Peru projeta teleférico de US$ 261 milhões em Choquequirao

Choquequirao - Robert Harding Video / shutterstock.comChoquequirao - Robert Harding Video / shutterstock.com

Choquequirao - Robert Harding Video / shutterstock.com

O governo peruano avança na estruturação de uma Parceria Público-Privada estimada em US$ 261 milhões para erguer um sistema de teleféricos em direção ao complexo arqueológico de Choquequirao, cidadela inca do século 15 situada sobre o cânion do rio Apurímac, entre os departamentos de Cusco e Apurímac. A proposta, gerida pela agência estatal ProInversión, pretende substituir a travessia a pé de vários dias por um trajeto aéreo de 15 a 20 minutos.

Com a nova estrutura, a administração pública do Peru traçou a meta de elevar o fluxo de viajantes no local de cerca de 8 mil para 1 milhão de pessoas por ano. Segundo comunicado conjunto do governo peruano, do Ministério de Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) e da ProInversión, “a previsão é de que o projeto do teleférico de Choquequirao seja licitado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), o que permitirá aumentar o fluxo turístico anual de 8 mil para um milhão de pessoas”. A iniciativa, chefiada na agência pelo diretor executivo Luis Del Carpio Castro, tenta aproximar o sítio histórico do patamar registrado por Machu Picchu, que recebe anualmente cerca de 1,6 milhão de visitantes.

Dados da infraestrutura planejada e da cidadela

  • Localização: distrito de Santa Teresa, confluência entre Cusco e Apurímac, no Peru
  • Altitude média do sítio arqueológico: mais de 3.000 metros
  • Distância até Machu Picchu: 89 quilômetros em linha reta
  • Tempo atual de caminhada: entre 4 e 5 dias de trilha (cerca de 31 a 32 quilômetros)
  • Extensão da rede de cabos projetada: 10,6 quilômetros
  • Investimento previsto para a concessão: US$ 261 milhões

Cronologia e etapas do transporte sobre o cânion

  • Em 1450, o Império Inca iniciou a construção do complexo urbano e cerimonial sobre o vale do rio Apurímac.
  • Em 1909, o explorador norte-americano Hiram Bingham visitou e documentou Choquequirao antes de chegar a Machu Picchu em 1911.
  • Na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, novas diretrizes técnicas detalharam os parâmetros do edital de infraestrutura turística.
  • Na quinta-feira, 1 de outubro de 2026, abre-se o intervalo oficial estabelecido pela ProInversión para a licitação e adjudicação da concessão.
  • Em 1 de janeiro de 2027, as autoridades peruanas projetam o início formal da montagem física dos teleféricos.

Origem como refúgio e detalhes da arquitetura imperial

Erguida a mais de 3.000 metros de altitude por volta de 1450, durante o processo de expansão do Império Inca, Choquequirao serviu de ponto de refúgio para a resistência indígena após as tropas colonizadoras espanholas tomarem a cidade de Cusco no século 16. O isolamento geográfico do vale e a mata densa impediram que os europeus encontrassem o assentamento na época, mantendo construções preservadas e parte de suas fundações originais ainda sob a vegetação nativa.

O nome da localidade vem da junção das palavras quíchuas chuqi e k’iraw, que significam berço de ouro, expressão associada pelos pesquisadores à ideia de sacralidade e prestígio, sem ligação obrigatória com a mineração do metal. Do ponto de vista arquitetônico, a cidadela reúne praças cerimoniais, setores residenciais e terraços agrícolas decorados com pedras brancas esculpidas em formato de lhamas, denominadas Lhamas do Sol, configuração que não se repete em outros sítios incas catalogados.

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Disputa regional entre Cusco e Apurímac

Apesar do plano econômico para criar frentes de trabalho em áreas rurais de difícil acesso, o traçado de 10,6 quilômetros de cabos gerou protestos e tensões entre povoados locais. Representantes comunitários e lideranças do departamento de Apurímac discordam de setores ligados ao governador regional de Cusco, Werner Salcedo, em torno dos pontos de embarque das estações, das rotas auxiliares e dos repasses diretos dos dividendos da exploração turística.

Ainda não há data exata definida para a assinatura formal do contrato definitivo de licitação. O cronograma depende do encerramento das negociações socioambientais conduzidas com lideranças da província de Anta e com o governo regional de Cusco, etapa anterior ao início das obras previsto para janeiro de 2027.