Move Brasil disponibiliza R$ 45 milhões em crédito para motoristas de MSBy Beatriz
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O programa Move Brasil atingiu a marca de R$ 45 milhões em financiamentos aprovados para 437 trabalhadores do transporte em Mato Grosso do Sul, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social em 18 de setembro de 2026. O tíquete médio estadual ficou em R$ 102 mil por contrato para aquisições subsidiadas pelo governo federal.
Do montante global liberado pelo programa, os motoristas vinculados a aplicativos receberam R$ 40,1 milhões, enquanto os profissionais do serviço de táxi acessaram R$ 4,9 milhões. As condutoras mulheres que atuam nas duas modalidades responderam por R$ 5,3 milhões desse volume financeiro.
Ampliação da linha de crédito para renovação de frotas urbanas
O Banco do Brasil respondeu pela maior fatia das operações ativas no território sul-mato-grossense ao registrar R$ 31,8 milhões contratados para atender mais de 300 proponentes.
A instituição financeira declarou que avalia os pedidos conforme a margem de endividamento e os ganhos apresentados nos relatórios gerados por empresas de intermediação de viagens e entregas, ao mesmo tempo em que aplica parâmetros próprios de pontuação de crédito bancário.
Procurados para detalhar as operações, a Caixa Econômica Federal, o Sicredi e o Sicoob não divulgaram o volume de condutores sul-mato-grossenses atendidos em suas agências.
A motorista de aplicativo Kátia Cardoso, de 47 anos, substituiu o automóvel a combustão por uma unidade puramente elétrica após dar entrada na papelada antes de 25 de agosto, adquirindo um BYD Mini com o pagamento de R$ 109.990 viabilizado dentro da faixa de subsídio federal.
Ela conseguiu cobrir o valor total do bem sem desembolso inicial sob juros de 0,90% ao mês. Os boletos cobrados entre novembro e fevereiro atingirão R$ 1.005. O encargo mensal subirá para R$ 2.207 a partir de março do próximo ano.
A mulher aguarda a entrega.
Uma ação conjunta entre o Banco do Brasil e a Uber garante à profissional um crédito devolutivo parcelado de R$ 7,5 mil por meio do aplicativo após o pagamento da décima segunda mensalidade, o que corresponde ao abatimento equivalente de 3,5 prestações do cronograma regular de amortização. A condutora ponderou que os custos operacionais com o antigo Kwid superavam R$ 4 mil mensais entre encargos financeiros, combustível, apólice de proteção veicular e revisões mecânicas.
“Eu gasto praticamente R$ 4 mil, com a parcela, gasolina e seguro. Só a parcela é R$ 1,7 mil, fora a manutenção. Se eu fosse comprar um BYD fora do programa, sairia uma parcela de R$ 3,9 mil. Fora do programa, o elétrico não cabia no meu bolso. Já ajudou muito, praticamente a metade do valor”, disse ela.
A substituição do motor tradicional por tração elétrica também barateia as recargas, estimadas em quatro abastecimentos semanais ao custo total de R$ 150.
“A cada R$ 35 que eu abastecer, vou rodar um dia e meio. Eu vou gastar R$ 3 mil junto com o seguro, a parcela e a gasolina”, afirmou a condutora.

A jornada da motorista começa na madrugada entre 4h30 e 5h durante cinco dias da semana. O faturamento bruto oscila de R$ 7 mil a R$ 8 mil mensais.
O presidente da Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul, Paulo Pinheiro, apontou que a transferência de titularidade representa queda substancial dos dispêndios habituais dos associados.
Pinheiro comparou a migração da locação particular para o financiamento direto com a economia obtida no consumo diário.
“Economia é de 70% para quem tem carro elétrico, porque praticamente não vai gastar combustível. Vai ter que só colocar carga, que nem celular. O aluguel vai economizar em torno de 40% de aluguel. Está adquirindo o bem, porque o aluguel é um dinheiro sem volta”, declarou o representante da categoria.
Critérios definitivos e regras do financiamento para motoristas
O Programa BNDES Move Motoristas deixou de ter vigência transitória e assumiu status definitivo na concessão de fomento financeiro para as frotas de táxi e transporte compartilhado. As novas regras aceitam propostas voltadas a veículos sem uso prévio nas configurações elétricas, híbridas ou flexíveis.
Os prestadores de serviço e entregadores parceiros podem submeter cadastro depois de cumprirem seis meses ininterruptos de atividade nas empresas operadoras. O teto financiado alcança R$ 200 mil em prazos de quitação que chegam a 84 meses, inclusive para modelos utilitários.
A comprovação técnica para os condutores de aplicativo exige o histórico mínimo de 100 trajetos concluídos na mesma plataforma durante o período semestral de atividade. Os taxistas necessitam comprovar alvarás municipais regulares e adimplência com os tributos perante a autoridade de trânsito.
As taxas anuais de juros aplicadas são de 11,5% para o público feminino e de 12,6% para o masculino, com os encargos bancários e de intermediação já integrados nas alíquotas contratuais.

