O pickleball reúne mais de 160 mil praticantes e soma cerca de 580 quadras públicas e privadas no Brasil nesta terça-feira (29). O avanço rápido da modalidade no país acelerou a abertura de espaços em academias e projetos imobiliários, além de impulsionar a articulação esportiva internacional para incluir a disputa no programa dos Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima, no Peru.
O salto no número de praticantes ocorreu em um intervalo de dois anos e meio, quando a modalidade contava com apenas 4 mil adeptos em território nacional. “Há dois anos e meio, éramos cerca de 4 mil praticantes. Hoje, ultrapassamos 160 mil”, afirmou Paulo André de Moraes, presidente da Confederação Brasileira de Pickleball e da Federação Sul-Americana de Pickleball.
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Regras e estrutura do pickleball em quadra reduzida
A prática combina fundamentos técnicos do tênis de mesa, do badminton e do tênis tradicional. Os atletas utilizam raquetes retangulares sólidas e uma bola de plástico perfurada, com disputa realizada tanto em confrontos individuais quanto em duplas, em quadras fechadas ou ao ar livre. O objetivo central consiste em rebater a bola por cima da rede de modo a inviabilizar a devolução do adversário, com partidas definidas em melhor de dois ou três sets de 11 pontos, desde que haja margem mínima de dois pontos de vantagem.
Em comparação com o tênis convencional, a modalidade exige menor deslocamento físico e oferece adaptação ágil para iniciantes de diferentes faixas etárias. “Alguém que nunca jogou um esporte de raquete, quando entra em contato com o pickleball, logo consegue se divertir”, declarou a instrutora de pickleball Paula Pedroso. A estrutura de jogo envolve as seguintes especificações técnicas e organizacionais:
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- Quadra de jogo: 13 metros de comprimento por 6 metros de largura, ante 23 por 8 metros do tênis em simples
- Equipamento regulamentar: raquetes retangulares rígidas e bola plástica perfurada própria para o esporte
- Formato da pontuação: sets disputados até 11 pontos, decididos com diferença mínima de dois pontos
- Torneios oficiais no país: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa das Federações
- Divisão por categorias: faixas que atendem desde crianças a partir de 5 anos até veteranos com mais de 80 anos
Inclusão social e aulas do pickleball na capital paulista
O perfil dos adeptos abrange públicos com idades entre 5 e 80 anos. Na última edição do Campeonato Brasileiro, a categoria sênior para pessoas com 80 anos ou mais teve a inscrição de 17 duplas. Além dos benefícios cardiovasculares, da força muscular e da mobilidade motora, a rápida alternância das jogadas estimula o desenvolvimento cognitivo dos participantes.
Em São Paulo, a difusão ocorre também por meio de iniciativas gratuitas de democratização mantidas pela Federação Paulista de Pickleball em parceria com a administração pública. A entidade atende cerca de 800 alunos nos centros esportivos Ceret, no bairro do Tatuapé, e Pelezão, na Lapa, onde a procura gerou uma fila de espera superior a mil inscritos. A presidente da entidade, Fernanda Jubran Affonso de Almeida Prado, coordena o Instituto Pickleball Transforma. “Também temos o projeto Pickleball Transforma, que seleciona jovens de regiões periféricas para formação como instrutores e coaches, facilitando sua entrada no mercado de trabalho”, disse Fernanda Jubran.
Pickleball no mercado imobiliário e em grandes academias
O crescimento no país repercute em empreendimentos corporativos e residenciais de alto padrão. O espaço menor da quadra viabiliza a inclusão da modalidade em áreas de lazer sem demandar os grandes terrenos exigidos pelas quadras de saibro ou piso rápido do tênis. A incorporadora META, por exemplo, integrou quadras de pickleball no complexo residencial The Club Jardim Guedala, em São Paulo, com entrega prevista para 1 de janeiro de 2029. Fernanda Natel, gerente de inovação e hospitalidade da META, explicou que a inserção atende à busca por hábitos contemporâneos de lazer e bem-estar.
No segmento de condicionamento físico particular, redes esportivas estruturaram horários exclusivos para o esporte. A rede de academias Bodytech incluiu sessões de cerca de 40 minutos em sua grade horária em duas unidades paulistanas, com previsão de estender o serviço para o Rio de Janeiro. A modalidade fica disponível dentro dos planos de matrícula regulares da empresa, cujas mensalidades variam de R$ 300 a R$ 1.600. Segundo Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company, a atividade coletiva estimula a movimentação constante e a convivência entre os alunos.
Trajetória do esporte e metas nos Jogos Pan-Americanos
Criado nos Estados Unidos durante a década de 1960 por três amigos, o esporte obteve crescimento mundial significativo a partir de 2020. Dados da Sports & Fitness Industry Association apontam que o número de participantes nos Estados Unidos avançou 51% entre 2022 e 2023, acumulando alta de 223% na comparação de 2020 com 2023. No Brasil, o movimento ganhou tração a partir de 2019 com partidas informais no Parque Ibirapuera, promovidas pelo empresário José Eduardo Guilger, que inaugurou em 2023 a Pickleball Point Arena, na zona sul paulistana. No cenário internacional, a Seleção Brasileira conquistou o título da Copa do Mundo na categoria 50+ em Da Nang, no Vietnã, em setembro de 2026.
O próximo passo das entidades reguladoras consiste na inserção em competições do ciclo olímpico internacional. As lideranças da Confederação Brasileira e da Federação Sul-Americana conduzem tratativas diplomáticas para colocar o esporte nos Jogos Pan-Americanos de 2027, agendados para Lima, no Peru. “Estamos empenhados”, ressaltou Paulo André de Moraes sobre a articulação.
Apesar das negociações em andamento pelas entidades continentais, a homologação e a aprovação formal da modalidade no cronograma oficial da competição multiesportiva de Lima em 2027 ainda não foram oficializadas pelos organizadores do evento.
