A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos formalizou uma extensão contratual de US$ 946 milhões com a SpaceX para garantir mais três voos espaciais tripulados em direção à Estação Espacial Internacional. O valor equivale a cerca de R$ 5,4 bilhões na cotação financeira e assegura o transporte contínuo de tripulações até os momentos finais de atividade do complexo orbital.
O transporte espacial mudou.
Extensão eleva orçamento da SpaceX na agência para 34 bilhões de reais
Com essa nova emenda orçamentária, o contrato formal denominado Capacidade de Transporte de Tripulação Comercial, conhecido pela sigla CCtCap, alcançou o montante acumulado de US$ 5,92 bilhões, valor correspondente a mais de R$ 34 bilhões destinados diretamente à frota de espaçonaves Dragon. A ampliação abrange a realização das futuras viagens identificadas numericamente como Crew-15, Crew-16 e Crew-17. Esse arranjo contratual estende os lançamentos regulares até o ano de 2030, período fixado pelos países parceiros para a desativação definitiva do laboratório espacial internacional.
A companhia aeroespacial fundada por Elon Musk e sediada na cidade de Hawthorne, na Califórnia, iniciou os voos operacionais tripulados para a agência norte-americana em 2020. Desde esse período inaugural, a empresa mantém um ritmo frequente de lançamentos a partir da plataforma espacial do Centro Espacial Kennedy, localizado no estado da Flórida.
Garantia de transporte contínuo até o encerramento do posto orbital
A decisão governamental assinada em território norte-americano busca responder à obrigação técnica de sustentar a presença humana e a atividade científica ininterrupta dentro da estação antes que ela conclua sua vida útil planejada. O planejamento governamental exige que quatro astronautas sejam transportados em cada cápsula durante intervalos rotativos de trabalho de aproximadamente seis meses. Ao encomendar formalmente as missões Crew-15, Crew-16 e Crew-17, o governo norte-americano afasta o risco de desassistência caso ocorram imprevistos logísticos severos na transição para futuras plataformas comerciais privadas de baixa órbita terrestre, além de manter a soberania de acesso sem depender de veículos estrangeiros como a nave russa Soyuz. As equipes enviadas ao espaço conduzem centenas de experimentos voltados à medicina, física de materiais e biologia sob ambiente de microgravidade.
A rotina segue mantida.
Concentração de viagens diante de entraves na concorrência privada
O programa de tripulação comercial foi desenhado originalmente no início da década passada com o objetivo deliberado de fomentar dois prestadores de serviço independentes na iniciativa privada americana. Contudo, os contratempos técnicos e mecânicos verificados no programa da cápsula Starliner, fabricada pela concorrente Boeing, concentraram a escala de lançamentos espaciais nos veículos Crew Dragon. Essa realidade operacional fez os gestores públicos aumentarem sucessivas vezes as encomendas direcionadas à SpaceX para cobrir lacunas no calendário de voos dos astronautas.
O acordo inicial estabelecido em 2014 previa tão somente seis voos pós-certificação para cada uma das fornecedoras contratadas pela agência federal. Ao expandir o portfólio da SpaceX para um total de dezessete missões regulares até 2030, a agência consolida a operadora privada como a transportadora primária de tripulantes da base norte-americana.
Planejamento operacional das equipes científicas na plataforma orbital
As futuras missões contratadas transportarão pesquisadores enviados pela agência espacial norte-americana e profissionais indicados por parceiros internacionais do Japão, do Canadá e da Europa. Os preparativos técnicos para as viagens espaciais de longa duração iniciam-se anos antes da partida, período em que os astronautas realizam treinamentos em simuladores da cabine da espaçonave Dragon e testes de acoplamento mecânico com o porto da estação. As cápsulas e os primeiros estágios dos foguetes Falcon 9 passam por rigorosos ciclos de inspeção, recondicionamento estrutural e testes dos motores Draco antes de cada decolagem.
Os testes ocorrem na Flórida.
Aposentadoria planejada da estrutura orbital no final da década
A Estação Espacial Internacional acumula ocupação contínua desde novembro de 2000 e apresenta sinais crescentes de envelhecimento nos módulos mais antigos geridos pela Rússia e pelos Estados Unidos. O plano conjunto dos países integrantes prevê desorbitar controladamente o complexo de quatrocentas toneladas sobre uma região remota do Oceano Pacífico em 2030.
A quantia de US$ 5,92 bilhões cobre o fornecimento dos foguetes de lançamento, os trajes pressurizados dos astronautas, as etapas de telemetria orbital e as embarcações de resgate no mar após a reentrada na atmosfera da Terra. O suporte concedido pela frota privada atende a todos os requisitos de segurança exigidos para o retorno das equipes ao solo. A agência espacial norte-americana pretende manter o fornecimento de suprimentos e as trocas de tripulação por cápsulas comerciais até o mês final de operação dos laboratórios em órbita.
As naves Dragon seguirão acopladas ao complexo espacial como veículos de fuga imediata em caso de emergência médica ou falha na despressurização da cabine. O modelo de prestação de serviços comerciais para transporte de astronautas substituiu integralmente o antigo programa dos ônibus espaciais estatais norte-americanos, aposentados de forma definitiva no ano de 2011.

