Barragem com risco de rompimento leva à retirada de 170 moradores e suspensão de aulas no RS

Barragem Arroio São Luiz na Serra Gaúcha - Divulgação/ CorsanBarragem Arroio São Luiz na Serra Gaúcha - Divulgação/ Corsan

Barragem Arroio São Luiz na Serra Gaúcha - Divulgação/ Corsan

A identificação de trincas e vazamentos na estrutura da Barragem Arroio São Luiz levou a Defesa Civil do Rio Grande do Sul a emitir alerta vermelho de perigo muito alto para colapso iminente em São Marcos, na serra gaúcha. A medida forçou a retirada preventiva de cerca de 170 pessoas de áreas ribeirinhas próximas à represa e ao leito do Rio Jaguari, além da interdição de uma estrada vicinal e do cancelamento das atividades escolares na comunidade rural atingida.

O alerta severo foi disparado após vistorias apontarem danos estruturais graves no vertedouro e nos contrafortes da represa, responsável pelo abastecimento de água do município. O coordenador regional da Defesa Civil do Estado pela 9ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil, Marcelo Almeida de Souza, ressaltou a gravidade da ocorrência durante o trabalho de campo: “Há o risco de colapso dessa estrutura e que sim, havia risco e há risco para a vida de pessoas nesses locais”.

Mobilização integrada e medidas de contenção na comunidade

Foto: Barragem Arroio São Luiz, localizada na Serra Gaúcha – Reprodução/RBS TV

Equipes da administração municipal de São Marcos, sob liderança da prefeita em exercício Fabiana Dutra de Oliveira, atuam em conjunto com o governo estadual e técnicos da concessionária para mitigar os efeitos da pressão hidráulica. O Plano de Ação de Emergência foi acionado logo após a constatação das fissuras, mobilizando assistentes sociais e equipes operacionais para orientar as famílias em um raio de planejamento de 10 quilômetros a jusante da estrutura.

A Defesa Civil Estadual chegou a contabilizar inicialmente cerca de 60 edificações na área sob ameaça direta, enquanto a divisão técnica do plano de emergência mapeou 28 edificações na chamada Zona de Autossalvamento e outras 31 construções, além de uma ponte, na Zona de Segurança Secundária. As autoridades estaduais confirmaram que não houve rompimento físico do barramento e descartaram qualquer risco de inundação para o centro urbano de São Marcos ou para a Região Metropolitana de Porto Alegre.

Confira também: Temporal em Santa Catarina arrasta contêiner e atinge 14 cidades

Sequência de medidas adotadas durante o alerta em São Marcos

  • Equipes de engenharia identificaram fissuras e vazamentos de água nos blocos de contraforte e vertedouro da represa.
  • A Corsan acionou os protocolos do Plano de Ação de Emergência para garantir a evacuação preventiva imediata.
  • Comportas da descarga de fundo foram abertas para esvaziar o reservatório e aliviar a sobrecarga da parede de concreto.
  • A Defesa Civil do Estado emitiu aviso sonoro de perigo severo diretamente nos aparelhos celulares da população local.
  • Cerca de 170 moradores deixaram suas residências e seguiram para hotéis conveniados ou casas de parentes.
  • A prefeitura determinou a suspensão das aulas na Escola Municipal Antônio Pessini e bloqueou o tráfego em estrada vicinal.
  • Técnicos montaram bombas hidráulicas complementares para reforçar o ritmo de bombeamento e drenagem da represa.

Estrutura técnica e monitoramento da Barragem Arroio São Luiz

Para diminuir o esforço mecânico sobre a parede da barragem, a Corsan Aegea montou um sistema emergencial de esgotamento com bombas adicionais, mantendo também aberta a tubulação da descarga de fundo. A manobra permitiu retirar milhares de metros cúbicos de água de forma contínua desde as primeiras horas de intervenção, reduzindo o volume armazenado e dando margem para a atuação dos peritos.

