Expedição na Formação Durupinar inicia perfuração em busca da Arca de Noé

Formação Durupinar - Reprodução/InstagramFormação Durupinar - Reprodução/Instagram

Formação Durupinar - Reprodução/Instagram

A Formação Durupınar, crista rochosa situada em Doğubayazıt, na província turca de Ağrı, começou a receber perfurações de testemunho de sondagem para investigar o subsolo de uma área apontada por grupos religiosos como o paradeiro da Arca de Noé. A operação científica e exploratória conta com autorização de órgãos oficiais da Turquia e reúne pesquisadores da Universidade Sivas Cumhuriyet e integrantes da organização norte-americana Noah’s Ark Scans.

As perfurações mecânicas tiveram início na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, com o objetivo de retirar amostras contínuas de rocha e terra a até 18 metros de profundidade. A iniciativa gerou repercussão internacional após declarações da diretora de marketing e captação de recursos do projeto, a ativista Lauren Elena Witzke, afirmando que as descobertas desmentirão teorias consagradas sobre a história natural. Em publicação recente, a porta-voz declarou, em tradução livre: “Quando terminarmos, currículos universitários precisarão ser reescritos e o darwinismo será desmantelado. Este é o lugar onde a criação recomeçou”.

Formação Durupınar: dados da expedição na Turquia

  • Localização: distrito de Doğubayazıt, província de Ağrı, Turquia, a cerca de 30 quilômetros ao sul do Monte Ararat
  • Data de início das perfurações: segunda-feira, 21 de setembro de 2026
  • Extensão da crista rochosa: 157 metros de comprimento em altitude superior a 1.900 metros
  • Profundidade das coletas de testemunho: até 18 metros de penetração no subsolo
  • Meta de financiamento coletivo: US$ 600.000 na plataforma GiveSendGo

Tecnologia subterrânea e o robô Gopher no sítio de Ağrı

A equipe coordenada pelo arqueólogo Cenker Atila, professor da Universidade Sivas Cumhuriyet, aplica um conjunto de métodos geofísicos não invasivos antes de realizar qualquer escavação a céu aberto. O levantamento do terreno emprega georradar, tomografia de resistividade elétrica e escaneamento a laser por tecnologia LiDAR. Segundo os relatórios preliminares apresentados pelos pesquisadores, as varreduras de radar identificaram anomalias com linhas retas e possíveis divisões internas a cerca de 9 metros de profundidade, interpretadas pelos membros da expedição como compartimentos artificiais.

Para inspecionar visualmente essas cavidades sem alterar o terreno, a equipe planeja inserir nos dutos de perfuração um microrrobô batizado de Gopher. O equipamento foi adaptado a partir de estudos biológicos pelo pesquisador Robert Ross, da Universidade La Trobe, na Austrália, para navegar em espaços estreitos e registrar imagens do interior das fendas geológicas. As operações enfrentaram dificuldades técnicas na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, quando o grupo comunicou a quebra de uma broca de perfuração ao atingir camadas rochosas densas no subsolo da formação.

O vice-presidente do projeto de pesquisa Durupınar e fundador da Noah’s Ark Scans, o norte-americano Andrew Mark Jones, defende que as análises químicas fortalecem a tese de ocupação biológica concentrada no ponto. Exames preliminares de laboratório feitos com amostras de solo coletadas no perímetro registraram níveis de matéria orgânica três vezes maiores no interior da formação em comparação com a terra recolhida na área externa. Os integrantes da iniciativa utilizam esses índices para sustentar uma campanha de financiamento coletivo na plataforma GiveSendGo, com meta estipulada em US$ 600.000 para cobrir custos de perfuração e exames laboratoriais complementares.

Origem do sítio em 1959 e o histórico de expedições

A silhueta que lembra o casco de uma embarcação chamou a atenção de especialistas pela primeira vez em 1 de outubro de 1959, quando o capitão da Força Aérea turca İlhan Durupınar identificou a estrutura a partir de fotografias aéreas captadas durante voos de mapeamento militar. O comprimento horizontal de 157 metros passou a ser associado por defensores do criacionismo à medida bíblica de 300 côvados descrita no livro de Gênesis. Logo no ano seguinte, em 1960, pesquisadores dinamitaram trechos da borda rochosa em busca de madeira, mas encontraram apenas sedimentos comuns.

Na década de 1980, o explorador amador Ron Wyatt reabriu o interesse pelo sítio ao realizar medições com detectores de metal e primeiros radares de penetração no solo. Além da crista principal, a equipe atual estende as investigações até o povoado de Arzap, onde foram identificados grandes blocos de pedra perfurados. Os defensores da expedição sustentam que esses blocos eram âncoras de arrasto marítimas usadas em grandes embarcações da Antiguidade, enquanto historiadores e arqueólogos apontam que as peças são estelas pagãs e memoriais medievais de origem armênia.

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Consenso geológico e limites científicos da Formação Durupınar

A comunidade científica e geológica internacional refuta a hipótese de que a Formação Durupınar abrigue uma estrutura naval feita por mãos humanas. Pesquisas geológicas independentes realizadas na década de 1990 pelos geólogos Lorence Collins e David Fasold demonstraram que a elevação é um sinclinal natural, produto do dobramento de camadas rochosas submetidas a intensas pressões tectônicas e erosão sobre argila vulcânica e calcário. Os especialistas afirmam que os reflexos registrados nos radares decorrem do contato entre diferentes extratos de rocha e bolsões de umidade, e não de conveses de madeira petrificada.

Até o momento, não existe nenhuma datação por radiocarbono ou validação laboratorial independente que comprove a existência de madeira trabalhada pelo ser humano datada de 4.300 a 5.000 anos atrás na área. As licenças emitidas pelas autoridades governamentais da Turquia limitam-se exclusivamente a testes geofísicos, medições e coletas de testemunho de sondagem, de modo que escavações arqueológicas completas continuam sem autorização para serem executadas no sítio de Ağrı.