O Corinthians formalizou uma proposta à Caixa Econômica Federal na segunda-feira (28) para extinguir a dívida de R$ 630 milhões da Neo Química Arena em troca dos naming rights do estádio. O montante representa o saldo devedor do financiamento da construção do local, que tem amortização originalmente estipulada até 31 de dezembro de 2041.
A diretoria alvinegra, liderada pelo presidente Osmar Stabile e pelo diretor jurídico Pedro Soares, busca transferir a propriedade dos direitos de nome da arena ao banco público e adicionar contrapartidas financeiras operacionais para liquidar o compromisso de forma integral.
Operação com a Caixa Econômica Federal reúne contas e produtos do torcedor
O pacote comercial encaminhado à Caixa Econômica Federal não se restringe à alteração da nomenclatura do estádio em Itaquera. O clube propôs transferir toda a sua movimentação financeira diária e a folha salarial dos funcionários para a instituição bancária estatal, centralizando os pagamentos sob gestão do banco.
O Corinthians também inseriu no acordo o lançamento de títulos de capitalização e a emissão de cartões bancários personalizados vinculados aos associados do programa Fiel Torcedor. O clube calcula que o valor de exploração anual de mercado para os naming rights da arena atinja cerca de R$ 70 milhões por temporada.
Atualmente, o direito de nome pertence à empresa Hypera Pharma, em contrato firmado em 1 de setembro de 2020 por um valor-base de R$ 15 milhões anuais corrigidos pela inflação. Caso a negociação com o banco prospere, a diretoria planeja ceder outros espaços do clube à empresa farmacêutica para manter a relação comercial ativa, incluindo as propriedades de marca do CT Joaquim Grava.
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Desbloqueio de R$ 27 milhões e peso de 22,5% no endividamento do Corinthians
A composição formalizada pelo Corinthians busca um alívio imediato no fluxo de caixa operacional por meio da liberação de R$ 27 milhões. Essa quantia está retida em uma conta reserva vinculada à Caixa Econômica Federal desde a renegociação das regras do contrato de financiamento da arena concluída no ano de 2022.
Além do resgate desse fundo retido, o clube solicitou a suspensão formal de pagamentos das próximas parcelas periódicas do financiamento enquanto as duas partes mantiverem as conversas abertas. A dívida de R$ 630 milhões com o banco estatal corresponde a aproximadamente 22,5% de todo o endividamento do Corinthians, cujo passivo total acumulado está avaliado em cerca de R$ 2,8 bilhões.
O empréstimo original tomado pelo clube com a Caixa ocorreu em 2013, com aporte de R$ 400 milhões para as intervenções estruturais da Copa do Mundo de 2014. No entanto, encargos contratuais e juros acumulados nos períodos sem amortização plena mantiveram o saldo devedor acima de R$ 600 milhões, superando o principal financiado à época. Em novembro de 2023, sob a administração anterior de Duílio Monteiro Alves, o clube tentou compor acordo envolvendo precatórios e os recebíveis dos naming rights, mas o modelo não avançou.
Bilheteria da Neo Química Arena rendeu R$ 724,2 milhões entre 2014 e 2025
A eventual quitação da arena permitiria ao clube reter as quantias arrecadadas nas partidas do time masculino mandante sem direcionamento compulsório para amortização de juros bancários. Entre 2014 e 2025, os jogos renderam R$ 724,2 milhões em faturamento bruto de bilheteria, o que estabelece uma média de R$ 60,3 milhões por ano.
- 2014: R$ 36,6 milhões
- 2015: R$ 73,2 milhões
- 2016: R$ 57,2 milhões
- 2017: R$ 36,9 milhões
- 2018: R$ 59,3 milhões
- 2019: R$ 61,1 milhões
- 2020: R$ 7,35 milhões
- 2021: R$ 14,58 milhões
- 2022: R$ 91,92 milhões
- 2023: R$ 85,69 milhões
- 2024: R$ 85,64 milhões
- 2025: R$ 114,7 milhões
Os números representam a arrecadação bruta de ingressos em bilheterias e não computam os custos fixos operacionais de cada confronto, como segurança, impostos, arbitragem e despesas prediais de manutenção.
Conselho Diretor da Caixa Econômica Federal analisa viabilidade da proposta
O Conselho Diretor da Caixa Econômica Federal agendou para esta terça-feira (29) a análise interna dos termos entregues pelos dirigentes alvinegros. O órgão colegiado deve checar os limites normativos da instituição financeira para aceitar ativos publicitários em substituição a obrigações de crédito formalizadas.
Ainda não há confirmação sobre a aceitação dos termos pelo Conselho Diretor da Caixa Econômica Federal nem sobre eventuais exigências de garantias patrimoniais adicionais para homologar o encerramento do contrato de financiamento imobiliário.
