Carlos Nobre ganha prêmio nos EUA e alerta para risco em 70% da Amazônia

Carlos Nobre - Reprodução/YouTubeCarlos Nobre - Reprodução/YouTube

Carlos Nobre - Reprodução/YouTube

O climatologista brasileiro Carlos Afonso Nobre recebeu o Prêmio Thomas E. Lovejoy 2026 por sua trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à preservação florestal e ao estudo do clima. A homenagem ocorreu no Zoológico do Central Park, gerido pela Wildlife Conservation Society, durante a Semana do Clima realizada na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Titular da Cátedra Clima e Sustentabilidade e professor visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o cientista foi reconhecido pela criação de modelos teóricos sobre os impactos das mudanças climáticas globais no bioma amazônico. A entrega da honraria aconteceu na noite de quarta-feira, 23 de setembro de 2026.

Quais critérios levaram Carlos Nobre ao Prêmio Thomas E. Lovejoy?

Foto: Floresta Amazônia – rahimajan/Shutterstock.com

A premiação homenageia o legado do biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, que morreu em 2021 e cunhou o termo diversidade biológica na década de 1980. Lovejoy e Nobre foram parceiros em diversos estudos científicos sobre a capacidade de regeneração da floresta tropical úmida.

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“Carlos Nobre dedicou mais de quatro décadas transformando ciência rigorosa em um chamado à ação pela Amazônia“, declarou Claude Gascon, diretor executivo interino do Global Environment Facility, em tradução livre.

A condecoração foi estabelecida em conjunto por cinco entidades internacionais que atuam na agenda ambiental:

  • Conservation International (CI)
  • Global Environment Facility (GEF)
  • The Nature Conservancy (TNC)
  • Wildlife Conservation Society (WCS)
  • World Wildlife Fund (WWF)

Alerta de Carlos Nobre sobre o ponto de não retorno na Amazônia

Carlos Nobre alertou que a floresta equatorial se aproxima de um limiar crítico capaz de transformar grandes extensões do bioma em vegetação degradada. Segundo o climatologista, “a floresta amazônica está muito próxima de um ponto de não retorno que pode degradar mais de 70% da floresta em um período de 30 a 50 anos. Se o desmatamento ultrapassar 20% da área total da floresta (atualmente está em 18%) e o aquecimento global chegar a 2,0 °C (chegará a 1,5 °C até 2030), o ponto de não retorno será atingido”.

As pesquisas lideradas pelo especialista brasileiro desde a década de 1990 mostram que a perda de cobertura vegetal combinada ao aumento da temperatura média global altera o ciclo de chuvas na América do Sul, comprometendo o abastecimento hídrico e a regulação térmica regional.

Trajetória científica de Carlos Nobre no Inpe e na gestão pública

Com formação inicial em engenharia eletrônica, Carlos Nobre obteve o título de doutor em Meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e realizou pós-doutorado na Universidade de Maryland. Ao longo de três décadas de trabalho no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entre 1983 e 2012, ele liderou investigações que projetaram o Brasil no cenário internacional das ciências da Terra e participou da equipe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estrutura agraciada conjuntamente com o ex-vice-presidente americano Al Gore com o Nobel da Paz em 2007.

Durante seu período na administração científica nacional, Nobre fundou e chefiou o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e o Centro de Ciência do Sistema Terrestre. Ele também presidiu a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), dirigiu o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e foi secretário no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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Conservacionistas homenageados pelo Prêmio Thomas E. Lovejoy

Com a entrega da edição 2026, Carlos Nobre passou a integrar o grupo de lideranças sul-americanas selecionadas pela honraria internacional. A relação de vencedores anteriores do prêmio reúne nomes com atuação direta em políticas socioambientais no continente:

  • Belén Páez, representante do Equador
  • Marc Dourojeanni, pesquisador do Peru
  • Martín von Hildebrand, ativista da Colômbia

As organizações mantenedoras não informaram se o Prêmio Thomas E. Lovejoy conta com repasse financeiro nem divulgaram valores associados à concessão da homenagem.