norte começava a se abrir de maneira fragmentada, intercalando braços de mar raso com pontes continentais expostas. Esse relevo permitia que rebanhos de grandes quadrúpedes migrassem entre o bloco norte-americano e o antigo arquipélago ibérico sem necessidade de travessia oceânica profunda.

Mapeamentos paleogeográficos recentes indicavam que a separação continental já havia isolado as linhagens de vertebrados na transição para o período Cretáceo. O fóssil de El Castellar contraria essa barreira precoce.

A reconstituição ambiental aponta que corredores de vegetação costeira sustentaram animais que consumiam centenas de quilos de folhas secas diariamente para manter o metabolismo ativo. Sem essa conexão física regular, o desenvolvimento das mesmas estruturas ósseas em dois hemisférios distintos exigiria uma convergência morfológica improvável em animais de tão grande porte corporal. As conclusões do artigo científico estabelecem novas variáveis temporais para o fechamento definitivo das passagens terrestres entre a Europa e as pradarias da América do Norte.

Fósseis indicam trânsito de animais entre continentes no Jurássico

Paleontólogos de Teruel pretendem prospectar novas camadas sedimentares próximas à localidade de El Castellar em busca de dentes e de elementos dos membros locomotores. A Fundación Dinópolis mantém o material fóssil armazenado em reservas técnicas na Espanha para que pesquisadores internacionais possam verificar pessoalmente as medições das vértebras.