Um documento judicial apresentado ao tribunal federal de Nova York revelou, em 17 de setembro de 2026, declarações de Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, sobre as práticas de treinamento da OpenAI. O executivo classificou a captura de artigos jornalísticos para alimentar modelos de inteligência artificial como “um roubo impressionante de proporções sem precedentes”.
Hecht também afirmou que a ação representaria “o maior roubo de trabalho da história da humanidade”.
Declaração de executivo diverge da posição corporativa
Um porta-voz da Microsoft informou em comunicado que as falas de Hecht refletem apenas a opinião pessoal de um funcionário. A empresa de tecnologia realizou seu primeiro aporte financeiro na OpenAI em 2019. O investimento inicial abriu caminho para a integração das ferramentas desenvolvidas pela startup aos produtos comerciais da corporação.
A startup de inteligência artificial utilizou mais de 10 milhões de reportagens para alimentar seus sistemas tecnológicos, sendo que cerca de um terço de todo esse volume textual teve origem direta nos arquivos do New York Times ao longo dos últimos anos. O New York Times acionou judicialmente a Microsoft e a OpenAI há três anos na corte federal norte-americana por violação de propriedade intelectual.
Veículos de imprensa ampliam processo contra uso de dados
Outras empresas de comunicação ingressaram na mesma disputa jurídica perante a Justiça dos Estados Unidos:
- Ziff Davis, proprietária do CNET e de publicações especializadas em tecnologia
- Empresa controladora da revista Mother Jones
- The Intercept, organização voltada para o jornalismo investigativo
- Jornais locais sediados em diferentes regiões norte-americanas
Os autores da ação cobram indenizações financeiras por cada texto utilizado sem licença nos servidores da OpenAI. O valor monetário total exigido segue pendente de arbitramento judicial.
Acordos e impacto no tráfego dos portais de notícias
Desde a estreia pública do ChatGPT no fim de 2022, a OpenAI firmou parcerias formais de conteúdo com diversos veículos globais. O setor editorial mantém preocupações com a perda de visitas após a introdução de respostas diretas nas plataformas de busca. Um engenheiro da própria OpenAI registrou nos autos a ineficácia de direcionar tráfego aos criadores: “Por mais destaque que demos aos links, os usuários não vão clicar neles”.
Tese de uso legítimo e apoio do governo americano
A OpenAI e a Microsoft sustentam que o treinamento com dados públicos está amparado pela doutrina do fair use, dispositivo da legislação de direitos autorais dos Estados Unidos que permite a utilização de obras para fins transformativos. A OpenAI contesta as acusações.
No início de setembro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos emitiu parecer em favor das companhias processadas, sob a justificativa de proteger a segurança nacional e o desenvolvimento científico.
Julgamento sumário e previsão de prazos judiciais
Os litigantes solicitaram ao magistrado a emissão de uma sentença sumária para dispensar a realização do júri popular. O juiz federal Sidney Stein avalia o pedido, com perspectiva de decisão somente a partir de 2027.

