A Microsoft começou a retirar a marca comercial Copilot+ PC dos computadores mais recentes de sua linha própria e de fabricantes parceiras. A mudança atinge diretamente os modelos Surface Pro 12 e Surface Laptop 13, lançados sem o logotipo nos chassis e fora das campanhas publicitárias de 2026, apesar de os aparelhos preservarem a arquitetura técnica de hardware voltada para o processamento de inteligência artificial.
O vice-presidente corporativo da divisão Surface da Microsoft, Brett Ostrum, confirmou durante a conferência Snapdragon Summit que a empresa alterou a abordagem de divulgação de seus produtos. Ostrum afirmou, em tradução livre: “Eles não são chamados de computadores Copilot+. Eles atendem a todos os requisitos do nosso patamar anterior para o que são dispositivos Copilot+. Ainda nos apoiamos na narrativa em torno da inteligência artificial na borda e na capacidade de ter uma solução híbrida no mercado”.
Executivos da Microsoft e da Qualcomm explicam mudança comercial do Copilot+ PC
O recuo no uso do selo mercadológico não se limita aos dispositivos desenvolvidos pela Microsoft e atinge fornecedores estratégicos de semicondutores. A Qualcomm, responsável pelo fornecimento dos processadores Snapdragon presentes na linha de computadores com arquitetura de processamento neural, indicou que a indústria de tecnologia optou por entregar os mesmos recursos funcionais sem a obrigatoriedade de estampar a chancela comercial promovida anteriormente.
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O vice-presidente sênior de computação da Qualcomm, Kedar Kondap, explicou que a estratégia inicial serviu para estabelecer um patamar de hardware que agora opera de forma independente do nome fantasia. Kondap declarou, em tradução livre: “O propósito para os computadores Copilot+ era ser capaz de entregar experiências com NPU. Então era para definir uma certa categoria de dispositivos com um certo patamar e métrica, como, por exemplo, uma NPU de 45 TOPS. A partir dessa perspectiva, trata-se mais de oferecer as mesmas experiências, provavelmente sem usar a terminologia Copilot+ PC agora”.
Requisitos técnicos mantidos pela Microsoft no Windows 11
Apesar da eliminação visual da marca nos lançamentos, a Microsoft não revogou a estrutura técnica de suporte em suas diretrizes oficiais do sistema operacional Windows 11. Os aparelhos precisam atingir limites definidos de capacidade computacional para executar ferramentas locais de inteligência artificial sem dependência direta de processamento em nuvem.
A documentação de engenharia estabelece as seguintes especificações mínimas para a categoria:
- Capacidade de processamento neural com NPU de pelo menos 40 TOPS
- Memória RAM mínima de 16 GB para sustentação das rotinas operacionais
- Armazenamento interno mínimo de 256 GB em disco de estado sólido
- Compatibilidade com processadores das linhas Snapdragon, Intel Core Ultra ou AMD Ryzen AI
Histórico do selo Copilot+ PC e resistência no mercado consumidor
A chancela Copilot+ PC surgiu oficialmente em maio de 2024 como a aposta central da Microsoft para impulsionar a venda de computadores pessoais com chips Snapdragon X baseados na arquitetura ARM. Quase um ano após o lançamento inicial restrito aos processadores da Qualcomm, o projeto incorporou componentes fabricados pela Intel e pela AMD, desde que as unidades de processamento neural atingissem a faixa de 40 TOPS exigida pela matriz técnica do Windows 11.
A estratégia comercial perdeu força após o lançamento conturbado da ferramenta Recall, recurso projetado para registrar capturas de tela sucessivas da atividade dos usuários. O mecanismo sofreu adiamentos sucessivos devido a vulnerabilidades de privacidade e cibersegurança apontadas durante os testes de validação do sistema, o que desgastou a percepção pública em torno da linha. Além disso, análises de mercado apontaram que as funções de inteligência artificial generativa embarcada não se transformaram no elemento decisivo de aquisição para o público final, que priorizou fatores tradicionais como autonomia de bateria, peso e velocidade geral de processamento.
Preços de computadores com IA e indefinição de novo selo
O patamar financeiro dos computadores desenhados para essas tarefas representou outro obstáculo para a disseminação do conceito no comércio varejista. No mercado brasileiro, notebooks equipados com esse padrão de hardware pertencem a segmentos de topo de linha de marcas como Dell e Asus, com valores praticados entre R$ 7.000 e R$ 20.000, valores que mantêm os dispositivos fora do alcance da maior parte dos consumidores.
A Microsoft não divulgou se pretende apresentar uma nomenclatura substituta unificada para os notebooks equipados com aceleradores de inteligência artificial. Enquanto fornecedoras como a Dell ainda preservam menções ao termo em materiais técnicos pontuais da linha XPS, a fabricante do Windows mantém as exigências de sistema ativas no suporte técnico, sem vincular os novos computadores Surface ao antigo nome.
