Caso Isabelle Caracristi: polícia aponta queda voluntária e mantém namorado preso

Isabelle Caracristi - ReproduçãoIsabelle Caracristi - Reprodução

Isabelle Caracristi - Reprodução

A Justiça do Ceará manteve a prisão preventiva do bacharel em Direito João Munhoz Neto, de 34 anos, investigado por violência psicológica, ameaça e suspeita de induzimento ao suicídio da namorada, a estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A universitária morreu após cair do rooftop situado no 23º andar de um edifício no bairro Aldeota, em Fortaleza.

Conforme laudo conjunto elaborado pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e pela Polícia Civil, a causa da morte foi politraumatismo decorrente de impacto contra o solo provocado por precipitação voluntária. Os exames oficiais não encontraram lesões corporais anteriores ao impacto, não detectaram vestígios de luta corporal e apontaram resultado negativo no exame toxicológico, além de descartarem qualquer estado de gravidez.

Dados consolidados da investigação pericial

  • Vítima: Isabelle Caracristi, 22 anos, estudante do segundo semestre de Direito
  • Suspeito detido: João Munhoz Neto, 34 anos, bacharel em Direito
  • Local da queda: Edifício residencial no bairro Aldeota, em Fortaleza, Ceará
  • Horário da ocorrência: Por volta das 20h40 de 13 de setembro de 2026
  • Elementos probatórios: Mais de 700 arquivos de vídeo examinados pelas autoridades

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Depoimentos sobre violência psicológica e postura investigada

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Ceará, Márcio Gutiérrez, relatos testemunhais apontam que João Munhoz mantinha um comportamento excessivamente controlador e abusivo no cotidiano do casal. Conforme a apuração, o suspeito restringia a circulação da namorada, a ponto de impedi-la de descer desacompanhada do trabalho ou de comparecer sozinha até uma farmácia próxima, caracterizando os indícios de agressão psicológica que motivaram a ordem judicial.

A investigação também constatou ações do investigado que geraram embaraço à apuração pericial logo após o ocorrido, como a limpeza antecipada do apartamento onde residiam, a tentativa imediata de colocação do imóvel residencial à venda, a mudança de endereço e a busca pelo telefone celular de Isabelle antes da apreensão policial. “Em nenhum momento, ele se colocou à disposição para o esclarecimento dos fatos”, afirmou o delegado-geral da corporação.

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Início do relacionamento e histórico prévio apurado

Isabelle Caracristi e João Munhoz Neto se conheceram em meados de julho de 2026 durante o período de estágio em um mesmo escritório de advocacia na capital cearense. Poucas semanas antes da morte da universitária, ela havia passado a morar no apartamento dele no bairro Aldeota. As diligências conduzidas pelos investigadores revelaram ainda que o bacharel era formalmente casado com outra mulher enquanto mantinha o convívio afetivo com a jovem, existindo um processo de divórcio em tramitação legal.

João Munhoz Neto, namorado preso suspeito de envolvimento na morte de Isabelle Caracristi – Internet

Cronologia das ações policiais e judiciais

  • 13 de setembro de 2026 — Isabelle Caracristi cai do 23º andar e perícia faz os levantamentos iniciais no edifício
  • 20 de setembro de 2026 — Polícia Civil cumpre busca na praia de Cumbuco e apreende equipamentos da mãe do suspeito
  • 21 de setembro de 2026 — João Munhoz Neto comparece à delegacia com advogada para prestar esclarecimentos
  • 22 de setembro de 2026 — Suspeito é preso preventivamente e mãe do investigado é exonerada de cargo em comissão na SAP
  • 23 de setembro de 2026 — Justiça mantém prisão preventiva do bacharel após audiência de custódia

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Manifestação da defesa e desdobramentos administrativos

A advogada responsável pela defesa de João Munhoz Neto, Lígia Peixe, contestou a medida restritiva imposta ao cliente perante o Poder Judiciário. A defensora declarou que o encarceramento é desnecessário pelo fato de o suspeito não estar presente no condomínio no momento da queda e ter se apresentado às autoridades: “Na verdade, eu acho que é mais uma resposta midiática. Foi suicídio, foi. O que é que ele tem a ver com isso?”.

No âmbito da administração estadual, a mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, que atua como policial penal, foi exonerada de cargo comissionado na Coordenadoria de Execução da Saúde Prisional da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) do Ceará, em ato publicado no Diário Oficial. A Polícia Civil mantém a análise pericial do material extraído dos aparelhos celulares apreendidos e colhe novos depoimentos para esclarecer se houve participação dolosa no estímulo ao ato ou destruição voluntária de vestígios.