Aranha-do-mar ganha duas novas espécies descritas no Mar de Salish por cientistas canadenses

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Aranha - Kurnia Aji 22/ shutterstock.com

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica identificaram duas novas espécies de aranha-do-mar em águas rasas do Mar de Salish, no litoral oeste do Canadá. O achado marca a primeira descrição formal desses animais marinhos na região em quase 100 anos e eleva para 20 o total de espécies documentadas na área costeira local.

A comunicação científica sobre a descoberta foi formalizada em 23 de setembro de 2026, com a divulgação dos resultados publicados no periódico especializado Organisms Diversity & Evolution. Os animais foram coletados durante incursões de mergulho autônomo com cilindro em profundidades de até 18 metros, após trabalhos de campo desenvolvidos entre setembro de 2023 e agosto de 2024.

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Características da espécie Callipallene pilosuspedes no Mar de Salish

A primeira das espécies catalogadas recebeu a designação científica de Callipallene pilosuspedes, nome formado pela junção dos termos em latim “pilosus”, que significa peludo, e “pedes”, referente a pés. O animal apresenta espinhos longos e curvados que revestem a porção inferior das pernas, o que confere a aparência felpuda observada pelos pesquisadores durante as análises laboratoriais.

Com tronco fino e olhos avermelhados, a Callipallene pilosuspedes tem uma abertura bucal triangular provida de três lábios distintos e cercada por apêndices sensoriais. O animal possui estruturas chamadas ovígeros, apêndices modificados com alta capacidade de articulação que operam como ferramentas de higiene corporal. Imagens de microscopia registraram o espécime enrolando essas estruturas em torno dos membros para remover impurezas por meio de cerdas alinhadas como pentes.

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Tanystylum kiixin e a ligação com a antiga aldeia na Ilha de Vancouver

A segunda espécie descrita pelos biólogos foi batizada como Tanystylum kiixin, denominação inspirada no sítio histórico da vila indígena Kiixin, situado na Ilha de Vancouver. A pronúncia do termo remete acusticamente ao ruído das ondas oceânicas que atingem a faixa de pedras onde os primeiros espécimes foram resgatados.

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Diferentemente da outra espécie recém-identificada, a Tanystylum kiixin conta com apêndices menores e reduzida capacidade de articulação motora. Essa limitação dificulta a autolimpeza do organismo, razão pela qual os exemplares recolhidos costumam apresentar a superfície corporal incrustada por detritos marinhos e colonizada por minúsculos parasitas protistas.

“Eu estava interessado em saber como as aranhas-do-mar são afetadas pelas mudanças climáticas e pela perturbação humana, porque os invertebrados marinhos no Mar de Salish estão particularmente em risco, e não consegui encontrar nada. Isso se deve principalmente ao fato de que as pessoas não sabem muito sobre quais espécies existem aqui e qual é o seu estilo de vida”, afirmou o biólogo e autor principal Cormac Toler-Scott, em declaração divulgada pela instituição, em tradução livre.

Como as aranhas-do-mar se alimentam e sobrevivem na água?

Apesar do termo popular pelo qual são conhecidas, as aranhas-do-mar pertencem à classe Pycnogonida e integram o subfilo Chelicerata, o que as torna parentes evolutivas distantes dos aracnídeos terrestres e dos límulos, e não insetos. Esses artrópodes marinhos respiram diretamente através de sua cutícula e apresentam uma estrutura corpórea singular, na qual os tratos digestivos e reprodutivos se prolongam pelo interior das pernas articuladas, enquanto os machos assumem a função de carregar e proteger as massas de ovos em apêndices modificados até o momento do nascimento.

Em ambientes de águas rasas, a maioria desses organismos atua como ectoparasita sobre invertebrados sésseis de corpo mole, como hidroides e anêmonas, utilizando uma probóscide tubular proporcionalmente avantajada para perfurar tecidos e extrair fluidos vitais. A locomoção se dá pelo rastejamento vagaroso sobre o leito marinho ou sobre a vegetação submersa, com algumas variedades exibindo capacidade limitada de natação para deslocamentos curtos na coluna de água.

“Para entender como os invertebrados marinhos estão sendo impactados por fatores como as mudanças climáticas e como podemos proteger melhor esses elementos-chave do ecossistema, precisamos ser capazes de identificá-los”, disse Toler-Scott, em tradução livre.

Métricas e dados biológicos apurados na pesquisa da UBC

Para alcançar a diferenciação taxonômica exata entre os animais coletados na costa canadense, os biólogos associaram exames morfológicos sob microscopia eletrônica de varredura a ensaios laboratoriais de sequenciamento genético em sete espécies locais. O trabalho em campo demandou incursões submarinas sistemáticas em profundidades de até 18 metros em pontos estratégicos do litoral oeste, incluindo a Ilha Quadra, Bamfield, Victoria e as cercanias marítimas de Vancouver, enfrentando a carência histórica de dados sistemáticos sobre a fauna bentônica que habita águas rasas na província da Colúmbia Britânica.

  • Profundidade máxima de amostragem: até 18 metros abaixo da lâmina d’água.
  • Envergadura das pernas dos novos espécimes: cerca de 1 centímetro de ponta a ponta.
  • Tempo transcorrido desde a catalogação anterior no local: quase 100 anos.
  • Origem fóssil estimada dos picnogonídeos: cerca de 500 milhões de anos.
  • Total de espécies de aranha-do-mar agora documentadas no Mar de Salish e Ilha de Vancouver: 20 registros.

Etapas dos mergulhos e cronologia dos trabalhos de campo

O processo de amostragem e análise dos espécimes seguiu um cronograma de atividades científicas distribuído entre coletas marinhas e procedimentos analíticos em laboratório.

  • 1 de setembro de 2023: início dos mergulhos autônomos para mapeamento da fauna bentônica no litoral canadense.
  • 31 de agosto de 2024: finalização da etapa de coletas de campo e recolhimento de amostras nas estações de pesquisa.
  • 23 de setembro de 2026: Universidade da Colúmbia Britânica anuncia formalmente a descoberta das espécies.

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A data exata em que o artigo científico circulará na versão impressa da revista Organisms Diversity & Evolution ainda não foi informada pela editora responsável pela publicação.