A diretora de Operações da Corsan Aegea, Maraisa Mendonça, explicou o protocolo adotado pelas equipes operacionais: “Após as chuvas, intensificamos as vistorias das estruturas, identificamos fissuras na barragem e, atendendo ao Plano de Ação e Emergência, acionamos todas as áreas responsáveis, considerando, de forma efetiva, a garantia da segurança das pessoas pessoas alocadas abaixo da barragem”.

Especificações operacionais e situação do reservatório

  • Localização da represa: comunidade de São Luiz, no município de São Marcos, Rio Grande do Sul.
  • Capacidade total de armazenamento: cerca de 420 mil metros cúbicos de água.
  • Volume medido às 12h47 de quarta-feira (23): aproximadamente 138 mil metros cúbicos.
  • Volume registrado às 22h17 de quarta-feira (23): cerca de 135 mil metros cúbicos.
  • Área de planejamento de contingência: raio de 10 quilômetros ao longo do curso do Arroio São Luiz e do Rio Jaguari.
  • Acomodação dos desalojados: hotéis com custos pagos pela concessionária e residências de familiares.

Cronologia das decisões e ações operacionais

  • 23 de setembro de 2026, 12h47 — Abertura da descarga de fundo da barragem para início da vazão controlada de água.
  • 23 de setembro de 2026, 15h53 — Disparo do alerta sonoro de emergência por Cell Broadcast para moradores da região.
  • 23 de setembro de 2026, 22h17 — Verificação do nível da represa apontando redução para 135 mil metros cúbicos acumulados.
  • 24 de setembro de 2026, manhã — Reunião técnica do Gabinete Local de Incidentes para avaliar a estabilidade do maciço.
  • 25 de setembro de 2026 — Prazo previsto para entrega do laudo pericial conclusivo elaborado pelos engenheiros.

Veja também: Nuvem prateleira encobre Praia do Morro das Pedras em Florianópolis

Volume extremo de precipitação e histórico de fiscalização desde 2024

A instabilidade estrutural foi desencadeada por um episódio severo de precipitação registrado sobre a serra gaúcha. Em um intervalo de apenas 24 horas, o município de São Marcos acumulou 174 milímetros de chuva, marca que ultrapassou todo o volume médio esperado para o mês de setembro na localidade, fixado historicamente em 163 milímetros. O excesso de água provocou uma elevação rápida no nível do Arroio São Luiz e sobrecarregou a crista da estrutura.

O monitoramento intensivo de represas no Rio Grande do Sul tornou-se rotina compulsória desde os desastres provocados pelas enchentes históricas registradas no Estado em 2024. A partir daquele período, os protocolos de segurança estrutural, vistoria em campo e gestão de risco foram reformulados pela concessionária e pelos órgãos de socorro público, permitindo a identificação precoce das fissuras no vertedouro antes que ocorresse uma ruptura física da barragem de São Marcos.

Diagnóstico pericial e indefinição sobre retorno dos desalojados

O Gabinete Local de Incidentes, coordenado pelo Gabinete Integrado de Gerenciamento de Desastres, mantém reuniões de monitoramento com a presença de autoridades municipais, técnicos e forças da Defesa Civil. Engenheiros e especialistas contratados realizam vistorias detalhadas no concreto e nas fundações da represa para determinar a gravidade das fraturas e planejar os reparos definitivos necessários na contenção.

Acompanhe: El Niño provoca chuvas fortes e calor intenso em São Paulo

Ainda não há data confirmada nem previsão oficial para que os cerca de 170 moradores retirados de suas residências possam retornar com segurança para a comunidade rural, uma vez que a desmobilização do plano de contingência depende diretamente da entrega e validação do diagnóstico técnico dos peritos, prevista para sexta-feira (25 de setembro de 2026), mantendo as famílias temporariamente sob apoio assistencial em hotéis e casas de parentes enquanto as bombas continuam operando na drenagem do reservatório.