A Procuradoria de Dortmund, na Alemanha, conduz uma investigação criminal contra um homem de 105 anos por suspeita de cumplicidade em múltiplos assassinatos cometidos durante a Segunda Guerra Mundial. O investigado atuou como guarda no campo de prisioneiros de guerra Stalag 326 VI K, localizado na região de Senne, no município de Schloß Holte-Stukenbrock.
O procedimento investigatório tramita formalmente desde março de 2026 sob o número 45 JS 2/26, após apurações preliminares da Central de Ludwigsburg para Investigação de Crimes Nazistas, mas o caso veio a público na quinta-feira (24). Em declaração oficial sobre o procedimento, o primeiro-promotor da Central de Ludwigsburg, Michael Otte, afirmou, em tradução livre: “O guarda do campo de prisioneiros de guerra de Senne, cujo processo está pendente na Procuradoria de Dortmund, já tem 105 anos”.
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Atuação no Stalag 326 e histórico das investigações
O campo Stalag 326 funcionou entre 1941 e 1945 e recebeu entre 180 mil e 200 mil prisioneiros de guerra registrados, em sua maioria soldados soviéticos submetidos a trabalhos forçados, desnutrição e condições sanitárias precárias. Levantamentos históricos estimam que até 65 mil prisioneiros morreram no local e foram sepultados em valas coletivas situadas nos arredores do complexo militar.
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- 1941 — Primeiros prisioneiros de guerra soviéticos chegam ao campo Stalag 326 em Senne.
- 1945 — Tropas do Exército dos Estados Unidos libertam os sobreviventes do campo em 2 de abril.
- 1979 — Legislação da Alemanha abole de forma definitiva a prescrição para o crime de homicídio e para a cumplicidade em assassinatos dolosos.
- 2026 — Central de Ludwigsburg encaminha dossiê à Procuradoria de Dortmund em fevereiro, dando origem ao inquérito formal em março.
Mudança jurídica na Alemanha e próximos passos processuais
A continuidade de apurações sobre fatos ocorridos no regime nazista decorre da abolição dos prazos de prescrição para assassinatos dolosos, fixada pela legislação alemã em 1979. Além disso, a jurisprudência nos tribunais do país passou a admitir condenações por cumplicidade pelo exercício da função de guarda em estruturas de extermínio e trabalho forçado, sem a obrigação de comprovar a execução individual direta de cada homicídio.
O investigado não se encontra preso e o processo permanece em fase de inquérito preliminar, sem denúncia formal recebida pela Justiça. O Ministério Público alemão ainda avalia exames médicos para verificar se o idoso apresenta capacidade física e mental para enfrentar eventuais audiências judiciais.
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