Reforços, gestão e poder: A dimensão da influência da família Neymar no Santos

Neymar pai e Marcelo Teixeira

Neymar pai e Marcelo Teixeira - Raul Baretta/Santos

Em 21 de setembro de 2026, a atuação da família de Neymar abrange a negociação de reforços, a ocupação comercial da camisa oficial, intervenções físicas no estádio e decisões administrativas no Santos.

Philippe Coutinho viajou para a Baixada Santista a bordo da aeronave pertencente à NR Sports, companhia administrada pelos familiares de Neymar. A diretoria santista atendeu ao pedido do camisa 10 e contratou o jogador que estava sem entrar em campo há quase oito meses. O volante Arthur assinou contrato com a agremiação dias antes, após tratativas conduzidas diretamente pela mesma empresa de agenciamento.

A contratação de Arthur ocorreu após a NR Sports quitar a punição de transfer ban imposta ao Santos pela Fifa, operação financeira acordada com o presidente santista que garantiu à empresa o direito de explorar comercialmente espaços estratégicos do uniforme oficial da equipe.

O uniforme santista estampa uma figura alusiva a Pelé localizada entre o distintivo alvinegro e o emblema da fornecedora Umbro. A NR Sports comprou a marca do ex-jogador e colocou o próprio logotipo na barra frontal da camisa. O Instituto Projeto Neymar Jr preenche a área superior nas costas do fardamento.

Esses acordos comerciais e esportivos mostram como o círculo de Neymar consolidou influência na Baixada Santista. As ações dos familiares avançam sobre a gestão independentemente da renovação contratual do atleta para o próximo período.

A principal base dessa relação financeira repousa em uma dívida ativa mantida pelo Santos com a NR Sports. O pai do atleta aceitou o parcelamento de R$ 90 milhões referentes ao uso de imagem nos seis primeiros meses do contrato inicial. O compromisso estipula repasses mensais de cerca de R$ 1 milhão até meados de 2033.

O Santos pagou R$ 11 milhões para amortizar essa conta no meio deste ano. O clube financiou a maior parte desse valor com a transferência de Luca Meirelles para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

Esse passivo financeiro concede privilégios ao jogador dentro da rotina santista, como o trânsito livre de funcionários particulares no centro de treinamento e a autorização para se apresentar em Belém apenas no dia do duelo contra o Remo pela Copa do Brasil.

A diretoria enfrenta dificuldades para contrariar os pedidos apresentados pelo jogador e por seu pai. O presidente do clube mantinha dúvidas sobre a contratação de Philippe Coutinho, mas acatou o desejo esportivo do camisa 10.

A chegada de Arthur seguiu a mesma dinâmica interna perante as restrições no orçamento. O meio-campista só reforçaria o time se a diretoria eliminasse a punição na Fifa para registrar novos nomes. O pai de Neymar assumiu a despesa financeira, e o jogador abriu a lista de contratações do período.

A comitiva do atleta vetou a utilização do Nubank Parque após a presidente palmeirense Leila Pereira e a construtora WTorre liberarem o estádio para o Santos.

Atuação direta na chegada de reforços ao elenco

O atacante Neymar atua como conselheiro esportivo da agremiação ao indicar amigos e atletas para o elenco sem o aval das áreas de análise de mercado. As chegadas de Arthur e Philippe Coutinho concretizaram as primeiras investidas do jogador nessa função informal.

O camisa 10 tentou transferir o volante Leandro Paredes, titular frequente na seleção da Argentina e integrante do Boca Juniors, para a Vila Belmiro.

As sugestões de compras ocorrem enquanto os cofres do Santos enfrentam forte pressão orçamentária. A diretoria arca com folha salarial de R$ 30 milhões e disputa unicamente o Campeonato Brasileiro após cair na Copa Sul-Americana.

Controle societário distante e obras estruturais

O pai do camisa 10 não formalizou propostas para comprar ações do clube nem apresentou grupos interessados nesse modelo, mas acompanha de perto negociações reservadas da gestão de Marcelo Teixeira.

O empresário monitora a oferta preliminar apresentada pela SDC Sports ao Santos. Ele também atua no debate paralisado com a WTorre sobre o novo estádio e sugeriu terrenos alternativos para a obra.

O pai de Neymar discursou ao lado de Marcelo Teixeira em junho para divulgar a construção de uma miniarena em Praia Grande enquanto o Santos negociava a renovação da área do CT Rei Pelé.

“A contrapartida é que o Santos jogue nessa arena”, disse o empresário sobre a edificação projetada para a entrada da cidade litorânea. A construção ficaria ao lado de um centro comercial em Praia Grande.

O pai do jogador afirmou na mesma entrevista que o clube não precisa de patrimônio, mas de verba para bancar atletas e investir no departamento de futebol, além de ter chamado o presidente santista de teimosinho.

A entrevista coletiva oficializava melhorias nos alojamentos das categorias de base no CT Rei Pelé. A família do atleta intermediou a chegada da companhia responsável pelas obras de reforma no local.

A edificação da miniarena não avançou nos meses seguintes ao anúncio. O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil em fevereiro para apurar impactos ambientais da obra. A investigação analisa a proximidade do terreno com o Parque Estadual Xixová-Japuí.

O Santos e os familiares do jogador voltaram o foco para reformas na Vila Belmiro diante do congelamento dos projetos externos. A construção de um novo campo em Praia Grande e a parceria com a WTorre não tiveram avanços nos últimos dois anos.

A diretoria conduz a modernização do estádio após o pai de Neymar reformar completamente o vestiário da Vila Belmiro com a instalação de porta blindada.

A família de Neymar acolhe os parentes dos atletas em um setor atrás de um dos gols da Vila Belmiro revitalizado em parceria com empresas privadas. O grupo financia a alimentação servida aos familiares, que recebem 160 ingressos, além de garantir 25 entradas para ex-jogadores em uma área projetada para 500 ocupantes.

O Santos cedeu uma sala de recepção exclusiva para a NR Sports organizar reuniões comerciais e receber convidados corporativos em dias de partidas. A empresa do pai do atleta consegue reunir cerca de 300 pessoas a cada confronto na Baixada Santista. A presença do camisa 10 nos jogos amplia o fluxo de visitantes nesse local reservado.

Os familiares e amigos do jogador contam com um espaço exclusivo localizado acima das cabines de imprensa da Vila Belmiro durante as partidas. O camarote também foi reformado.