O morador Édson Luís da Silva, de 46 anos, foi encontrado morto pelo próprio filho na manhã de terça-feira (22), em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, após ficar cerca de 24 horas desaparecido. A vítima realizava a limpeza de uma galeria pluvial no bairro De Zorzi durante o temporal de segunda-feira (21) quando acabou puxada pela força da enxurrada para o interior da tubulação subterrânea.
A localização ocorreu em uma área aberta onde a tubulação deságua em um arroio, a cerca de 300 metros de distância do ponto inicial da queda. O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Caxias do Sul, tenente-coronel Márcio Miller Batista, relatou a comoção da equipe com a dor dos familiares. “Foi um momento de muita dor e nos solidarizamos com a família pelo momento que estava passando. Estavam muito abatidos, a família inteira. Muito angustiados. Um sofrimento grande”, afirmou o oficial.
Buscas contínuas em galerias subterrâneas
O Corpo de Bombeiros Militar havia sido acionado por volta das 8h30 de segunda-feira (21) na Rua Pradelino Linck, logo após Édson ser sugado pela correnteza ao tentar retirar galhos do bueiro. As equipes de resgate mantiveram os trabalhos de varredura de maneira ininterrupta durante todo o dia, a noite e a madrugada seguinte, inspecionando poços de visita e diferentes pontos de acesso aos dutos subterrâneos na tentativa de localizar o morador.
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Segundo o comandante Márcio Miller Batista, a força da água e a turbidez do fluxo impediram a visualização interna das galerias ao longo da operação. “A informação que tivemos é que ele estaria limpando o bueiro quando foi arrastado pela correnteza. Durante todo o dia, toda a noite, toda a madrugada, tivemos buscas a partir do ponto zero, onde a vítima foi vista pela última vez. Buscamos em vários pontos de acesso ao longo da tubulação, mas não foi possível encontrar onde ele estava, até pela grande quantidade de água. Isso dificultou muito a visibilidade dentro das tubulações. A tubulação tem aproximadamente 300 metros. São galerias, e essa galeria deságua em um arroio, um espaço aberto, mas dentro da cidade”, explicou o tenente-coronel.
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Volume de chuva superou a média mensal
As precipitações registradas na Serra Gaúcha atingiram marcas extremas no início da semana. Entre a meia-noite e as 16h de 21 de setembro de 2026, Caxias do Sul acumulou 176 milímetros de chuva. O índice registrado em apenas dezesseis horas superou a média histórica prevista para todo o mês de setembro na cidade, que é de 163 milímetros.
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- 176 milímetros: acumulado de chuva registrado em Caxias do Sul entre a meia-noite e as 16h de segunda-feira
- 163 milímetros: média climatológica histórica para todo o mês de setembro no município
- 300 metros: percurso percorrido pelo corpo no interior da galeria pluvial até o ponto de deságue no arroio
- 24 horas: tempo aproximado em que a vítima permaneceu desaparecida até ser achada pela família
Cheias provocam estragos no Rio Grande do Sul
O temporal que atingiu o território gaúcho causou ao menos quatro mortes no estado, sendo três em Caxias do Sul e uma em Pelotas. Além do caso de Édson Luís da Silva, outras duas mortes na cidade serrana ocorreram na localidade de Parada Cristal, onde ocupantes de um mesmo veículo acabaram surpreendidos e arrastados pelas águas pluviais.
Os rios Caí e Taquari ultrapassaram a cota de inundação em vários trechos, provocando enchentes severas e alagando áreas inteiras em municípios como São Sebastião do Caí e Lajeado. A identidade e a idade do filho que localizou o corpo do pai no arroio não foram divulgadas pelas equipes de resgate.
