Ninho de joão-de-barro em lavoura de tabaco surpreende em Vera Cruz

Casal de joão-de-barro constrói ninho na lavoura - Arquivo pessoalCasal de joão-de-barro constrói ninho na lavoura - Arquivo pessoal

Casal de joão-de-barro constrói ninho na lavoura - Arquivo pessoal

Um casal de joão-de-barro escolheu a folhagem de uma lavoura de tabaco para erguer a sua estrutura de barro na localidade de Vila Progresso, situada no interior do município de Vera Cruz, no Rio Grande do Sul. O registro inusitado de nidificação na propriedade rural chamou a atenção de moradores da região e de especialistas nesta quinta-feira (24), devido ao fato de a espécie comumente buscar pontos bem mais elevados na vegetação ou em estruturas artificiais para a reprodução.

A área de cultivo pertence ao produtor rural Franklin Wink, que iniciou o plantio da safra no local no mês de julho de 2026.

Pouco tempo depois da introdução das mudas na terra e do desenvolvimento da folhagem das plantas, as duas aves se instalaram entre os pés de tabaco para dar início à modelagem das paredes de terra, concluindo a estrutura firme em meio às hastes agrícolas.

Por que a escolha da plantação de fumo é considerada incomum?

Foto: joão-de-barro constrói ninho na lavoura – Arquivo pessoal

O biólogo e professor universitário Andreas Koehler explicou que a espécie costuma erguer seus ninhos em locais altos para obter segurança e que a escolha de uma lavoura de tabaco é incomum, refletindo a percepção de segurança pelas aves.

O especialista observou que a decisão desses animais demonstra como o microambiente da plantação conseguiu suprir a exigência instintiva de proteção contra possíveis predadores terrestres ou intempéries.

“É raro, mas acontece. Deve ser para a ave um local seguro para formar o ninho”, afirmou Andreas Koehler ao analisar o comportamento do casal de pássaros na propriedade de Vera Cruz.

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Segundo o especialista, as aves avaliam minuciosamente as condições ao redor antes de iniciar o transporte de material e a moldagem da câmara interna. Quando encontram um ponto estável entre as folhas largas e firmes da planta cultivada, os indivíduos podem interpretar que aquele local oferece sustentação mecânica suficiente para abrigar a postura dos ovos e o nascimento dos filhotes, mesmo estando muito mais próximos do solo do que o habitual para a sua biologia.

A evolução do plantio e a ocupação da área rural

A rotina na propriedade de Franklin Wink seguiu o calendário habitual da safra regional até a constatação da obra animal. A instalação do casal ocorreu em um intervalo curto após os trabalhos de campo executados a partir de 1 de julho de 2026, momento em que o tabaco passou a compor a paisagem produtiva de Vila Progresso e ofereceu o suporte vegetal necessário para a sustentação do ninho.

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  • Localidade do registro: Vila Progresso, área rural de Vera Cruz, Rio Grande do Sul.
  • Proprietário da lavoura: Franklin Wink.
  • Início do plantio de tabaco no terreno: mês de julho de 2026.
  • Avaliação técnica do caso: Andreas Koehler, biólogo e professor universitário.
  • Data da confirmação pública da ocorrência: 24 de setembro de 2026.

Diferenças entre o padrão tradicional da espécie e o caso gaúcho

O joão-de-barro é conhecido pelo hábito de construir ninhos esféricos de barro em galhos altos de árvores, mourões ou postes, tornando raras as construções em vegetação rasteira ou em meio a lavouras cultivadas. Historicamente, essa preferência por galhos firmes no topo da copa florestal ou no topo de postes de fiação elétrica confere ampla visão do terreno periférico e impede a aproximação fácil de animais terrestres, como pequenos mamíferos e répteis rastejantes.

Em ambientes agrícolas anuais, a densidade das folhas do tabaco forneceu uma camuflagem atípica, servindo como uma barreira visual que substituiu a necessidade de grandes altitudes. O caso documentado em Vila Progresso exemplifica a plasticidade comportamental de determinados indivíduos da fauna nativa, que conseguem identificar oportunidades de refúgio imediato mesmo em áreas submetidas ao manejo constante da agricultura familiar gaúcha.

Até o momento, não foi informada a data exata em que o produtor rural visualizou o ninho finalizado pela primeira vez no meio da plantação. A estrutura segue preservada entre a vegetação da propriedade em Vera Cruz enquanto o ciclo reprodutivo do casal se desenvolve no interior do estado.