Bilionários dos EUA cedem 4% do patrimônio para causas sociais

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Forbes - Foto: mindea/Shutterstock.com

O patrimônio acumulado pelas 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos registrou uma expansão de 21% nos últimos 12 meses encerrados em 4 de setembro de 2026, somando acréscimo de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,14 trilhões). Esse avanço expressivo nas fortunas individuais, no entanto, ocorreu sem que houvesse uma ampliação proporcional no volume de repasses financeiros voltados a projetos filantrópicos no país.

O levantamento histórico sobre a conduta financeira dos integrantes do ranking apontou que o ritmo das benfeitorias não acompanhou a multiplicação dos bens acumulados. Juntos, os 400 detentores dessas fortunas destinaram US$ 366 bilhões (R$ 1,87 trilhão) ao longo da vida para ações assistenciais, o que representa um acréscimo nominal de US$ 47 bilhões (R$ 239,7 bilhões) em relação ao ciclo anterior. Em proporção direta da riqueza mantida, os valores transferidos alcançaram 4,4% do patrimônio conjunto, patamar inferior aos 4,6% apurados em 2025 e aos 5% observados em 2024.

Uma escala avaliativa de 1 a 5 mede as transferências históricas somando os repasses totais ao patrimônio de 2026 e dividindo o montante doado por essa soma combinada, na qual o nível 1 indica destinações inferiores a 1% da fortuna e o nível 5 abrange quem repassou 20% ou mais.

Quase 80% dos integrantes do grupo receberam classificação 1 ou 2 por cederem menos de 5% de seus patrimônios, índice que atinge a maior marca registrada desde 2020. Mais de 40% transferiram menos de 1%, enquanto cerca de 45 magnatas repassaram zero dólar ou valores muito próximos do nulo.

O método de cálculo considera exclusivamente o montante em dinheiro que já chegou aos beneficiários finais das ações. Recursos mantidos em caixas de fundações privadas e compromissos formais de repasses futuros não entram no cômputo oficial de caridade executada. O Internal Revenue Service (IRS), órgão da administração tributária norte-americana, impõe que essas entidades distribuam anualmente apenas uma fração reduzida dos recursos que administram.

 

Registros arquivados por fundações com transparência pública embasaram os números, ainda que esses relatórios governamentais costumem sair com defasagem de até dois anos.

Bandeira EUA, dólar – J.J. Gouin/shutterstock.com

O gestor financeiro George Soros lidera as doações em proporção ao seu patrimônio líquido de US$ 8,6 bilhões (R$ 43,86 bilhões), ao contabilizar US$ 24,2 bilhões (R$ 123,42 bilhões) transferidos para instituições nos Estados Unidos e no exterior, cifra que representa 74% de suas posses e sustenta as atividades da Open Society Foundations em direitos civis e governança democrática. Ele manteve a posição mais generosa do grupo.

Warren Buffett surge como o maior doador em termos financeiros absolutos ao destinar US$ 72,6 bilhões (R$ 370,26 bilhões) para quatro fundações de sua família e para a Gates Foundation, valor que corresponde a 33,5% de sua fortuna atual avaliada em US$ 144 bilhões (R$ 734,4 bilhões), em cumprimento à meta pública de ceder mais de 99% de suas posses. O presidente da Berkshire Hathaway formalizou esses repasses até 2026. Apenas 13 bilionários obtiveram nota 5.

Esse contingente que repassou mais de um quinto da fortuna reúne 3% dos integrantes da lista, expansão impulsionada pela entrada do investidor Mitchell Rales e do ex-prefeito Michael Bloomberg na faixa superior de contribuições.

Classificação dos bilionários por fatia doada da fortuna

Informações consolidadas em 4 de setembro de 2026 dividem os bilionários entre as notas apuradas.

  • Nota 1 (menos de 1% repassado): Donald Trump, Larry Page, Ralph Lauren e mais 174 nomes.
  • Nota 2 (entre 1% e 4,99% repassados): Jeff Bezos, Jim Walton, Lynsi Snyder e outros 135 integrantes.
  • Nota 3 (entre 5% e 9,99% repassados): Les Wexner, Robert Kraft, Steven Spielberg e 35 participantes.
  • Nota 4 (entre 10% e 19,99% repassados): George Kaiser, George Lucas, Phil Knight e outros 14 membros.
  • Nota 5 (20% ou mais repassados): Amos Hostetter Jr., Bill Gates, Dustin Moskovitz, Edythe Broad, George Soros, Lynn Schusterman, MacKenzie Scott, Marilyn Simons, Melinda French Gates, Michael Bloomberg, Mitchell Rales, Reed Hastings e Warren Buffett.

A auditoria atribuiu o índice de dados indisponíveis para outros 17 integrantes que não apresentaram relatórios públicos acessíveis.