Bactéria presente no kimchi expulsa nanoplásticos do corpo

kimchi - Bowonpat Sakaew/Shutterstock.com

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Pesquisadores do Instituto Mundial do Kimchi, na Coreia do Sul, identificaram que uma bactéria presente no prato tradicional coreano consegue capturar nanoplásticos no trato digestivo e acelerar a saída desses materiais do corpo. O microrganismo identificado nos experimentos laboratoriais foi a linhagem Leuconostoc mesenteroides CBA3656.

A pesquisa com os dados detalhados saiu na revista científica Bioresource Technology.

Bactéria do alimento tradicional se fixa aos resíduos plásticos

Durante as análises conduzidas em ambiente laboratorial que reproduzia com precisão as condições internas do aparelho digestivo, os pesquisadores constataram que a bactéria Leuconostoc mesenteroides CBA3656 conseguiu se fixar de forma direta nas partículas de poliestireno dispersas, impedindo que os fragmentos avançassem livremente pelos tecidos celulares. O teste comprovou a fixação. Os fragmentos analisados mediam menos de 1 micrômetro de diâmetro e permaneceram retidos na estrutura externa da bactéria.

O processo manteve a estabilidade mecânica mesmo diante da acidez estomacal simulada pelos cientistas sul-coreanos. Essa retenção impediu que as moléculas sintéticas ficassem soltas na mucosa estomacal.

kimchi – Nishihama/Shutterstock.com

Testes laboratoriais medem a expulsão fecal em cobaias

Nos ensaios com animais vivos, os camundongos que consumiram o probiótico eliminaram mais que o dobro de partículas plásticas pelas fezes em comparação com o grupo de controle que não recebeu a cultura bacteriana.

O poliestireno ingerido pelas cobaias seguiu diretamente para a excreção sem se espalhar pelo trato digestório. Esse transporte intestinal ocorreu porque a carga microbiana recolheu o material sintético ao longo do trânsito digestivo. Os roedores do experimento não registraram perdas nutricionais durante o período em que expeliram os fragmentos.

Riscos das micropartículas para o organismo

Fragmentos plásticos menores que 1 micrômetro surgem a partir do desgaste contínuo de materiais descartados no meio ambiente e entram na dieta humana pela água e por diferentes alimentos. A comunidade científica investiga o impacto dessas substâncias devido à capacidade física que elas têm de romper paredes celulares e alcançar órgãos vitais.

  • Tamanho das partículas monitoradas: inferior a 1 micrômetro
  • Composto plástico utilizado na análise: poliestireno
  • Origem do probiótico isolado: kimchi tradicional da Coreia do Sul

Cientistas responsáveis pela condução do experimento

A investigação científica teve a coordenação dos especialistas Se Hee Lee e Tae Woong Whon, que concentraram a apuração no isolamento de bactérias produtoras de ácido lático. O grupo focou especificamente nas linhagens desenvolvidas durante a fermentação vegetal típica da culinária asiática. Os pesquisadores pretendem mapear se outras linhagens lácteas exibem a mesma capacidade de carregar resíduos industriais.

Os testes continuam restritos à equipe liderada por Se Hee Lee no laboratório do Instituto Mundial do Kimchi.