Setembro Amarelo amplia busca por apoio psicológico e faz interesse pelo CVV subir 31.037%

Setembro Amarelo - Fabian Montano Hernandez / shutterstock.comSetembro Amarelo - Fabian Montano Hernandez / shutterstock.com

Setembro Amarelo - Fabian Montano Hernandez / shutterstock.com

Um levantamento da plataforma Taboola na Open Web registrou um aumento de 31.037% nas buscas e no consumo de conteúdos sobre o Centro de Valorização da Vida (CVV) no Brasil nos últimos 45 dias. O monitoramento computou mais de 203 mil visualizações de página direcionadas à sigla da entidade, impulsionadas pelo período da campanha Setembro Amarelo.

O relatório indicou ainda que a procura direta pelo termo “psicoterapia” cresceu 1.600%, acumulando 2,5 mil leituras de página, enquanto o interesse pela expressão “apoio psicológico” avançou 198%, somando 2 mil acessos no mesmo intervalo de análise.

Números consolidados pelo levantamento

Foto: Setembro Amarelo – Foto: Jeanedeoliveira22/ Shutterstock.com

A pesquisa de navegação digital mapeou o comportamento dos internautas diante de termos técnicos e institucionais ligados ao atendimento emocional e ao bem-estar psicológico:

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  • CVV: aumento de 31.037%, alcançando mais de 203 mil visualizações de página.
  • Psicoterapia: crescimento de 1.600%, com registro de 2,5 mil leituras.
  • Apoio psicológico: avanço de 198%, com 2 mil acessos.
  • Saúde mental: alta de 113%, somando 439 mil páginas visitadas.
  • Setembro Amarelo: ampliação de 100%, com 8,3 mil visualizações.
  • Psicologia: maior volume absoluto de leitura, com 24 milhões de acessos e avanço de 53%.

Especialistas avaliam impacto das campanhas e dados de mortalidade

Apesar da alta na procura por informações, o Instituto Vita Alere lançou a cartilha “Para Além do Setembro Amarelo“, com um alerta sobre a falta de comprovação empírica na diminuição de mortes decorrentes da iniciativa criada no Brasil em 2015. De acordo com dados oficiais compilados pelo Ministério da Saúde, o país registrou 16.747 mortes por suicídio em 2024. O índice nacional cresceu 50,6% entre os anos de 2010 e 2024, apresentando um aumento mais expressivo na faixa etária de jovens de 20 a 29 anos.

A psicóloga, doutora pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, Karen Scavacini, apontou os limites da mobilização informativa nas redes sociais e na mídia. “Esta não é uma cartilha celebratória do Setembro Amarelo. As evidências científicas disponíveis não encontraram redução nas taxas de suicídio associada à campanha desde sua criação, em 2015. Campanhas ampliam o conhecimento sobre o tema e facilitam a busca por ajuda, mas isso não é o mesmo que reduzir mortalidade, e a visibilidade, isoladamente, pode até mobilizar sofrimento em pessoas mais vulneráveis, como quem já tentou suicídio ou perdeu alguém dessa forma”, declarou.

A cartilha também aponta o chamado paradoxo da visibilidade, no qual a ampliação da discussão pública gera uma procura por assistência que não encontra sustentação caso a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS), não disponha de infraestrutura adequada para acolher a população vulnerável.

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Setor digital aponta papel de conscientização social

Por outro lado, o Managing Director LATAM da Taboola, José Luiz de Genova, avaliou que o interesse expressivo do público na rede confirma a utilidade do debate promovido no nono mês do ano. “O comportamento dos internautas demonstra como a campanha do Setembro Amarelo mobiliza a sociedade em direção à assistência funcional, reforçando sua importância e caráter educativo e informacional. Os dados representam ainda que este fórum aberto incentiva ações práticas fortalecendo a prevenção e reduzindo ocorrências graves”, afirmou o executivo.

As métricas levantadas na análise não detalham recortes regionalizados de consumo por estado ou município brasileiro, restringindo o diagnóstico ao volume consolidado em âmbito nacional durante o intervalo pesquisado.

Canais de atendimento e suporte gratuito

O Centro de Valorização da Vida realiza atendimentos contínuos de apoio emocional e prevenção do suicídio de maneira gratuita, sob sigilo e anonimato garantidos. O serviço funciona 24 horas por dia por meio do telefone 188, que aceita chamadas sem custo de ligação de qualquer região do país, além de plantões presenciais em postos físicos e canais de contato digital.

A identificação precoce de sintomas associados a crises de ansiedade, depressão e ideação suicida requer acompanhamento médico e psicológico especializado, que pode ser buscado diretamente na rede pública de atenção primária e psicossocial.