A 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro realiza nesta sexta-feira (25), às 14h, a audiência para abertura das propostas do leilão judicial de 90% da Sociedade Anônima do Futebol do Club de Regatas Vasco da Gama. A empresa Almirante Participações e Empreendimentos S.A., controlada pelo empresário Marcos Faria Lamacchia, é a única concorrente formalmente habilitada para a disputa na capital fluminense.
O processo competitivo trata da alienação da Unidade Produtiva Isolada denominada UPI Equity, sob a condução da juíza titular Simone Gastesi Chevrand. A oferta de Lamacchia atua sob a condição de stalking horse, termo jurídico que define o proponente inicial de referência com a garantia contratual de cobrir eventuais lances maiores apresentados em envelopes fechados durante a sessão.
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Caução judicial e valores envolvidos na disputa
A habilitação formal da Almirante Participações ocorreu após o recolhimento de R$ 27 milhões em caução judicial no Banco do Brasil, efetuado em 21 de setembro de 2026. A comprovação do depósito foi anexada aos autos da recuperação judicial na madrugada de quarta-feira (23), confirmando o investidor como o concorrente exclusivo com direito de participar do certame da UPI Equity.
O volume financeiro total da transação está estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, montante que engloba tanto a injeção de novos recursos quanto a assunção e renegociação das dívidas submetidas ao plano de recuperação judicial do clube associativo e da Vasco SAF. Do total ofertado pelo empresário, R$ 500 milhões estão carimbados com destinação exclusiva para investimentos nas categorias de base e na folha do futebol vascaíno.
Financiamento DIP e aportes prévios na recuperação judicial
A participação de Marcos Lamacchia nas finanças do clube antecede o leilão. Em 10 de setembro de 2026, a 4ª Vara Empresarial autorizou o Vasco a contratar um novo financiamento na modalidade Debtor-in-Possession, conhecido no jargão jurídico como empréstimo DIP, no valor de até R$ 150 milhões fornecido pela Almirante Participações. A liberação do recurso ocorre de forma gradual sob supervisão direta do juízo empresarial para recomposição da liquidez imediata da agremiação.
Antes dessa liberação recente de R$ 150 milhões, o empresário já havia concedido um primeiro aporte de R$ 40 milhões na mesma modalidade de crédito para aliviar o fluxo de caixa durante os procedimentos judiciais. O promotor de Justiça Gustavo Lunz, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, formalizou manifestação nos autos favorável ao mecanismo de liquidez, declarando “não se opor à homologação da contratação do Novo DIP nos termos da proposta apresentada pelas recuperandas”.
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Retomada societária e histórico da gestão
O processo competitivo atual é resultado direto da reorganização financeira do Vasco, presidido pelo ex-jogador Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho. O futebol vascaíno foi vendido originariamente em 2022 para o grupo norte-americano 777 Partners. A diretoria associativa retomou o controle societário por vias judiciais em 2024, após a constatação de inadimplências e a crise financeira internacional que atingiu a antiga parceira comercial.
Para destravar o leilão da nova modelagem societária, a 777 Partners assinou um acordo de desistência de todas as ações e recursos que contestavam a intervenção da diretoria vascaína. Filho do fundador da Crefisa, José Roberto Lamacchia, com a banqueira Junia Faria, e enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, Marcos Lamacchia atua no processo por meio de sua própria estrutura patrimonial independente.
Números e cronograma do certame judicial
- Percentual leiloado: 90% do capital social da nova Vasco SAF
- Depósito de caução: R$ 27 milhões recolhidos ao Banco do Brasil
- Aporte carimbado: R$ 500 milhões exclusivos para a gestão do futebol
- Teto do novo empréstimo DIP: R$ 150 milhões com liberação gradual supervisionada
- Empréstimo emergencial anterior: R$ 40 milhões concedidos ao fluxo de caixa vascaíno
- Volume total estimado: R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões entre passivos e novos aportes
- Audiência do leilão: sexta-feira, 25 de setembro de 2026, às 14h, na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro
Ritos internos e etapas pendentes na Justiça
Ainda não há decisão da juíza Simone Gastesi Chevrand sobre um pedido cautelar protocolado entre os dias 22 e 23 de setembro de 2026 por um grupo de credores trabalhistas, formado por ex-jogadores, que tenta impugnar as regras da alienação e a contratação do financiamento DIP antes da sessão de abertura das propostas.
Caso a proposta da Almirante Participações seja confirmada e homologada pelo juízo empresarial após a abertura dos envelopes, a conclusão definitiva da transferência de controle exigirá votações estatutárias internas do Vasco, necessitando do aval do Conselho Deliberativo e da aprovação final dos associados em Assembleia Geral.
