Eclipse solar total de 2027 não passará pelo Brasil e terá ápice no norte da África

eclipse solar totaleclipse solar total

Eclipse solar total - Ethan Daniels/shutterstock.com

O alinhamento astronômico entre o Sol, a Lua e a Terra proporcionará em 2 de agosto de 2027 o eclipse solar total de maior duração sobre áreas terrestres em mais de três décadas, alcançando até 6 minutos e 23 segundos de escuridão plena. A trajetória da umbra terá largura aproximada de 258 quilômetros, projetando uma faixa de bloqueio completo da luz solar que se estenderá pelo sul da Europa, pelo norte do continente africano e pelo Oriente Médio.

O ponto central da totalidade estará situado no território do Egito, nas cercanias de Luxor e do Vale dos Reis, onde observadores terão mais de seis minutos contínuos sob a sombra lunar. O astrofísico solar Ryan French, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, classificou o fenômeno como “o evento imperdível, pois será o eclipse mais longo do restante de nossas vidas”. French observou também as condições geográficas favoráveis da região: “O mais importante é que, em agosto, o tempo estará praticamente garantido ensolarado ao longo de toda a trajetória do eclipse, porque grande parte da área é desértica”.

Mecânica celeste por trás da duração estendida

Foto: eclipse solar total – buradaki/Shutterstock.com

A extensão temporal atípica do eclipse de 2027 decorre de uma conjunção precisa na mecânica orbital da Lua ao redor do planeta Terra. O satélite natural atingirá o perigeu — ponto em sua órbita elíptica de máxima aproximação com o globo terrestre — cerca de duas horas e meia antes do alinhamento central com o Sol. Por se encontrar mais próxima da superfície terrestre, a Lua apresentará um diâmetro aparente ligeiramente superior no céu em relação ao disco solar. Essa diferença angular permite cobrir o astro-rei por um período consideravelmente maior enquanto a sombra projeta seu cone sobre a superfície, desacelerando a passagem relativa da escuridão ao longo da linha central.

Leia também: Sonda da NASA acha cratera de 222 metros na superfície lunar

Parâmetros e medidas estimadas pela Nasa

  • Data e horário do ápice: 2 de agosto de 2027, às 10h07 no horário UTC.
  • Duração máxima calculada: entre 6 minutos e 22 segundos e 6 minutos e 23 segundos na região central do Egito.
  • Largura da faixa de totalidade: cerca de 258 quilômetros ao longo do trajeto terrestre.
  • Regiões de cobertura total: sul da Espanha, Gibraltar, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália.

Países na rota de escuridão e áreas com visão parcial

A sombra passará diretamente sobre monumentos arqueológicos de relevância mundial, como as necrópoles do Vale dos Reis e os templos de Luxor, situados diretamente no eixo de cobertura total de 100%. Já monumentos localizados mais ao norte do Egito, a exemplo da Grande Pirâmide de Gizé na região metropolitana do Cairo, estarão ligeiramente fora da linha central, registrando um eclipse parcial com cerca de 99,9% de encobrimento da luminosidade solar.

Continue lendo: Telescópio Roman da Nasa tem instrumentos ligados no espaço

Fora do corredor estreito da totalidade, uma fração considerável do planeta registrará fases parciais do fenômeno. A área de penumbra cobrirá a maior parte dos países europeus, vastas extensões da África, do Oriente Médio, partes do sul e do sudeste da Ásia, além de alcançar uma porção no extremo nordeste da América do Norte.

Saiba mais: Solo de Marte tem aberturas inéditas achadas por robô da NASA

Recordes históricos de observação em solo firme

O evento de 2027 estabelecerá a maior duração de um eclipse solar total visível sobre a terra firme desde o fenômeno registrado em 11 de julho de 1991, que cruzou o Oceano Pacífico, a América Central e a América do Sul. Embora o eclipse de julho de 2009 tenha atingido 6 minutos e 39 segundos — a maior marca do século 21 —, seu ápice ocorreu quase inteiramente sobre as águas do Oceano Pacífico. Para efeitos de comparação com fenômenos recentes, o eclipse total antecedente, ocorrido em 12 de agosto de 2026 ao atravessar o Ártico, Groenlândia, Islândia e norte da Espanha, teve uma duração máxima de apenas 2 minutos e 18 segundos. Pelos cálculos astronômicos atuais, nenhum eclipse solar superará a marca terrestre de 2027 até o ano de 2114.

Veja também: NASA prevê chuva com até 20 meteoros por hora visível no Brasil

O território espanhol experimentará uma coincidência astronômica atípica nessa década, com três eventos solares de grande porte concentrados em três anos seguidos. Após o eclipse total de 12 de agosto de 2026 e o evento total de 2 de agosto de 2027, o país registrará também um eclipse anular em 26 de janeiro de 2028.

Cronologia de eclipses solares totais mapeados

  • 12 de agosto de 2026 — Fenômeno com 2 minutos e 18 segundos de escuridão visível no Ártico, na Groenlândia, na Islândia e no norte da Espanha.
  • 2 de agosto de 2027 — Eclipse com mais de 6 minutos de totalidade cruzando o sul europeu, o norte africano e a Península Arábica.
  • 22 de julho de 2028 — Passagem da umbra total projetada sobre territórios da Austrália e da Nova Zelândia.
  • 12 de agosto de 2045 — Próximo eclipse solar total a cruzar o território brasileiro, com faixa de visibilidade em estados das regiões Norte e Nordeste.

Previsões atmosféricas e visibilidade no território brasileiro

O Brasil e a maior parte do continente sul-americano ficarão totalmente fora da área de visibilidade do eclipse em 2027, sem possibilidade de observação nem mesmo da fase parcial do evento celeste. Os observadores no território nacional precisarão aguardar até 12 de agosto de 2045 para acompanhar a próxima totalidade solar que cortará faixas das regiões Norte e Nordeste do país.

Para as áreas abrangidas no trajeto de 2027, os astrônomos ainda não confirmaram os impactos meteorológicos locais específicos e os microclimas que atuarão no dia exato do alinhamento. A expectativa geral de céu limpo baseia-se na predominância de zonas áridas e desérticas, embora fatores atmosféricos pontuais dependam de medições mais próximas da data.