Homem deixa o corredor da morte em Utah após teste de DNA negativo

Douglas Stewart Carter - Reprodução/YouTubeDouglas Stewart Carter - Reprodução/YouTube

Douglas Stewart Carter - Reprodução/YouTube

Douglas Stewart Carter, de 71 anos, foi libertado sob fiança na noite de segunda-feira (28) após passar 41 anos sob custódia no estado de Utah, nos Estados Unidos. A decisão judicial ocorreu depois que laudos periciais de DNA não encontraram correspondência entre o material genético dele e os vestígios recolhidos na cena do assassinato de Eva Olesen, ocorrido em 1985.

O juiz Derek Pullan, da 4ª Vara Distrital de Utah, determinou a liberação provisória mediante monitoramento eletrônico. Carter deixou as dependências da cadeia do condado de Utah, em Spanish Fork, acompanhado pelo filho, Tyler Anger, e por seu advogado de defesa, Neal Hamilton. O magistrado estabeleceu que o réu permaneça com tornozeleira com rastreamento por GPS e não faça contato com parentes da vítima enquanto aguarda o desenrolar das ações judiciais.

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Resultados periciais de Douglas Stewart Carter

Os resultados laboratoriais, recebidos pela Justiça estadual em 22 de setembro de 2026, analisaram amostras biológicas preservadas do inquérito original. Os exames periciais excluíram formalmente Carter como a origem do sangue coletado em uma maçaneta da residência e dos materiais genéticos retirados da empunhadura da faca usada contra Olesen, que tinha 57 anos na época em que foi esfaqueada e baleada. Diante do parecer técnico negativo, o Ministério Público distrital retirou o pedido formal de pena de morte.

O advogado Neal Hamilton declarou que a acusação perdeu a sustentação probatória e afirmou que a obrigação legal agora é o cancelamento da denúncia. “Ele está sendo libertado com 41 anos de trauma induzido pelo Estado, e o efeito que isso terá sobre ele é muito real”, afirmou o defensor, em tradução livre. Do outro lado, o procurador distrital Jeffrey Gray ponderou que o resultado pericial “não exonera necessariamente Carter do assassinato”, sustentando que a arma de fogo disparada nunca foi localizada e que o réu havia assinado uma confissão após a prisão inicial.

Dados da decisão no condado de Utah

  • Local de soltura: cadeia do condado de Utah (Utah County Jail), em Spanish Fork
  • Medidas cautelares: tornozeleira com monitoramento por GPS e proibição de aproximação de familiares da vítima
  • Situação processual: cancelamento do pedido de pena capital e reavaliação de novo julgamento

Histórico do caso de homicídio em Provo

A condenação primitiva de Carter aconteceu em 1985 sem que nenhuma evidência biológica ou forense direta apontasse a presença dele no imóvel da vítima, que era tia de um ex-chefe da polícia de Provo. O veredito do júri popular baseou-se na época na confissão obtida sob custódia policial e nos testemunhos de Epifanio Tovar e Lucia Tovar. Ambos afirmaram anos depois terem sido coagidos, recebido pagamentos em dinheiro de investigadores e sofrido ameaças diretas de deportação para o México caso não incriminassem o acusado.

A defesa técnica sustenta que os agentes da lei ocultaram relatos de testemunhas que viram um indivíduo branco deixando a área logo após a agressão, além de terem desconsiderado pistas sobre outros suspeitos, incluindo o marido de Eva, Orla Olesen, falecido em 2009. Com base na má conduta de policiais e promotores apurada nas apelações, a Suprema Corte de Utah anulou a sentença condenatória original.

Etapas processuais de Douglas Stewart Carter

  • 1985 — Ocorrência do homicídio em Provo e prisão de Carter baseada em testemunhos intermediados pela polícia local
  • 2011 — Testemunhas de acusação admitem coação institucional e pagamento de valores financeiros para depor contra o réu
  • 15 de maio de 2025 — Suprema Corte de Utah anula formalmente a condenação e determina novo processo
  • 22 de setembro de 2026 — Laudos de DNA descartam Carter das amostras da faca e de maçaneta da cena do crime
  • 28 de setembro de 2026 — Audiência judicial concede fiança e Carter deixa a prisão do condado de Utah
  • Julho de 2027 — Período previsto para o novo julgamento de oito semanas, caso a acusação decida manter o processo

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A Justiça dos Estados Unidos ainda não definiu se o perfil genético não identificado encontrado nos objetos será incluído nos bancos integrados de dados para identificar outros envolvidos no homicídio.