Manchester City é considerado culpado por violações financeiras na Premier League

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Manchester City - Foto: shana espinoza / Shutterstock.com

A comissão independente da Premier League considerou o Manchester City culpado de violações financeiras sistemáticas cometidas ao longo de nove temporadas, entre 2009 e 2018. A decisão oficial, comunicada nesta terça-feira (29), estabelece que a diretoria do clube inglês manipulou receitas e custos operacionais, além de ter descumprido a obrigação regulatória de cooperar com as investigações conduzidas pela liga de futebol da Inglaterra.

O Manchester City declarou-se inocente das imputações, manifestou surpresa com o veredito e confirmou que apresentará recurso formal até sexta-feira (2 de outubro de 2026). Em nota oficial divulgada logo após a publicação do veredito em Londres, a administração do clube afirmou que utilizará todas as instâncias cabíveis para reverter a decisão anunciada pelos reguladores.

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Manchester City operou fraudes de mais de £ 900 milhões

O relatório da comissão independente apontou que as irregularidades totalizaram mais de £ 900 milhões em receitas infladas de forma artificial e despesas reduzidas fraudulentamente. Conforme a apuração disciplinar, a agremiação gerida pelo presidente Khaldoon Al Mubarak mascarou aportes diretos do grupo proprietário, a Abu Dhabi United Group (ADUG), por meio de contratos de patrocínio adulterados com diferentes parceiros comerciais, nos quais as empresas pagavam somente uma fração do valor anunciado e o restante vinha do fundo controlador.

Os investigadores detalharam ainda que a estrutura de custos do time envolveu acordos paralelos de remuneração para diminuir os gastos operacionais oficiais, incluindo contratos ligados ao ex-técnico Roberto Mancini, que comandou o elenco profissional entre 2009 e 2013. A comissão identificou também um esquema circular de simulação na cessão de direitos de imagem de atletas para a empresa Fordham, operação integralmente financiada pela ADUG para contornar as exigências de equilíbrio contábil vigentes no futebol britânico e europeu.

Premier League acusa Manchester City de quebra sistemática de regras

O diretor executivo da Premier League, Richard Masters, sustentou que o veredito traduz a extensão da conduta praticada pela cúpula do clube ao longo de quase uma década de disputas no futebol inglês. “A decisão principal estabelece os fatos do que aconteceu no Manchester City durante este período. Ela detalha como o clube quebrou sistematicamente as regras da Premier League por quase uma década”, afirmou Richard Masters, em tradução livre do posicionamento emitido pela direção da liga.

No texto oficial, a Premier League resumiu a condenação com foco nas acusações substantivas. “Uma comissão independente considerou o Manchester City FC culpado de todas as acusações relacionadas a violações graves das regras financeiras da Premier League ao longo de um período de nove temporadas, e da maioria das acusações em relação à sua falha em cooperar com a investigação da Liga”, declarou a entidade, em tradução livre.

Manchester City rebate acusações e prepara recurso

Em nota institucional, o Manchester City contestou veementemente a análise apresentada pelo comitê e assegurou que recorrerá da decisão desfavorável perante as autoridades competentes. O comunicado ressalta que o clube pretende agir de maneira direta para comprovar a regularidade de sua contabilidade esportiva e reverter as conclusões publicadas pela organização do campeonato nacional.

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“O Manchester City FC está ao mesmo tempo desapontado e surpreso com a opinião da comissão da Premier League, que foi publicada hoje. O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um corpo abrangente de evidências irrefutáveis em apoio a todas as suas posições relacionadas a este caso. O clube, portanto, será implacável e, onde necessário, proativo em todos e quaisquer fóruns regulatórios e jurídicos apropriados”, registrou a nota oficial da equipe inglesa, em tradução livre.

Linha do tempo do caso contra o Manchester City

  • Fim de 2018: Início formal das investigações da Premier League após a publicação de documentos internos do clube vazados pela revista alemã Der Spiegel no caso conhecido como Football Leaks.
  • Ano de 2020: A Uefa suspendeu o Manchester City por dois anos das competições continentais por infrações ao Fair Play Financeiro, mas a penalidade foi revertida na Corte Arbitral do Esporte (CAS), que manteve apenas multa pecuniária pela recusa em colaborar.
  • 6 de fevereiro de 2023: A Premier League formalizou 115 acusações disciplinares contra o Manchester City após quatro anos de apurações internas.
  • Setembro de 2024: Início das audiências formais com a comissão julgadora independente para depoimentos e análise das provas apresentadas por acusação e defesa.
  • 25 de setembro de 2026: Veículos de imprensa do Reino Unido anteciparam vazamentos preliminares sobre a deliberação condenatória da comissão independente.
  • 29 de setembro de 2026: Publicação oficial do relatório da Premier League com a decisão sobre a culpabilidade do Manchester City.
  • 2 de outubro de 2026: Data-limite para o clube protocolar o recurso formal contra a deliberação divulgada pela comissão.

Possíveis sanções contra o Manchester City permanecem em sigilo

A definição das penalidades aplicáveis ao Manchester City ainda não ocorreu. A comissão independente marcou uma audiência suplementar confidencial para determinar a dosimetria da punição, que pode abranger sanções administrativas variadas, como multas financeiras pesadas, dedução de pontos na tabela de classificação do torneio ou até mesmo a exclusão e rebaixamento de divisão.

O processo continuará sob reserva até que a audiência suplementar seja concluída e os eventuais recursos sejam julgados pelas instâncias regulatórias do esporte britânico. O próximo passo formal do caso depende do envio do recurso do Manchester City, que deve ser apresentado até 2 de outubro de 2026.