O ajuste do ar-condicionado em 23 °C serve como ponto de partida ideal para equilibrar conforto térmico e economia de eletricidade ao dormir e trabalhar no Brasil. A recomendação técnica evita a sobrecarga contínua do compressor e impede que o equipamento consuma eletricidade em excesso durante períodos prolongados de uso.
A marcação de 23 °C é amplamente adotada como referência prática por se aproximar dos parâmetros de conforto da norma NBR 16401 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que define faixas operativas de verão entre 22,5 °C e 25,5 °C. A diretriz foi detalhada em orientações técnicas divulgadas nesta quarta-feira (30).
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Parâmetros da ABNT e orientações do INEE para o ar-condicionado
O diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), Fernando Perrone, explica que a temperatura indicada no controle remoto representa apenas o setpoint, ou seja, a meta que o sensor tenta atingir. Segundo Perrone, “incidência solar direta, áreas de sombreamento, tipos de edificação e materiais utilizados, vedação de portas e janelas, forma de instalação, umidade e ventilação natural podem interferir nessa temperatura de conforto. Por isso, os 22 °C e 23 °C usados como referência podem mudar um pouco de acordo com o local”.
Consumo de energia e o erro de programar 18 °C
Reduzir o termostato para valores extremos, como 18 °C, não faz o ar-condicionado resfriar o ambiente com maior velocidade. A prática apenas força o motor a operar na capacidade máxima por tempo prolongado, ampliando o valor da fatura de luz. Cada 1 °C a menos programado no aparelho pode aumentar o consumo elétrico em até 8%, de acordo com estimativas técnicas do setor.
Perrone adverte que a oscilação constante prejudica as finanças domésticas: “Ligar diretamente em 23 °C de forma constante consome muito menos energia do que ‘pisar fundo’ no termostato. Baixar para 18 °C e, poucos minutos depois, voltar para 23 °C ou 24 °C só vai aumentar o gasto de energia. Portanto, é melhor trabalhar com uma temperatura de conforto de maneira constante do que exigir o máximo do equipamento para atingir uma temperatura muito baixa”.
Influência da umidade relativa e controle da Midea Carrier
A sensação de calor em ambientes fechados está diretamente associada aos níveis de umidade relativa do ar. Quando o índice está elevado, o suor não evapora com facilidade, provocando sensação de abafamento mesmo com o aparelho ativo. O gerente de Marketing de Produto RAC da Midea Carrier, Cesar Messano, destaca que “em regiões quentes e úmidas, o conforto térmico depende não apenas da temperatura, mas também do controle da umidade do ar. Quando a umidade está elevada, a sensação de calor aumenta, mesmo com o ambiente climatizado”.
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Messano também reforça que o controle do clima exige atenção ao ambiente: “Reduzir excessivamente a temperatura nem sempre é a melhor solução. O ideal é equilibrar temperatura e umidade para proporcionar mais conforto, bem-estar e eficiência energética”.
Brasil: práticas recomendadas para manter o ar-condicionado eficiente
Para garantir o rendimento correto do sistema de climatização em residências e locais de trabalho, os especialistas estabelecem diretrizes operacionais de uso diário:
- Manter a faixa térmica entre 22,5 °C e 25,5 °C com umidade relativa em 65%, ou de 23 °C a 26 °C em umidade de 35%, conforme a norma ABNT NBR 16401-2.
- Desligar o equipamento prioritariamente quando o cômodo permanecer desocupado por mais de 1 hora.
- Higienizar os filtros de ar regularmente para não obstruir o fluxo de ventilação nem forçar o compressor.
- Vedar portas e janelas para conter a entrada contínua de ar externo e reduzir a carga térmica do imóvel.
- Dimensionar a capacidade em BTU/h de acordo com a área, a insolação e o número de pessoas ou eletrônicos.
Brasil: diferenças de consumo e comportamento de aparelhos inverter
A taxa exata de acréscimo de consumo elétrico por grau reduzido no controle ainda depende da tecnologia empregada no ar-condicionado. Aparelhos com compressores inverter regulam a rotação de forma contínua e suave, enquanto modelos convencionais de ciclo fixo alternam ciclos constantes de liga e desliga, o que produz impactos energéticos distintos na rede elétrica.
As medições atualizadas em 30 de setembro de 2026 orientam os consumidores a manterem ajustes constantes para evitar picos na tarifa ao longo das próximas semanas.
