Drones de entrega da Amazon geram revolta por barulho e privacidade

Amazon - Alexey Fedorenko/Shutterstock.comAmazon - Alexey Fedorenko/Shutterstock.com

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Moradores da cidade de Richardson, nos arredores de Dallas, no Texas, contestam as operações de entrega por aeronaves não tripuladas do serviço Prime Air, mantido pela Amazon. A vizinhança relata incômodo sonoro frequente e perda de privacidade com as rotas aéreas, no momento em que a empresa varejista programa ampliar o sistema de encomendas autônomas para 500 cidades e municípios até o fim do ano.

Os voos ocorrem entre 7h e 20h a partir do centro de distribuição local da empresa, conhecido como entreposto STX8. “O que está acontecendo em Richardson está prestes a acontecer em todo o país, e as pessoas finalmente vão acreditar em nós quando dissermos que ter todos esses drones voando por aí é, na verdade, um problema enorme”, afirmou Scott Bratcher, presidente da associação de moradores de uma das áreas atingidas, em tradução livre.

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Rotina sob o zumbido contínuo das hélices

A moradora Nikki Anderson relatou que o ruído das aeronaves afeta o convívio familiar mesmo em ambientes fechados. “Nós os ouvimos fazendo ‘zum, zum, zum’, indo e voltando desde a manhã até depois da hora do jantar. Não dá para viver assim”, disse a moradora, em tradução livre. Ela afirmou que o barulho das hélices consegue ser ouvido dentro da residência, mesmo com aparelhos de televisão em funcionamento.

Para mensurar o fluxo de tráfego aéreo sobre o bairro, a moradora Stephanie Puri instalou um equipamento de rastreamento e registrou 52 drones sobrevoando o imóvel em uma única sexta-feira, período considerado por ela como de movimentação reduzida. No momento da entrega, o aparelho desce a cerca de 4 metros do solo e paira no ar enquanto solta a encomenda sobre gramados ou entradas de garagens residenciais. Além da questão acústica, parte da comunidade manifesta receio em relação ao uso de sensores e câmeras de navegação montados nos equipamentos.

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Especificações técnicas e parâmetros do serviço

As aeronaves não tripuladas utilizadas pela empresa operam sob autorização da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, conhecida pela sigla FAA, cumprindo limites de carga, altitude e raio operacional definidos pelos órgãos reguladores:

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  • Peso de cada drone de entrega: 38 quilos;
  • Capacidade máxima de transporte por pacote: 2,3 quilos;
  • Raio máximo de alcance a partir do entreposto: 12 quilômetros;
  • Faixa de altitude autorizada e praticada: 68 metros em média, com teto regulamentar de 122 metros;
  • Prazo de entrega prometido ao comprador: 30 minutos;
  • Taxa cobrada por pedido realizado via drone: gratuita ou com valor máximo de US$ 4,99.

Divergências sobre o impacto acústico e ambiental

A prefeitura de Richardson aprovou em dezembro a permissão de zoneamento para abrigar a base de decolagem da Amazon, tornando o município um dos primeiros campos práticos de aplicação do Prime Air. Em julho, uma análise ambiental conduzida pela Administração Federal de Aviação concluiu que a circulação de drones comerciais de entrega não gera impacto ambiental significativo. Scott Bratcher criticou a postura do órgão regulador e declarou, em tradução livre, que o governo e a FAA falharam com a comunidade.

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Existe divergência direta entre a empresa e os residentes a respeito do nível sonoro gerado pelos motores. A porta-voz da Amazon, Lindsay Hamilton, afirmou que o ruído equivale ao de um aparelho de ventilação de janela em velocidade baixa e declarou que a passagem do drone é mais silenciosa do que a de um automóvel na rua. Ela acrescentou que menos de 1% dos contatos recebidos pela empresa em 2026 trataram de reclamações de barulho. Moradores locais, por outro lado, comparam o zumbido mecânico ao funcionamento de cortadores de grama ou ao barulho de um enxame de insetos.

Crescimento do tráfego aéreo não tripulado nos Estados Unidos

O modelo de entrega por via aérea se expande em território norte-americano com a participação de outras companhias comerciais. Redes como Walmart e Zipline também mantêm rotas de teste e operações regulares de entrega autônoma na região do Texas, sujeitas às regras federais da FAA. Dados oficiais do órgão de aviação apontam a existência de 897 mil drones registrados nos Estados Unidos, com estimativa de crescimento para mais de 3,5 milhões de unidades em circulação até o ano de 2030.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos informou que planeja atualizar os parâmetros de controle para voos de transporte autônomo, mas ainda não divulgou a data oficial em que serão formalizadas as normas definitivas para limites de ruído e altitude mínima em áreas urbanas.