Um levantamento com 226 milhões de notas fiscais emitidas entre janeiro e junho de 2026 apontou que 40,71% das empresas do Regime Normal não atingiram conformidade integral com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O índice corresponde a cerca de 137,3 mil companhias enquadradas nos regimes de Lucro Real e Lucro Presumido que mantiveram pendências no preenchimento dos novos campos tributários instituídos pela Reforma Tributária.
A apuração feita pela plataforma de gestão fiscal Qive revelou que o ritmo de adequação dos contribuintes desacelerou 52,8% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. “A adequação está acontecendo, mas a velocidade diminuiu ao longo do primeiro semestre. A obrigação move o mercado, mas com ritmos diferentes”, afirmou Erika Daguani, CPO e CHRO da Qive.
Desaceleração técnica na emissão dos documentos
Do conjunto total de 337,3 mil CNPJs do Regime Normal analisados pela plataforma, 28,47% foram classificados na categoria de não adesão e outros 12,24% apresentaram adesão apenas parcial às exigências. Em junho de 2026 isoladamente, 20,94% dos contribuintes avaliados, o equivalente a cerca de 70,6 mil estabelecimentos, ainda não haviam preenchido nenhuma tag tributária referente aos novos impostos.
A taxa média de redução dos documentos emitidos sem os dados recuou no decorrer dos meses. No primeiro trimestre de 2026, a proporção de notas fiscais eletrônicas de mercadorias sem preenchimento caía em um ritmo de 4,79 pontos percentuais ao mês. Ao longo do segundo trimestre, contudo, esse índice de redução mensal encolheu para 2,26 pontos percentuais, comprovando a perda de fôlego operacional das companhias na transição dos sistemas fiscais.
Diferenças de preenchimento entre mercadorias e serviços
O volume documental mostra uma disparidade profunda dependendo da atividade econômica. Das 159,9 milhões de notas fiscais de mercadorias (NF-e) avaliadas no estudo, 85,42% continham os campos de IBS e CBS inteiramente preenchidos. O percentual elevado de notas emitidas em conformidade frente à alta taxa de empresas irregulares indica que o volume de emissões regulares está concentrado nas mãos de grandes companhias do país.
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O setor de serviços enfrenta o quadro mais crítico da transição. Das 38,4 milhões de notas fiscais de serviço eletrônicas (NFS-e) emitidas por empresas do Regime Normal no período, 27,5 milhões saíram sem menção aos tributos da reforma, o equivalente a 71,65% do total. O entrave ocorre pela fragmentação técnica das plataformas municipais, já que 67,2% dos documentos foram gerados em sistemas desenvolvidos pelas próprias prefeituras e apenas 32,8% pelo Emissor Nacional.
- Notas de mercadorias (NF-e) com preenchimento correto: 85,42% das 159,9 milhões processadas
- Notas de serviços (NFS-e) sem preenchimento correto: 71,65% das 38,4 milhões emitidas
- Conformidade média no Emissor Nacional de NFS-e: 54,01%
- Conformidade média nos emissores próprios municipais: 15,83%
- Empresas do Regime Normal com fornecedores no Simples Nacional ou MEI: 27,38%
Concentração geográfica e atrasos regionais
No recorte estadual, São Paulo concentrou 13,94% de notas fiscais de mercadorias sem preenchimento, taxa próxima da média nacional de 14,17%. No entanto, 30,21% dos CNPJs instalados em território paulista figuravam na categoria de não adesão, número superior à média geral brasileira de 28,47%.
Estados com baixa emissão de notas sem adaptação também apresentaram grande contingente de CNPJs irregulares. O Rio Grande do Norte registrou 7,36% de notas pendentes, mas manteve 34,20% de suas empresas na categoria de não adesão. O Amazonas teve 7,89% de notas em falta e 33,34% de empresas sem preencher os requisitos, enquanto Alagoas marcou 7,66% de notas incompletas e 32,08% de empresas sem adaptação.
Entre os setores econômicos, o varejo e a indústria terminaram junho com 92,46% e 91,61% de suas notas fiscais de mercadorias adequadas às tags. Apesar do volume documental favorável, 27,55% dos CNPJs varejistas não tinham atingido adesão integral e 12,67% operavam com conformidade parcial. Na indústria, 22,93% das empresas não cumpriram as exigências e 12,82% apresentaram adesão incompleta.
Transição em 2026 e prazos futuros
O ano de 2026 serve como fase de testes com alíquota inicial somada de 1%, sendo 0,9% destinada à CBS e 0,1% ao IBS, compensável com outros tributos federais e sem acréscimo de carga para as empresas que cumprirem as obrigações acessórias. No primeiro trimestre de 2026, levantamento anterior da Qive registrava 78,5% de conformidade nas notas de mercadorias e 16,3% nas de serviços.
Em 1 de agosto de 2026, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS flexibilizaram regras de validação para impedir a rejeição em massa de documentos. No momento, não há confirmação oficial sobre prorrogação ou anistia formal de penalidades fiscais para os 20,94% de CNPJs que terminaram junho de 2026 sem nenhuma adesão.
A etapa seguinte entra em vigor em 1 de janeiro de 2027, data na qual a CBS passará a substituir integralmente o PIS e a Cofins e as empresas optantes pelo Simples Nacional e MEI passam a ser obrigadas a cumprir o novo regramento fiscal.
