CBF fixa teto de cinco estrangeiros e amplia cota de base nos clubes

Arrascaeta - Gilvan de Souza/FlamengoArrascaeta - Gilvan de Souza/Flamengo

Arrascaeta - Gilvan de Souza/Flamengo

Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram uma proposta da Confederação Brasileira de Futebol para diminuir o limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida a partir da temporada de 2027. O formato estabelece um corte progressivo que reduz o teto atual de nove atletas para cinco em 2030, além de fixar cotas obrigatórias de jovens das categorias de base nas listas de inscrição da competição nacional. A votação com ampla maioria ocorreu em reunião na sede da entidade esportiva, no Rio de Janeiro, em 21 de setembro de 2026.

A medida recebeu apoio do técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, durante entrevista coletiva concedida em Townsville, na Austrália, nesta quinta-feira (24). “Eu acho que a redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um aspecto muito importante para dar oportunidade ao talento brasileiro, que é muito, mas é também uma oportunidade para todo o Campeonato Brasileiro. Me parece que não é um demérito reduzir, ano após ano. É uma coisa muito positiva para o futebol”, declarou o treinador.

Escalonamento até 2030 e exigência de jovens na lista de inscrição

O cronograma aprovado pelos dirigentes prevê uma transição dividida em quatro temporadas. A partir de 1 de janeiro de 2027, as equipes poderão relacionar no máximo oito estrangeiros por partida. Esse número descerá para sete em 2028, seis em 2029 e atingirá o limite de cinco atletas em 2030. Paralelamente, o regulamento do Campeonato Brasileiro manterá a capacidade de registro em 50 jogadores por clube, mas exigirá que ao menos 20 sejam da categoria sub-23 em 2027. Essa reserva técnica para jovens subirá gradativamente até alcançar 25 vagas obrigatórias na virada para 2030, quando metade do elenco inscrito precisará ser formada por atletas com até 23 anos.

  • Temporada 2027: limite de 8 estrangeiros por partida e cota de 20 atletas sub-23 entre os 50 inscritos
  • Temporada 2028: limite de 7 estrangeiros relacionados por partida
  • Temporada 2029: limite de 6 estrangeiros relacionados por partida
  • Temporada 2030: consolidação de 5 estrangeiros relacionados por jogo e cota de 25 atletas sub-23 no elenco

Estudo técnico apontou envelhecimento dos elencos da Série A

A alteração regulatória foi fundamentada em levantamento da CBF Academy que indicou uma elevação na idade média dos participantes da primeira divisão nacional. Em 2026, a Série A alcançou média etária de 28,5 anos, marca superior aos números registrados nas ligas da Espanha, com 27 anos, da Itália, com 26,1 anos, e da França, com 26 anos. O mesmo relatório apontou que os jogadores com mais de 23 anos nascidos fora do país ocuparam 25% da minutagem total do torneio em 2026, contra 7,8% medidos em 2020. Em contrapartida, a participação em campo de atletas com até 23 anos ficou restrita a 13,8% dos minutos disputados.

O novo corte interrompe uma sequência de ampliações aprovadas nos últimos anos. Até a temporada de 2013, o futebol brasileiro permitia apenas três atletas estrangeiros por partida. A cota foi elevada para cinco em 2014, passou para sete em 2023 e atingiu o ápice de nove em 2024. Cerca de 160 a 172 jogadores de outros países atuam nos elencos da elite nacional em 2026, sendo 86% originários de nações do Mercosul, principalmente de Argentina, Uruguai e Colômbia.

Posicionamento contrário de clubes e pautas pendentes

Apesar da aprovação pela maioria dos representantes das duas principais divisões e das federações estaduais, a redução registrou votos contrários declarados de Flamengo e Bahia. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, posicionou-se contra a restrição caso não houvesse flexibilização nas regras para transferências internas no mercado nacional.

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Duas propostas complementares foram apresentadas durante o encontro, mas não entraram em votação final. O gestor da SAF do Londrina, Guilherme Bellintani, defendeu a criação de equipes B para atuar em divisões de acesso e o fim da trava de partidas que impede negociações entre equipes da mesma divisão. “Duas pautas ficaram para um próximo momento. A primeira delas é justamente acabar com o limite de número de jogos para transferência de jogador entre clubes no próprio Campeonato Brasileiro”, afirmou Bellintani. A CBF ainda não definiu data ou calendário de votação para analisar essas duas demandas pendentes.