A influenciadora digital e apresentadora Virginia Fonseca retomou o tratamento profilático contra enxaqueca crônica e recebeu 31 aplicações de toxina botulínica na cabeça e na região dos ombros, em uma clínica médica de São Paulo, na quinta-feira (24). O procedimento foi realizado após a influenciadora relatar crises intensas de dor decorrentes do atraso em seu cronograma regular de consultas e intervenções terapêuticas.
Em publicação nas redes sociais, Virginia declarou: “Bom dia, estou aqui fazendo meu botox para enxaqueca na cabeça inteira e ombros”. A intervenção faz parte de uma abordagem terapêutica contínua para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios de cefaleia incapacitante que a acompanham desde a infância.
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Protocolo PREEMPT determina distribuição das 31 injeções
A quantidade de 31 injeções administradas não tem finalidade estética e obedece rigorosamente ao protocolo clínico PREEMPT, padrão terapêutico mundial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA). Esse método mapeia terminações nervosas sensíveis da cabeça e do pescoço para conter as vias biológicas que transmitem os sinais dolorosos ao cérebro.
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A médica especialista em estética Fernanda Nichelle explicou os critérios anatômicos do procedimento: “Na enxaqueca, o botox não é aplicado em um único local. Existem pontos previamente determinados, que podem envolver a região frontal, temporal, occipital, cervical e o trapézio. A proposta é atuar em diferentes áreas relacionadas ao mecanismo da dor e reduzir a frequência e a intensidade das crises.”
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O médico neurologista especialista em cefaleia Tiago de Paula, que integra a equipe clínica da influenciadora, destacou a necessidade de precisão durante o procedimento. Segundo o especialista, o protocolo precisa ser executado nos pontos anatômicos corretos, onde há maior densidade de terminações nervosas envolvidas na fisiopatologia da enxaqueca, para garantir que o medicamento exerça o efeito terapêutico esperado.
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Mecanismo neurofisiológico e riscos de interromper as sessões
A substância injetada age diretamente nas terminações nervosas sensitivas periféricas, impedindo a liberação de mediadores inflamatórios e neurotransmissores da dor, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido clinicamente pela sigla CGRP. Esse bloqueio periférico promove um processo de neuromodulação no sistema nervoso central, o que atenua a hipersensibilidade do encéfalo ao longo do tempo.
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Tiago de Paula enfatizou as consequências do atraso nas aplicações: “Quando espaçamos ou interrompemos o tratamento, começamos a perder essa neuromodulação e o paciente, invariavelmente, começa a piorar das dores. E perdemos a melhora progressiva. Toda vez que o paciente segue o tratamento, ele fica melhor nos outros três meses. Quando ele não faz isso, ele perde essa melhora e ainda há piora das dores.”
O médico reforçou ainda a base biológica do distúrbio: “Temos que entender que essa é uma doença crônica, genética, que precisa de um cronograma de tratamentos para que o paciente tenha realmente de volta sua qualidade de vida”. O quadro clínico sofre influência de variações hormonais ligadas ao estrogênio e pode ser agravado por fatores epigenéticos como privação de sono, estresse contínuo e ingestão de itens estimulantes, como café, chocolate, energéticos e pimenta.
Critérios clínicos e prazos do tratamento profilático
O protocolo com toxina botulínica exige regularidade e acompanhamento médico especializado para alcançar a estabilização das crises:
- Periodicidade básica: as aplicações ocorrem a cada 3 meses para manter o bloqueio químico nas terminações nervosas.
- Fase inicial obrigatória: o paciente precisa completar ao menos 8 ciclos trimestrais consecutivos antes de a equipe avaliar a transição para a manutenção.
- Fase de manutenção: após o controle clínico estabilizado, as sessões preventivas passam a ser distribuídas em intervalos de três, quatro ou cinco meses.
- Eficácia comprovada: estudos clínicos do protocolo PREEMPT registraram uma redução média de 8 a 9 dias mensais com dor de cabeça nos pacientes avaliados.
Sequência de episódios da influenciadora na semana
- Terça-feira, 22 de setembro de 2026: Virginia relata aos seguidores que voltou a enfrentar forte crise de dor decorrente do atraso no acompanhamento médico periódico.
- Quinta-feira, 24 de setembro de 2026: a influenciadora comparece a uma clínica em São Paulo pela manhã e recebe a aplicação de 31 pontos de toxina botulínica na cabeça e ombros.
- Sexta-feira, 25 de setembro de 2026: a equipe médica detalha os fundamentos fisiológicos do protocolo PREEMPT e reforça a importância da continuidade terapêutica.
A equipe neurológica que atende a apresentadora já havia administrado ciclos anteriores de toxina botulínica associados a medicamentos monoclonais anti-CGRP. Não foi divulgada publicamente a data em que ocorreu a sessão de aplicações imediatamente anterior ao procedimento realizado em 24 de setembro de 2026.
