Minha Casa, Minha Vida ganha espaço nos lançamentos e vendas de imóveis no Brasil

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Minha casa, minha vida - Foto: Cacio Murilo/ Shutterstock.com

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida respondeu por 51% dos lançamentos imobiliários e 48% das vendas registradas no Brasil nos últimos 12 meses. O balanço conjunto foi apresentado em São Paulo na quarta-feira (23) pelo Secovi-SP e pelo Sinduscon-SP, com base em monitoramento técnico realizado pela consultoria Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades brasileiras.

O avanço das contratações populares ocorre em um período de juros elevados para o crédito imobiliário tradicional atrelado à taxa Selic, o que impulsionou a busca por linhas com taxas subsidiadas. Nas 221 cidades acompanhadas pelo estudo, o mercado geral somou 477,4 mil unidades residenciais lançadas e 447,3 mil imóveis comercializados no período de 12 meses encerrado no primeiro semestre de 2026.

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Minha Casa, Minha Vida supera patamar registrado em 2023

A participação das habitações populares no volume total de lançamentos residenciais no país passou de 34% em 2023 para os atuais 51%, consolidando a inversão de perfil dos projetos imobiliários urbanos. De acordo com os dados apresentados pelas entidades setoriais, o programa habitacional federal assumiu a liderança na atividade das incorporadoras em razão de condições de financiamento mais favoráveis em comparação com o crédito imobiliário convencional do Sistema Financeiro da Habitação.

Segundo o diretor de Economia e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o avanço da faixa econômica representa uma transformação estrutural do mercado diante da cautela observada nos segmentos de média e alta renda. Esse movimento permitiu a sustentação das operações de construtoras e incorporadoras que redirecionaram projetos para atender a demanda de famílias de menor renda, onde o subsídio público e o uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço mantiveram a capacidade de compra dos adquirentes.

FGTS – Foto: Etalbr / Shutterstock.com

Quais fatores explicam a divisão das vendas imobiliárias no país?

O desempenho dos empreendimentos no intervalo de 12 meses analisado pela Brain Inteligência Estratégica detalha como as unidades do Minha Casa, Minha Vida sustentaram os números operacionais do setor da construção civil:

  • Total de unidades residenciais lançadas em 221 cidades: 477,4 mil imóveis
  • Fatia do programa habitacional nos lançamentos nacionais: 51% do total
  • Total de unidades residenciais comercializadas no período: 447,3 mil imóveis
  • Fatia do programa habitacional nas vendas consolidadas: 48% do total
  • Participação do programa nos lançamentos imobiliários em 2023: 34%
  • Preço médio de venda do programa no Interior paulista: R$ 289 mil por unidade
  • Preço médio de venda de outros padrões no Interior paulista: R$ 637 mil por imóvel
  • Valor Geral de Vendas do mercado imobiliário do Interior paulista no 1º semestre de 2026: R$ 20 bilhões

As diferenças de preços explicam a velocidade na absorção das unidades populares frente aos demais padrões residenciais. Enquanto o tíquete médio das moradias verticais convencionais atingiu R$ 637 mil nos municípios paulistas acompanhados, as unidades do programa federal registraram média de R$ 289 mil. A discrepância de R$ 348 mil entre as duas faixas reflete o impacto dos custos de terrenos, materiais de acabamento e encargos de financiamento que incidem sobre o segmento fora do programa subsidiado.

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Secovi-SP e Sinduscon-SP formalizam parceria para monitorar 42 cidades paulistas

O evento de 23 de setembro de 2026 marcou a formalização de um acordo permanente entre o Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis (Secovi-SP) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). A iniciativa estabelece a divulgação trimestral unificada dos indicadores de 42 municípios do Interior do Estado de São Paulo e da Baixada Santista, integrando os dados dos mercados vertical, composto por edifícios de apartamentos, e horizontal, formado por loteamentos e casas.

O vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes Cesar, ressaltou a importância da integração de dados: “Firmamos uma parceria com o SindusCon São Paulo. Daqui para frente, as nossas webinars trimestrais estaremos dividindo essa mesa juntamente com o SindusCon São Paulo”, afirmou durante o encontro transmitido aos associados.

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Marcondes Cesar também detalhou a utilidade prática do monitoramento contínuo para o planejamento imobiliário regional: “Mais do que uma fotografia do momento, a pesquisa permite identificar tendências de preços, tíquete médio (preço médio da venda), velocidade de vendas e regiões de maior crescimento. É uma ferramenta extremamente valiosa para que os empresários possam posicionar seus produtos e tomar decisões mais assertivas”.

Casas populares registram alta de 44% no primeiro semestre de 2026

No recorte dos 42 municípios pesquisados em São Paulo, o comportamento dos lançamentos variou de acordo com a tipologia construtiva. O mercado de apartamentos registrou recuo de 12% nos lançamentos e queda de 3% no volume de vendas no primeiro semestre de 2026, quando comparado ao primeiro semestre de 2025. Na Baixada Santista, os números do levantamento abrangeram operações imobiliárias nos municípios litorâneos de Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Bertioga.

Em contraste com a retração vertical, o segmento de casas e empreendimentos horizontais teve crescimento de 44% nos lançamentos no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo intervalo de 2025. O avanço foi impulsionado pelas moradias econômicas enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, que mais que dobraram de volume. A pesquisa revelou que foram lançadas 4.823 unidades horizontais populares no primeiro semestre de 2026, contra 2.115 registradas no primeiro semestre de 2025, um aumento concreto de 2.708 moradias no período.

O CEO da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, explicou o peso das unidades horizontais populares nos números apurados: “O que mais que dobrou foram as unidades econômicas: 4.823 no primeiro semestre deste ano contra 2.115 no ano passado. Se os demais padrões não tivessem caído, a alta teria sido muito mais intensa”.

Custos e margens pressionam incorporadores no mercado paulista

Apesar da movimentação de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas no Interior paulista no primeiro semestre de 2026, as lideranças empresariais relataram pressões operacionais sobre a atividade da construção. O presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, avaliou o cenário produtivo: “Estamos vivendo hoje um momento muito complexo, não só na política, mas nas vendas e na rentabilidade. Temos problemas sérios de margem e de custos”.

O vice-presidente do Interior do SindusCon-SP, Victor Bassan de Almeida, acompanhou as apresentações do balanço que demonstraram a manutenção do interesse de compradores em São Paulo, mesmo com a redução pontual nas apresentações de novos projetos de edifícios. O relatório oficial com o detalhamento imobiliário do interior paulista foi publicado nos canais institucionais do Secovi-SP na quinta-feira, 24 de setembro de 2026.

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As entidades promotoras do estudo informaram que os dados consolidados apresentaram os totais gerais e regionais de vendas e lançamentos do Estado de São Paulo, mas os valores de Valor Geral de Vendas individualizados para cada um dos 42 municípios pesquisados não foram divulgados na íntegra das notas públicas. A próxima divulgação conjunta dos dados imobiliários trimestrais de Secovi-SP e Sinduscon-SP está prevista para o encerramento do terceiro trimestre de 2026.