Cargueiro Cygnus XL eleva a órbita da Estação Espacial Internacional

estação espacial Cygnus XL - NASAestação espacial Cygnus XL - NASA

estação espacial Cygnus XL - NASA

A espaçonave de carga Cygnus XL, operada pela empresa Northrop Grumman, acionou seus motores por 18 minutos nesta sexta-feira (25) para elevar a altitude da Estação Espacial Internacional. A queima dos propulsores reposicionou o laboratório que orbita a Terra e concluiu uma etapa técnica essencial para as próximas operações conjuntas na baixa órbita terrestre.

O ajuste orbital garante as condições necessárias de faseamento para a aproximação da missão tripulada SpaceX Crew-13, cuja decolagem está prevista para ocorrer a partir de 1 de outubro de 2026. A queima propulsionada foi executada e confirmada pelas equipes de solo às 12h18 no fuso horário do leste dos Estados Unidos (13h18 no horário de Brasília).

Parâmetros da manobra e novos números da órbita

O procedimento utilizou o motor com suspensão cardan da Cygnus XL, sistema que permite direcionar o empuxo com precisão mecânica enquanto a nave permanece acoplada ao laboratório espacial. O acionamento contínuo elevou o apogeu da estação, que representa o ponto de maior afastamento da Terra na trajetória, em 1,5 milha. No perigeu, ponto em que o complexo atinge sua menor distância em relação à superfície do planeta, o ganho de altitude foi de 0,8 milha. Com esses parâmetros concluídos com sucesso, o laboratório orbital passou a operar em uma órbita estável de 265,5 por 256,8 milhas.

Leia também: Sonda da Nasa localiza cratera de 222 metros na borda da Lua

A correção periódica de trajetória é indispensável porque a estação sofre com o arrasto residual provocado pelas camadas superiores e rarefeitas da termosfera terrestre. Esse atrito constante faz com que a estrutura perca altitude gradualmente ao longo dos meses. Com a capacidade técnica dos cargueiros Cygnus de executar empuxo corretivo, os operadores conseguem recuperar a altura operacional planejada sem necessidade de consumir o propelente reservado nos módulos dos motores russos da própria infraestrutura espacial.

Leia também: NASA prevê chuva com até 20 meteoros por hora visível no Brasil

Alinhamento para a chegada da SpaceX Crew-13

O reposicionamento serve para sincronizar o encontro da estação com a espaçonave Dragon da SpaceX, que subirá impulsionada pelo foguete Falcon 9 a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40, situado na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Quatro tripulantes compõem o grupo que seguirá para a órbita:

  • Jessica Watkins, astronauta da Nasa e comandante da espaçonave;
  • Luke Delaney, astronauta da Nasa e piloto da missão;
  • Joshua Kutryk, astronauta da Agência Espacial Canadense e especialista de missão;
  • Sergey Teteryatnikov, cosmonauta da agência espacial russa Roscosmos e especialista de missão.

Após a acoplagem no complexo orbital, os quatro integrantes passarão a compor a Expedição 75. O voo marca a primeira participação de um astronauta da Agência Espacial Canadense dentro do programa de tripulação comercial da Nasa.

“A prioridade sempre foi estar pronto quando chamado para realizar esta missão pelo Canadá. E acredito que estamos”, afirmou Joshua Kutryk em entrevista sobre a preparação para o embarque, em tradução livre.

Datas principais da missão e do cronograma na estação

  • 13 de abril de 2026 — A espaçonave cargueira Cygnus XL é capturada pelo braço robótico e acoplada à estação na missão CRS-24, entregando suprimentos científicos.
  • 25 de setembro de 2026 — O cargueiro aciona propulsores durante 18 minutos e conclui a manobra de elevação orbital da estrutura espacial.
  • 1 de outubro de 2026 — Data mais cedo estipulada para a decolagem do foguete Falcon 9 levando a cápsula com os quatro astronautas da missão Crew-13.
  • Outubro de 2026 — Desacoplamento previsto da Cygnus XL após o carregamento com resíduos descartáveis do complexo, antecedendo sua reentrada destrutiva.

Trajetória da missão cargueira CRS-24

A cápsula Cygnus XL que realizou o reboost cumpre o contrato da missão comercial de reabastecimento Northrop Grumman CRS-24, firmado com a Nasa. Quando se acoplou ao complexo orbital em 13 de abril de 2026, o veículo descarregou mais de 11.000 libras de suprimentos de suporte de vida e equipamentos para investigações científicas conduzidas pelos astronautas a bordo.

O veículo cargueiro permanecerá acoplado à estação até outubro de 2026. Antes de sua partida final, os astronautas vão preencher a cabine pressurizada da nave com materiais descartáveis acumulados nas instalações. Na sequência, a Cygnus XL será liberada do ponto de atracação para efetuar uma reentrada destrutiva e controlada na atmosfera da Terra, onde será consumida pelo calor sem oferecer riscos à superfície.