Antropoceno tem base geológica em 1952 reafirmada por pesquisadores após veto oficial

Clima mapa Ricky kuo / Shutterstock.com - shutterstock.comClima mapa Ricky kuo / Shutterstock.com - shutterstock.com

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Pesquisadores do Grupo de Trabalho do Antropoceno publicaram novos estudos científicos para reafirmar a solidez estratigráfica da época geológica com início em 1952. A iniciativa ocorre após a Comissão Internacional de Estratigrafia e a Subcomissão de Estratigrafia do Quaternário rejeitarem a formalização da proposta no calendário geológico terrestre.

Os trabalhos detalham as marcas de dispersão radioativa de testes termonucleares e a aceleração industrial observada desde meados do século 20. “O Antropoceno, porém, nunca foi apenas uma questão de como chamar um período geológico”, declararam Jan Zalasiewicz, Colin N. Waters e Martin J. Head no ensaio explicativo que acompanhou a divulgação das pesquisas revisadas por pares.

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Nature Reviews publica evidências materiais sobre o Antropoceno

Os dois artigos revisados foram divulgados em 8 de setembro de 2026 nos volumes da revista científica Nature Reviews Earth & Environment por pesquisadores ligados à Universidade de Leicester, no Reino Unido, e à Universidade Brock, no Canadá. As pesquisas sintetizam mais de 100 linhas de evidência física colhidas em 12 pontos do planeta, demonstrando alterações sedimentares permanentes causadas pela atividade humana.

Jan Zalasiewicz, professor emérito de Paleobiologia na Universidade de Leicester, e Colin N. Waters, professor honorário na mesma instituição e atual presidente do grupo, sustentam que as alterações no sistema terrestre são mensuráveis em rochas e lamas recentes. A contestação institucional que barrou o projeto não atacou os registros empíricos, concentrando-se no debate metodológico sobre reconhecer uma divisão temporal baseada em um intervalo de apenas sete décadas, em contraste com períodos habitualmente medidos em milhões de anos.

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A professora de Ciências da Terra Francine M. G. McCarthy, da Universidade Brock, coordenou as investigações sedimentares no Lago Crawford, no Canadá. Segundo ela, “o Antropoceno, no quarto de século desde que foi proposto pela primeira vez e usado informalmente, adquiriu uma série de significados muito diferentes”, em tradução livre sobre o alcance transdisciplinar da ideia.

Indicadores ambientais e medições da transformação global

  • 1,5 °C acima dos níveis do período pré-industrial na temperatura média da superfície da Terra
  • 51% de elevação registrada nas concentrações de dióxido de carbono em relação ao Holoceno
  • 157% de aumento nos índices de gás metano atmosférico frente à base do Holoceno
  • 12 votos contrários e 4 a favor na apuração da Subcomissão de Estratigrafia do Quaternário

Trajetória da proposta científica desde a virada do século

O conceito ganhou relevância a partir de iniciativas acadêmicas que buscavam descrever a interferência humana na biosfera e na atmosfera terrestre. A estabilidade climática do Holoceno, estabelecida há cerca de 11.700 anos com o fim da última grande glaciação, permitiu o florescimento da civilização agrícola mundial, mas deu lugar a transformações aceleradas na dinâmica dos oceanos, no solo e na temperatura média do planeta.

  • 2000 — Paul Crutzen, químico premiado com o Nobel, populariza globalmente o termo Antropoceno em parceria com o biólogo Eugene Stoermer
  • 2023 — O Lago Crawford, no Canadá, é escolhido pelo grupo como marco estratigráfico do prego de ouro devido aos resíduos de plutônio acumulados desde 1952
  • 2024 — A União Internacional de Ciências Geológicas homologa em 26 de março o resultado da votação que rejeitou a época geológica oficial
  • 2026 — Pesquisadores publicam em 8 de setembro os estudos detalhados com as provas estratigráficas e analisam os impactos nas regras do direito marítimo e na educação

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Os cientistas mantêm a aplicação prática dos dados em redes de estudo sediadas em cidades como Estocolmo, Jena, Viena, Daejeon e Pequim. O foco das equipes agora se concentra na adaptação de normas jurídicas internacionais frente à erosão costeira e na revisão de diretrizes educacionais em diferentes países.