A espaçonave Starliner passará por um novo teste sem tripulantes entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, antes de voltar a transportar astronautas em direção à Estação Espacial Internacional em 2028. O cronograma atualizado foi anunciado em conjunto pela NASA e pela Boeing em Washington, nos Estados Unidos, após a conclusão das investigações técnicas sobre as falhas registradas na missão anterior.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a agência planeja validar as alterações de engenharia antes de colocar humanos novamente a bordo. “Estamos começando com uma missão Starliner-1 não tripulada para a Estação Espacial Internacional para validar as melhorias feitas na espaçonave e coletar os dados de voo necessários”, disse Isaacman, em tradução livre. “A partir daí, usaremos o que aprendemos, continuaremos implementando as ações corretivas identificadas pela nossa equipe de investigação do programa e concluiremos os testes e a certificação exigidos para o voo tripulado. Nosso plano atual é retornar os astronautas na Starliner-2 até 2028.”
Starliner-1 avaliará modificações térmicas sem astronautas a bordo
A missão Starliner-1 foi reformulada para atuar exclusivamente como uma avaliação de engenharia, sem levar pessoas à órbita da Terra. O veículo espacial passará por verificações operacionais detalhadas para medir o comportamento térmico do módulo de serviço durante as manobras no espaço, além de reunir parâmetros telemétricos essenciais para que os técnicos analisem o desempenho de novos componentes sob condições reais de voo.
A gerente do Programa de Órbita Terrestre Baixa da NASA, Dana Weigel, explicou os objetivos dessa etapa. “O próximo voo da Starliner é um passo crítico no caminho para alcançar a certificação completa do sistema e garantir uma presença humana sustentada na órbita baixa da Terra”, declarou Weigel. Ela complementou que a prioridade máxima é a segurança da tripulação da estação e do público, razão pela qual o sistema de propulsão passará por testes com objetivos específicos de demonstração e controles rigorosos de operação.
Depois da conclusão do voo da Starliner-1, a Boeing e a agência espacial vão finalizar a alteração no projeto da válvula dos propulsores do módulo de serviço. Essa reformulação técnica foca na eliminação de problemas de extrusão na vedação interna do tipo poppet, falha que prejudicou o rendimento da propulsão durante manobras orbitais anteriores. A fabricante também instalará novos propulsores no módulo da tripulação, integrará baterias mais eficientes e executará pequenos ajustes no sistema de paraquedas para elevar os níveis de confiabilidade.
Veja também: Vulcão Krasheninnikov tem avanço de lava revelado por satélite da NASA
NASA implementa 61 recomendações após falhas do voo de 2024
A reformulação das operações decorre de um relatório técnico aprofundado conduzido pela Equipe de Investigação do Programa da NASA. Ao todo, a apuração técnica formulou 61 recomendações mandatórias voltadas para a correção de anomalias que comprometeram o primeiro teste com humanos, realizado em meados de 2024. As análises concluíram que os propulsores de controle de reação operaram fora dos limites nominais de qualificação de engenharia, causando perda transitória de controle.
Em junho de 2024, a missão Crew Flight Test decolou com os astronautas Butch Wilmore e Sunita Williams, mas sofreu múltiplos vazamentos de gás hélio e superaquecimento nos propulsores durante a aproximação com o laboratório orbital. Diante da incerteza sobre a capacidade de desacoplamento seguro, a NASA optou por trazer a cápsula vazia de volta à Terra em setembro daquele mesmo ano. Os dois astronautas precisaram permanecer na Estação Espacial Internacional por aproximadamente 9 meses, até o retorno definitivo realizado a bordo de uma espaçonave da SpaceX em março de 2025.
Leia também: NASA escolhe telescópio espacial PRIMA para nova classe de missões substituindo James Webb
Ensaios extensivos em solo comprovaram que o mau funcionamento dos propulsores resultou de uma combinação de fatores ambientais e estruturais, incluindo o isolamento térmico e a geometria dos compartimentos mecânicos. Por conta desse diagnóstico, a Boeing aplicou blindagens térmicas adicionais e reformulou o fluxo de resfriamento para impedir que o calor gerado durante disparos contínuos afete os atuadores e as vedações internas.
Cronograma e etapas confirmadas da cápsula Starliner
O plano acertado entre as instituições envolve metas de curto e médio prazo para restabelecer a capacidade do veículo e garantir alternativas de lançamento para as tripulações norte-americanas:
- 1 de dezembro de 2026: abertura da janela operacional para a decolagem do voo de avaliação não tripulado Starliner-1 em direção à Estação Espacial Internacional.
- Janeiro de 2027: encerramento previsto da janela de lançamento da missão Starliner-1.
- 1 de junho de 2028: período estimado para a realização da missão Starliner-2 com quatro astronautas a bordo, restabelecendo o rodízio de tripulação.
- 5º e 6º voos operacionais: missões contratuais adicionais cujas opções de compra a agência espacial decidiu exercer para manter o atendimento à estação orbital.
Woody Hoburg comandará a Starliner-2 no retorno tripulado
O retorno de astronautas ao cockpit da Starliner ocorrerá na missão Starliner-2, prevista para 2028. A NASA designou o astronauta Woody Hoburg para a função de comandante do voo. A operação está desenhada para atuar como uma troca rotineira de equipe na Estação Espacial Internacional, levando quatro tripulantes e permanecendo acoplada ao complexo orbital pelo período padrão de seis meses.
O planejamento estratégico da agência prevê a manutenção contínua de dois operadores privados independentes para transporte de equipes aos postos avançados em órbita baixa. A presença simultânea dos veículos da Boeing e da SpaceX fornece redundância logística, evitando que problemas em um modelo paralisem as viagens humanas ao espaço ou interrompam o fornecimento de mantimentos e experimentos científicos.
O administrador Jared Isaacman destacou o papel dessa diversidade em um momento de transição na infraestrutura aeroespacial internacional. Isaacman apontou que o setor vive o período mais empolgante desde o programa Apollo, com aumento da demanda por veículos de lançamento, estágios de transferência, módulos de pouso e cápsulas de tripulação, tanto para as fases finais de operação da base atual quanto para as futuras estações comerciais.
Transição para o foguete Vulcan e indefinições do programa
Além das melhorias internas na espaçonave, a NASA, a Boeing e a United Launch Alliance trabalharão juntas na certificação para transporte humano do foguete Vulcan. A iniciativa é necessária porque o foguete Atlas V, que lançou os testes anteriores da Starliner a partir do Cabo Canaveral, terá seus voos encerrados de forma definitiva, exigindo uma nova plataforma de lançamento qualificada para missões tripuladas.
O dia exato para a decolagem da missão não tripulada Starliner-1 continua em aberto dentro do intervalo estimado entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027. A agência espacial e a fabricante aeroespacial também não definiram as identidades dos outros três tripulantes que acompanharão o comandante Woody Hoburg na missão Starliner-2 em 2028.
