Inmet coloca seis estados em alerta vermelho para calor extremo

Calor, sol, verãoCalor, sol, verão

Calor, sol, verão - Tao Jiang/shutterstock.com

O Instituto Nacional de Meteorologia formalizou um aviso meteorológico vermelho de grande perigo devido à primeira onda de calor da primavera de 2026, com vigência entre sábado (26 de setembro de 2026) e quarta-feira (30 de setembro de 2026). A medida abrange seis estados brasileiros localizados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde os termômetros devem registrar marcas até 5°C acima da média histórica para o período.

A classificação técnica de grande perigo é aplicada quando o excesso térmico persiste por cinco dias consecutivos ou mais, gerando riscos severos para a população. A meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, Estael Sias, destacou a gravidade do cenário atmosférico previsto para os próximos dias: “Trata-se de um episódio de calor excessivo e extremo que oferece risco à saúde e à vida.”

Cronologia e evolução do bloqueio atmosférico no país

Foto: Calor, sol, verão – alexnako/shutterstock.com

Os modelos meteorológicos indicam uma sequência de eventos que intensificará o aquecimento ao longo do território nacional até a chegada de uma nova frente fria:

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  • Quinta-feira, 24 de setembro de 2026, às 17h20: Inmet emite formalmente o aviso meteorológico vermelho de grande perigo para os seis estados sob impacto térmico.
  • Sábado, 26 de setembro de 2026: Início da vigência do alerta oficial e entrada da massa de ar quente com elevação rápida das temperaturas médias.
  • Domingo, 27 de setembro de 2026: Cidade de São Paulo prevê máxima de 32°C, enquanto Cuiabá alcança 41°C no primeiro pico de calor da onda.
  • Segunda-feira, 28 de setembro de 2026: Campo Grande registra projeção de 40°C e Cuiabá repete a marca extrema de 41°C nas horas mais quentes da tarde.
  • Quarta-feira, 30 de setembro de 2026: Encerramento do período de vigência do aviso do Inmet com a previsão de avanço de uma frente fria no Centro-Sul.

Estados sob o aviso meteorológico do Inmet

A área delimitada pelo aviso atinge completamente os territórios de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Além da cobertura integral dessas três unidades federativas, o alerta abrange faixas territoriais do centro e do sul de Mato Grosso, o centro, o sul e o oeste do Rio de Janeiro, e regiões do sul e sudeste de Minas Gerais.

A elevação extrema das temperaturas decorre de um mecanismo duplo na atmosfera regional. Uma área de baixa pressão localizada entre o norte da Argentina e o Paraguai canaliza correntes contínuas de ar aquecido em direção ao Centro-Sul do Brasil. Concomitantemente, uma área de alta pressão em altitude atua como um domo térmico sobre partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, comprimindo o ar em direção à superfície, impedindo a dissipação do calor e bloqueando a chegada de frentes mais frescas.

Projeções térmicas nas principais capitais monitoradas

Os órgãos de meteorologia monitoram os índices de calor diários nas áreas sob a influência do domo atmosférico:

  • Cuiabá (MT): máxima projetada de 41°C no domingo e na segunda-feira.
  • Campo Grande (MS): máxima projetada de 40°C na segunda-feira.
  • São Paulo (SP): máxima projetada de 32°C no domingo.
  • Áreas críticas do Centro-Oeste e regiões de fronteira: previsão independente de picos entre 43°C e 45°C.

Enquanto o órgão meteorológico federal trabalha com o teto de 41°C nas capitais do Centro-Oeste, a MetSul Meteorologia projeta extremos mais severos, indicando que a bolha de calor associada à massa de ar quente pode produzir marcas entre 43°C e 45°C em pontos isolados e áreas limítrofes.

Influência climática do El Niño e padrão da primavera

A estação teve início astronômico oficial no dia 22 de setembro de 2026, marcando o ciclo de transição entre o ar seco de inverno e o retorno paulatino da umidade proveniente da Amazônia. Contudo, as análises climáticas apontam que a primavera de 2026 está sob forte controle do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas no Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação dos ventos e desequilibra a distribuição normal das chuvas sobre o país.

A pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp, apontou a relevância dessa dinâmica oceânica e atmosférica para os padrões sazonais: “É cientificamente comprovado o efeito do El Niño no Brasil durante a primavera. Espera-se efeito forte”.

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Não há confirmação oficial de que o episódio registrará quebras de recordes históricos absolutos de temperatura para o mês de setembro nas capitais afetadas, mantendo-se comprovado apenas o desvio superior a 5°C em relação à média climatológica.

A expectativa dos meteorologistas para o alívio das temperaturas permanece fixada na quarta-feira (30 de setembro de 2026), momento em que o deslocamento de uma frente fria deve romper o bloqueio atmosférico sobre o Centro-Sul.