Telescópio espacial Prima avança na Nasa para investigar o cosmos em 2033

Telescópio PRIMA - NASATelescópio PRIMA - NASA

Telescópio PRIMA - NASA

A agência espacial norte-americana selecionou a missão PRIMA (Probe far-Infrared Mission for Astrophysics) para ingressar na Fase B de desenvolvimento tecnológico e projeto preliminar, em Washington, D.C. A decisão, anunciada na quarta-feira (23), marca a estreia da categoria Probe Explorers, uma divisão intermediária concebida para posicionar observatórios científicos entre missões menores e os grandes telescópios emblemáticos de custo multibilionário.

O projeto tem teto orçamentário estipulado em US$ 1,2 bilhão, excluindo despesas com lançamento e custos fora do escopo do programa. Sobre o impacto da aprovação, a administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA, Nicky Fox, declarou: “A missão PRIMA é a próxima janela da humanidade para o universo profundo. Ela revelará o obscuro através do tempo cósmico para entender melhor a formação de planetas, estrelas, buracos negros e até mesmo como a água na Terra surgiu”, em tradução livre.

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Origem técnica e reaproveitamento de componentes do James Webb

Para cumprir as metas financeiras e acelerar o cronograma de desenvolvimento, a equipe do PRIMA utilizará um sistema de resfriamento criogênico sobressalente construído durante o programa do telescópio espacial James Webb. Em vez de operar com hélio-4, o equipamento passará por adaptações técnicas para usar hélio-3 no circuito de refrigeração líquida, reduzindo as despesas associadas à fabricação de uma nova unidade industrial do zero.

A arquitetura óptica primária do observatório mede 1,8 metro de diâmetro e trabalhará sob resfriamento ativo regulado a 4,5 Kelvin (-268,65 °C). Já os planos focais com detectores de indutância cinética (KIDs) funcionarão em temperatura de congelamento profundo a 100 milliKelvin. Esse nível térmico posiciona os sensores entre os mais frios já enviados ao espaço, permitindo captar luz infravermelha distante em uma faixa espectral de 24 a 235 micrômetros.

Com essa sensibilidade no infravermelho distante, a missão preencherá uma lacuna observacional existente entre o alcance dos instrumentos do telescópio James Webb e as medições terrestres operadas por radiotelescópios como o ALMA, localizado no Chile. O observatório espacial terá peso total estimado abaixo de 3,4 toneladas no instante do lançamento e operará a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, posicionado no ponto Lagrange L2 do sistema Sol-Terra, com cinco anos de missão nominal programada.

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Gestão institucional e parâmetros operacionais do observatório

  • Teto orçamentário: US$ 1,2 bilhão, excluindo o veículo de lançamento e custos externos ao projeto
  • Dimensão do espelho primário: 1,8 metro de diâmetro
  • Temperatura da óptica primária: 4,5 Kelvin (-268,65 °C)
  • Temperatura dos detectores de indutância cinética: 100 milliKelvin
  • Faixa de comprimento de onda: 24 a 235 micrômetros no infravermelho distante
  • Massa total estimada: menos de 3,4 toneladas métricas
  • Ponto orbital de destino: Lagrange L2, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra
  • Duração nominal da operação científica: 5 anos

Histórico da seleção e enquadramento orçamentário

A criação formal da categoria Probe Explorers atendeu a recomendações publicadas pela Pesquisa Decenal de Astronomia e Astrofísica de 2020 das Academias Nacionais de Ciências dos Estados Unidos. O PRIMA permaneceu como o único finalista da disputa técnica após a desclassificação do projeto concorrente de raios-X AXIS, no início de 2026, quando a NASA avaliou a inviabilidade da outra proposta em atender às restrições financeiras e aos prazos estipulados.

A liderança do desenvolvimento do observatório caberá ao Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), no sul da Califórnia, com suporte operacional do Goddard Space Flight Center, do Marshall Space Flight Center, do centro IPAC do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e de agências espaciais estrangeiras parceiras. O diretor da Divisão de Astrofísica da NASA Headquarters, Shawn Domagal-Goldman, afirmou: “Uma única missão sozinha não pode investigar todos os mistérios do universo. Mas ao estender as capacidades de rastreamento de nossa frota para comprimentos de onda do infravermelho distante com o PRIMA, estamos permitindo uma visão incrivelmente abrangente do cosmos”, em tradução livre.

A NASA busca aplicar as métricas de controle orçamentário adotadas no telescópio espacial Nancy Grace Roman, orçado em cerca de US$ 4,3 bilhões e lançado em 31 de agosto de 2026. Shawn Domagal-Goldman destacou essa continuidade de gestão ao afirmar: “Com nossos telescópios espaciais Webb e Roman, definimos uma cadência de lançar missões de primeira classe em ambas as metades da década. Vamos manter isso e iniciar a próxima década com o PRIMA, como parte de um fluxo que terá consistentemente missões desse calibre prontas para operar”, em tradução livre. O diretor acrescentou: “Provamos com o lançamento do Nancy Grace Roman, adiantado em relação ao cronograma e dentro do orçamento, que não é uma lei da natureza que esses projetos vão estourar o cronograma e o orçamento”, em tradução livre.

Essa disciplina de gastos visa preparar a infraestrutura técnica para o futuro Habitable Worlds Observatory (HWO), grande observatório previsto para a década de 2040 com estimativa orçamentária preliminar calculada em US$ 11 bilhões.

Etapas de confirmação técnica e prazos futuros

A NASA ainda não definiu o foguete lançador oficial nem contratou os serviços de transporte espacial para o PRIMA. A transição definitiva da missão para a Fase C, que compreende a fabricação e a montagem física dos componentes de voo, depende de uma revisão técnica e orçamentária de confirmação a ser realizada pela agência nos próximos anos.

O cronograma oficial projeta a entrega de instrumentos fornecidos por parceiros internacionais e o ingresso formal na Fase C em 2029, mantendo a estimativa de lançamento espacial do observatório para 2033.