Motorola é obrigada pelo Conar a separar RAM física de virtual em celulares

Motorola Signature 27 - Reprodução/YouTubeMotorola Signature 27 - Reprodução/YouTube

Motorola Signature 27 - Reprodução/YouTube

O Conselho de Ética do Conar determinou que a Motorola altere sua publicidade para informar com clareza a quantidade real de memória RAM física em seus celulares. A decisão unânime proíbe a fabricante de somar em destaque a capacidade do componente físico ao recurso de memória virtual batizado de RAM Boost.

A determinação foi tomada em sessão conjunta da 5ª e da 8ª Câmaras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, realizada em São Paulo, e atinge tanto os canais digitais e lojas virtuais quanto os pontos de venda físicos em todo o país. O órgão fundamentou a medida diretamente no artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, dispositivo que exige descrições verdadeiras nos anúncios e veda artifícios capazes de induzir o consumidor a erro.

RAM Boost e as regras do artigo 27 do Código de Publicidade

Foto: Motorola Edge 70 Fusion – Divulgação/Motorola

O processo ético foi instaurado após apurações sobre a estratégia comercial da fabricante de promover aparelhos sob o anúncio de até 24 GB de RAM. A marca inflava o número ao somar a memória física instalada no hardware ao mecanismo virtual RAM Boost Inteligente. A deliberação do Conar não impõe multa financeira nem funciona como sentença judicial, mas fixa a obrigação ética de alteração das campanhas, cabendo ainda recurso formal por parte da empresa.

A tecnologia RAM Boost utiliza paginação de memória, conhecida tecnicamente como swap, alocando uma fração do armazenamento flash interno para segurar aplicativos abertos em segundo plano. Esse componente de armazenamento opera com velocidades de leitura e escrita significativamente inferiores às da memória RAM física dedicada. Por essa razão técnica, a ampliação virtual não entrega o mesmo nível de desempenho de hardware, o que motivou o entendimento de que a soma direta das capacidades confunde o consumidor sobre o poder real do aparelho.

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Memória física e expansão virtual nos aparelhos da Motorola

A publicidade veiculada pela fabricante aplicou a metodologia de soma em diferentes linhas de smartphones comercializados no mercado nacional, variando entre modelos intermediários e avançados:

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  • Motorola Edge 70 Pro: anúncio de até 24 GB de RAM combinando 12 GB de memória física e 12 GB de RAM Boost Inteligente
  • Moto G86: divulgação de 24 GB de capacidade mediante a junção de 8 GB de RAM física com 16 GB virtuais
  • Moto G47: modelo de entrada com 4 GB de memória física e possibilidade de expansão com 8 GB virtuais
  • Moto Edge 70: especificação de 8 GB de hardware com acréscimo de 16 GB adicionais por software
  • Motorola Signature: configuração com 12 GB físicos acompanhados por outros 12 GB de memória virtual

O padrão adotado pela indústria concorrente costuma discriminar a RAM virtual exclusivamente em seções secundárias ou rodapés técnicos para evitar confusão de hardware junto ao consumidor leigo. Na estrutura dos materiais questionados da Motorola

, a menção separada e as notas informando que o recurso virtual difere da memória principal apareciam em notas de rodapé ou na ficha técnica detalhada, mantendo os números somados nos títulos principais.

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Etapas do caso da Motorola no Conar

O questionamento sobre os dados técnicos apresentados nos anúncios da fabricante percorreu procedimentos de apuração e julgamento ao longo do ano:

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  • Início de agosto de 2026 — Período apontado pela fabricante como o marco de início das revisões de formato de especificações em suas páginas oficiais
  • 24 de setembro de 2026 — Sessão conjunta da 5ª e da 8ª Câmaras do Conselho de Ética do Conar aprova por unanimidade a determinação de alteração dos anúncios
  • 25 de setembro de 2026 — Divulgação pública do julgamento com base no artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária
  • 26 de setembro de 2026 — Atualização dos registros sobre a existência de páginas de venda ativas com o formato anterior e apresentação de posicionamento da assessoria

Posicionamento da empresa e desdobramentos

Em nota oficial, a assessoria de imprensa da fabricante declarou que mantém transparência com os consumidores e sustentou que já vinha ajustando suas plataformas. “A Motorola mantém seu compromisso com a transparência e com a clareza das informações disponibilizadas aos consumidores. Consideramos fundamental comunicar as especificações de memória de forma clara e objetiva. A alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto. Seguiremos desta forma, independente de o formato anterior, que era padrão do mercado, continuar sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola. Analisaremos o teor da decisão, que já havíamos acatado, para avaliar ações adicionais”, afirmou a empresa.

Apesar da manifestação da companhia afirmando que as alterações haviam sido aplicadas em agosto, verificações realizadas na loja virtual da empresa identificaram aparelhos com a soma de memória em destaque no fim de setembro de 2026. A Motorola ainda tem direito de apresentar recurso perante o Conar contra a decisão das câmaras e não informou se protocolará a contestação formal ou se apenas concluirá as adequações pendentes em suas peças publicitárias.